Quartas de final do Paulistão têm queda de mais de 56% na arrecadação e no público

A análise dos boletins financeiros das quartas de final do Campeonato Paulista 2026 feita pela Máquina do Esporte aponta uma retração relevante nos indicadores de público e arrecadação em comparação com as duas edições anteriores do torneio. Os quatro jogos dessa fase somaram 51.751 torcedores e R$ 3,55 milhões em renda bruta.

No recorte recente, as quartas de final de 2024 registraram 92.484 ingressos vendidos e R$ 5,99 milhões em arrecadação. No ano passado, por sua vez, o público chegou a 120.091 torcedores, enquanto a renda bruta alcançou R$ 8,48 milhões.


A comparação direta entre 2025 e 2026 indica uma queda de 56,9% no público e de 58,1% na arrecadação bruta. Em relação a 2024, a redução foi de aproximadamente 40,6% nas receitas e de cerca de 44% no público.

Taxa

O impacto da queda de bilheteria também influencia o valor arrecadado pela Federação Paulista de Futebol (FPF). A taxa da entidade, calculada em 5% sobre a arrecadação bruta de cada partida das quartas de final, gerou cerca de R$ 299,8 mil, quando somadas as quatro partidas de 2024.

Em 2025, o valor subiu para aproximadamente R$ 424,3 mil. Em 2026, porém, caiu para cerca de R$ 177,8 mil, acompanhando a retração do volume de receitas dos jogos.


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Ocupação

A taxa de ocupação dos estádios em 2026 também ajuda a dimensionar o desempenho comercial da fase. O jogo entre Palmeiras e Capivariano, realizado na Arena Barueri, teve público de 21.531 pessoas em um estádio com capacidade para 31.452 lugares. A ocupação foi de 68,5%.

Em Bragança Paulista, no duelo Red Bull Bragantino x São Paulo, foram 7.019 torcedores em um estádio com capacidade aproximada de 12 mil, resultando em 58,5% de ocupação.

Em Novo Horizonte, o público de 10.417 espectadores representou cerca de 73,9% da capacidade do estádio para o jogo em que o Novorizontino eliminou o Santos, com Neymar em campo.

Já no Canindé, 12.784 torcedores corresponderam a aproximadamente 60,9% da capacidade total do espaço para assistir à classificação do Corinthians após a vitória sobre a Portuguesa nos pênaltis.

Preços

Os borderôs evidenciam diferenças relevantes no valor médio dos ingressos. No jogo Red Bull Bragantino x São Paulo, o tíquete médio foi de R$ 58,33. Na partida Palmeiras x Capivariano, o valor médio foi de R$ 36,38.

O confronto com mando do Novorizontino contra o Santos, por sua vez, registrou tíquete médio de R$ 101,33, enquanto Portuguesa x Corinthians alcançou R$ 102,27 por ingresso.

Os dados indicam que Novorizontino e Portuguesa adotaram uma estratégia de maior monetização por torcedor, priorizando um preço médio mais elevado mesmo com estádios de menor capacidade.

No caso do Palmeiras, o tíquete médio inferior sugere uma política de preços mais acessível, o que pode estar associado à realização da partida fora do Allianz Parque, em uma praça que historicamente apresenta menor adesão da torcida em comparação com a arena principal do clube.

A média geral do valor do ingresso nas quartas de 2026 foi de aproximadamente R$ 68,87. No ano passado, considerando-se o total arrecadado de R$ 8,49 milhões para 120.091 torcedores, o tíquete médio geral foi de cerca de R$ 70,73. Já em 2024, com R$ 5,99 milhões para 92.484 ingressos, o valor médio foi de aproximadamente R$ 64,78.

O dado indica que, embora a arrecadação total tenha recuado de forma expressiva em 2026, o preço médio do ingresso permaneceu em um patamar próximo ao do último ano e acima dos preços praticados em 2024. Isso reforça que a principal diferença financeira deste ano está na escala de público, e não em uma redução generalizada de preços.

Despesas

Ramon Sosa, do Palmeiras, comemora o quarto gol contra o Capivariano - Cesar Greco/Palmeiras
Ramón Sosa comemora com a torcida do Palmeiras o gol marcado contra o Capivariano – Cesar Greco / Palmeiras

Outro fator objetivo é a estrutura de custos dos jogos. O peso das despesas totais nas quartas de final de 2026 (aluguéis e seguros, taxas e impostos, e despesas operacionais) sobre a arrecadação bruta mostra um nível de eficiência financeira bastante desigual entre as partidas.

No duelo Red Bull Bragantino x São Paulo, os custos consumiram 93,4% da receita, resultando em apenas R$ 26.920,23 de receita líquida ao mandante. Em Palmeiras x Capivariano, as despesas representaram 90,1% da arrecadação, com líquido a receber de R$ 77.608,26.

Em contraste, o Novorizontino comprometeu 45% da receita e alcançou R$ 580.468,39 de faturamento líquido a receber contra o Santos. Já a Portuguesa registrou 57,2% de despesas sobre a arrecadação e líquido a receber de R$ 559.442,41 contra o Corinthians.

Do ponto de vista factual, também houve alteração no perfil dos mandantes. Em 2025, três clubes de maior torcida do estado atuaram em casa nas quartas de final.

Neste ano, apenas o Palmeiras figurou como mandante entre os quatro grandes, o que alterou estruturalmente o potencial de público e a arrecadação da fase decisiva.

Conjuntura

A leitura dos dados permite considerar fatores conjunturais que podem ter contribuído para a retração, embora não possam ser isolados como causa única.

Um deles é o posicionamento das quartas de final no calendário. Em 2024 e 2025, os jogos ocorreram em março, enquanto em 2026 foram disputados em fevereiro, em um período imediatamente posterior ao Carnaval e já inserido em um calendário esportivo mais congestionado, com competições nacionais sendo disputadas no meio da semana.

Esse contexto pode influenciar a disponibilidade do torcedor, o planejamento de compra de ingressos e a atenção dividida entre diferentes competições.

Outro elemento relevante é o local de mando do Palmeiras. O clube disputou sua partida na Arena Barueri, e não em seu estádio principal, o que historicamente tende a impactar a adesão do público e o potencial de arrecadação, mesmo em jogos eliminatórios.

A mudança de praça pode reduzir a demanda espontânea e a capacidade de monetização em setores de maior valor agregado, ainda que a ocupação relativa do estádio tenha sido relevante.

Também é possível considerar que a combinação entre menor presença de grandes clubes como mandantes, diferentes praças de realização dos jogos e níveis variados de tíquete médio tenha alterado a dinâmica de consumo presencial nas quartas de final do Paulistão em 2026.

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Comparativo com 2024 e 2025 mostra retração na bilheteria, redução da taxa da federação e impacto do perfil dos mandantes
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