O senado italiano está avaliando uma proposta de grande impacto que promete reformular as estruturas esportivas do país, tendo como base a criação de um imposto sobre apostas no futebol fixado na casa dos 2%.
O senador Paolo Marcheschi, representante do partido Irmãos da Itália, apresentou o Projeto de Lei número 1902, batizado oficialmente como “Disposições para o reordenamento do sistema de futebol”.
A medida ganha forte peso político por ter o aval direto do governo liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni.
A iniciativa surge como uma resposta urgente para tentar resgatar o prestígio da modalidade no país, logo após o fracasso da seleção nacional em se classificar para a Copa do Mundo de 2026.
Dessa forma, a cobrança incidirá sobre os palpites realizados nos campeonatos domésticos organizados pela federação local.
Como ficará a distribuição da arrecadação do novo imposto sobre apostas no futebol
A expectativa do governo é que a taxa de 2% consiga injetar cerca de 230 milhões de euros por ano nos cofres do esporte.
O texto da lei detalha como acontecerá a utilização desse dinheiro sob a supervisão do Ministério das Finanças.
O foco do projeto é o desenvolvimento das categorias de base.
Dessa forma, metade de todo o valor arrecadado (cerca de 115 milhões de euros) será destinado às raízes da modalidade, fortalecendo academias, construindo centros de treinamento públicos e premiando os clubes que revelarem talentos formados em solo nacional.
Além disso, o planejamento destina exclusivamente 20% desse montante (em torno de 46 milhões de euros) para impulsionar o futebol feminino e as equipes amadoras.
A fatia final de 30% (69 milhões de euros) servirá para bancar projetos sociais, incluindo programas cruciais de prevenção aos danos causados pelo jogo e iniciativas para manter os jovens inseridos no universo esportivo organizado.
Um plano ambicioso para reerguer a credibilidade nacional
O mercado italiano já convive com uma alta carga tributária, pagando taxas elevadas sobre máquinas de jogo desde 2001 e lidando com regras rígidas de publicidade.
No entanto, os parlamentares acreditam que essa nova contribuição se encaixa na engrenagem existente sem asfixiar o setor.
Com as dívidas somadas dos clubes batendo a impressionante marca de 5,5 bilhões de euros, o senador Marcheschi classificou a medida como um “fluxo de financiamento dedicado para lidar com deficiências estruturais de longa data em todo o futebol italiano”.
A meta da base governista é aprovar o pacote e colocar as medidas em vigor até janeiro de 2027.
Relatórios recentes de dirigentes esportivos confirmam que essa verba extra é o principal caminho para, por exemplo, modernizar estádios sucateados, amparar os talentos mais jovens e, simultaneamente, combater os problemas ligados ao vício.
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