O mercado de apostas está crescendo no Brasil. Embora o setor seja consolidado em diversos países, a indústria ainda está em fase de maturação no território nacional. Esse movimento impacta diretamente o mercado de trabalho, que passa a demandar novos talentos e profissionais cada vez mais especializados, capazes de se adaptar às exigências regulatórias, tecnológicas e operacionais dessa nova realidade. Com a expansão do entretenimento online, surgem também novos desafios e oportunidades de carreira.

Thiago Balieiro, vice-presidente de Gente e Cultura para as Américas da Sorte Online, contou como funciona o mercado de trabalho para a indústria de apostas do Brasil. Em entrevista exclusiva ao SBC Notícias Brasil, o executivo comentou sobre o atual cenário de contratação, as características que diferenciam perfis no setor, as principais habilidades para se tornar líder e o futuro da indústria diante da profissionalização.
Balieiro deu início à conversa contextualizando que a Sorte Online foi fundada em 2003 e, desde o lançamento da empresa, sempre atuou no mercado legal. Antes, o foco era o setor lotérico. Com o desenvolvimento do mercado de apostas, Balieiro, que já atua na Sorte Online há seis anos, e toda a equipe da empresa acompanharam o processo da regulamentação do setor no Brasil.
No entanto, Balieiro afirmou que é “impossível” comentar o cenário de contratação da indústria sem mencionar o estigma que ainda recai sobre o mercado no país. Embora em menor intensidade do que no passado, muitos brasileiros ainda tendem a associar as apostas a algo negativo.
“O mercado regulado deve ser forte, próspero e seguro para todos os envolvidos”, afirmou Balieiro, destacando que as empresas que adquiriram a licença federal comprovaram estar alinhadas à Lei das Apostas e às portarias da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF).
O executivo também parabenizou o trabalho feito pela SPA, liderado então por Regis Dudena. Balieiro reforçou que a legislação brasileira referente às apostas online é bem feita, apesar de ainda precisar de aprimoramentos de maneira geral.
Diante desse novo cenário, Balieiro acredita que as pessoas estão começando a entender como o ecossistema de apostas funciona, ressaltando que o setor é “super contemporâneo”. Como exemplo, o vice-presidente de Gente e Cultura mencionou o uso da inteligência artificial (IA), que vem ganhando mais espaço recentemente e já é uma ferramenta bastante utilizada por empresas do segmento. Para Balieiro, a indústria oferece oportunidades de crescimento e de aprendizado em relação a tecnologias modernas para todos, e esse potencial começa a ser reconhecido pelos brasileiros.
“É impressionante o quanto a gente tem esse ecossistema rápido, fresco e moderno”, disse Balieiro, destacando que “o cenário é muito positivo”.
Em adição, o executivo afirmou que, por ser um mercado novo e recém-regulamentado, o Brasil enfrenta carência de profissionais capacitados: “Eu vejo que as empresas todas estão investindo na capacitação de seus profissionais, que vêm de outras indústrias, e isso está fomentando ainda mais o mercado”.
Para Balieiro, a indústria das apostas online do Brasil “é uma fábrica de talentos”, uma vez que profissionais do setor precisam investir em conhecimento de dados, em IA e em machine learning. O vice-presidente afirmou que os recursos considerados naturais para quem atua no setor são vistos como inovação para outros segmentos.
Sobre o panorama de contratação no iGaming, Balieiro disse: “Eu vejo um cenário extremamente promissor, em que vamos ter uma curva ascendente na criação de talentos que já chegaram a uma segunda geração, em uma evolução do mercado, que é exigente e que está ficando cada vez mais resiliente”.
Balieiro afirmou que lidar com um mercado recém-regulamentado é muito desafiador, mas que se sente feliz em fazer parte desta indústria, especialmente neste momento de consolidação do setor no Brasil.
Habilidades que abrem portas no iGaming
Balieiro também compartilhou quais são as características e as habilidades que as pessoas precisam ter para ingressar no mercado de apostas. Na Sorte Online, o executivo explicou que o conhecimento do setor é um aspecto relativo.
O importante, segundo Balieiro, é ter habilidade técnica de primeira linha, independentemente de qual área a pessoa atue: “Aqui, a gente quer gente que saiba o que importa”.
Outro fator relevante para Balieiro é a capacidade de se comunicar e de interagir com as pessoas ao redor. Na indústria, o trabalho é realizado de forma colaborativa, seja com a própria equipe, seja com colegas do setor.
O terceiro ponto destacado pelo executivo é o “learning agility”, conceito consolidado no universo corporativo e amplamente utilizado por empresas de recrutamento e de gestão de talentos, como a consultoria global Korn Ferry.
“Eu posso não saber nada, mas se eu sei aprender, eu posso aprender qualquer coisa”, disse Balieiro ao contextualizar o conceito.
Comunicação internacional como vantagem competitiva
Outras questões apontadas como fundamentais para trabalhar no mercado de apostas são estar alinhado aos requisitos legais, mantendo “uma relação com o compliance muito bem estruturada” e saber inglês.
Por ser uma indústria global, dominar outros idiomas, especialmente o inglês, é essencial. Muitas empresas também consideram o espanhol como grande diferencial, priorizando profissionais que conseguem se comunicar com pessoas de diferentes lugares do mundo.
Segundo dados do Ethnologue, publicação internacional de referência sobre idiomas, compartilhados pelo the news, jornal digital brasileiro, o inglês é, atualmente, o idioma mais falado do mundo, com mais de 1 bilhão de falantes. O espanhol se mantém no topo junto ao mandarim e ao hindi.
O futuro da profissionalização no Brasil
Em relação ao futuro da profissionalização do setor no Brasil, Balieiro demonstrou confiança. O executivo explicou que estamos no início do processo de consolidação do mercado e que o governo ainda está conhecendo a indústria.
“Eu acho que o cenário é maravilhoso para mostrarmos o quanto essa indústria tem poder de geração de empregos e de renda, além de oferecer contrapartida social — algo que eu sempre reforço —, podendo ser próspera e segura ao mesmo tempo. Então, acredito que teremos agora um processo de amadurecimento da legislação”, afirmou Balieiro, destacando que o governo está aberto a ouvir e debater questões importantes.
Balieiro também reforçou que empresas do setor têm se unido em prol da construção desse novo ecossistema no Brasil, atuando em conjunto com associações, como a Associação Internacional de Gaming (Aigaming), fundada originalmente como Associação dos Intermediários de Jogos Lotéricos (AIDIGLOT), da qual ele faz parte desde novembro de 2023.
Além disso, as companhias incentivam e participam de iniciativas de jogo responsável, como as desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O executivo compartilhou, ainda, a experiência de solicitar a licença federal, classificando o processo como “desafiador”. Além de atender a todas as exigências do governo, foi necessário aportar R$ 35 milhões, valor correspondente à outorga e ao capital social mínimo exigido para comprovar a solidez financeira da operação.
“Ninguém entrou nessa [no mercado regulamentado] para brincar”, disse Balieiro, acrescentando que o processo foi fundamental para separar as marcas sérias daquelas que apenas tinham recursos financeiros.
Para o futuro, Balieiro enxerga “amadurecimento” e “estruturação” para o setor. Para o executivo, as empresas que permanecerem em conformidade com a legislação brasileira irão “crescer, prosperar e se internacionalizar”.
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