Tramita no Poder Legislativo um Projeto de Lei que cria a Universidade do Esporte, em Brasília, com foco em estimular o conhecimento ligado à ciência do esporte. Entre as finalidades centrais, o texto do Projeto de Lei 6133/25 aponta diretrizes como a promoção da equidade no esporte e o incentivo às modalidades femininas.
O projeto também prevê metas como formar profissionais qualificados para gerir políticas públicas esportivas. Além disso, a proposta cita o estímulo à produção de conhecimento científico e tecnológico aplicado à gestão do esporte e ao treinamento de alto rendimento.
Como o projeto da Universidade do Esporte prevê o uso de recursos das apostas
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto, e ele aguarda análise do Senado, que informou na última segunda-feira (23) que passará a apreciá-lo. A proposta define que parte da receita da instituição virá da arrecadação das apostas esportivas e jogos online, com repasses realizados pelo Ministério do Esporte.
Dessa forma, o texto se soma a outras iniciativas de relevância social que recebem algum nível de financiamento do setor de bets. A operação do segmento no país também se relaciona com áreas como segurança pública, saúde e seguridade social, a partir dos impostos arrecadados pelo Governo.
Alex Rose, CEO da InPlaySoft, destaca: “A destinação de recursos provenientes das apostas regulamentadas para a criação e manutenção da Universidade Federal do Esporte demonstra como a regulação pode gerar impactos positivos e estruturantes para o país.
João Fraga, CEO da Paag, techfin facilitadora de pagamentos e que promove soluções tecnológicas para o setor, detalha: “A consolidação do mercado regulado de apostas tem trazido resultados concretos para a sociedade. Em 2025, o Estado arrecadou R$ 9,95 bilhões em impostos provenientes das bets, segundo dados da Receita Federal. O segmento já é responsável por mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos, movimentando uma ampla cadeia produtiva”.
Governo arrecadou quase R$ 10 bilhões com bets em 2025
Em 2025, primeiro ano após a entrada em vigor da regulamentação do setor, o Governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação das casas de apostas, conforme dados divulgados pela Receita Federal em janeiro.
Apenas em dezembro de 2025, a arrecadação chegou a R$ 1,1 bilhão, o que representou alta superior a 3.000% frente aos R$ 28 milhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
Esses valores resultam da aplicação de uma alíquota de 12% sobre a receita bruta dos jogos, conhecida como GGR (Gross Gaming Revenue), além da incidência de outros tributos. Entre eles, entram PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Ao considerar a carga total do setor, a alíquota chegou a 32% em 2025 e deverá alcançar 42% em 2033, com a Reforma Tributária plenamente em vigor, segundo estudo encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) à LCA Consultoria.
Qual o impacto econômico e tributário das apostas regulamentadas no Brasil
Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de betting, analisa: “Trata-se de mais uma prova de que as empresas do setor, além de gerar quase uma centena de milhares de empregos, também são importantes para outros ramos da economia nacional e têm uma preocupação social.
É um dos setores mais tributados do país e tem levado benefícios para a sociedade, como apoio à educação e atividades que fazem parte da cultura do povo brasileiro, exemplo do esporte e do Carnaval”.
Levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada ao Ministério da Fazenda, aponta que as empresas responsáveis pelas apostas registraram receita bruta de R$ 37 bilhões no acumulado de 2025. É sobre esse montante que recai a obrigação de converter 12% em destinações legais.
O total de prêmios pagos aos apostadores no período não foi informado, mas estimativas indicam que esse montante pode chegar a 93% dos depósitos feitos nas plataformas.
Estudo da consultoria GMattos, realizado em setembro de 2025 e voltado a meios de pagamentos, estimou que, no primeiro semestre de 2025, os depósitos realizados por apostadores somaram R$ 242,8 bilhões. No mesmo intervalo, o total pago pelas casas de apostas em premiações chegou a R$ 225,8 bilhões.
Representatividade econômica, empregos e enfrentamento ao mercado clandestino
Além dos impostos, o setor de bets também impulsiona a economia brasileira com R$ 7,5 bilhões em capital próprio investido. O levantamento “Panorama do Mercado de Apostas de Quota Fixa”, produzido pela LCA Consultoria e pela Cruz Consulting e divulgado ao final de 2025, aponta que esse volume tem potencial para gerar até R$ 28 bilhões em demanda adicional em outros segmentos produtivos.
O estudo também indica que o mercado de apostas responde por 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos no país. O levantamento informa ainda que os vínculos formais triplicaram desde a aprovação da lei que regulamentou as bets no Brasil, a Lei nº 14.790/23, e que o salário médio do setor é de R$ 7 mil.
Esse patamar supera mais do que o dobro da média nacional, de R$ 3,2 mil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O mesmo material aponta que os empregos diretos no setor legal de apostas geram massa salarial anual de R$ 460 milhões, além de R$ 87 milhões em encargos sociais destinados a segmentos de proteção social.
Como o mercado ilegal de bets ameaça a arrecadação bilionária e a proteção dos apostadores no Brasil
O estudo também estima que cada R$ 1,00 de renda gerado diretamente no setor pode representar até R$ 2,21 de renda total na economia, ao considerar efeitos diretos, indiretos e de renda.
Apesar dos avanços desde a regulamentação, o mercado ilegal de bets segue como um dos principais desafios do segmento no país. Estimativas calculadas pela LCA Consultoria indicam que a participação das plataformas clandestinas varia entre 41% e 51% do mercado.
Já o estudo “Fora do Radar”, conduzido pela LCA em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e realizado em junho de 2025, indicou que mais de 61% dos apostadores brasileiros jogaram em bets ilegais ao longo de 2025.
O problema se intensifica porque as plataformas clandestinas não seguem diretrizes relevantes da regulamentação vigente. Isso pode gerar perdas para o Governo com o não pagamento de impostos, com potencial de reduzir a arrecadação em até R$ 10,8 bilhões por ano, segundo outro estudo da LCA Consultoria.
O cenário também afeta os jogadores, por causa de propagandas abusivas, ausência de ferramentas de jogo responsável e falta de mecanismos adequados de monitoramento proativo para identificar padrões suspeitos de comportamento compulsivo e atividades ilícitas.
Quais desafios ainda travam o avanço do setor de bets regulamentado no Brasil
Conforme Daniel Fortune: “O setor de bets apresenta enorme potencial para impulsionar a economia do país, considerando arrecadação de impostos, geração de empregos e até investimentos em áreas como o esporte e o futebol.
O primeiro ano da regulamentação já deixou isso claro, mas ainda é fundamental que o setor avance em pontos essenciais, como o incentivo real ao jogo responsável, a prevenção ao jogo problemático, a educação do público sobre as probabilidades de perda e o combate ao mercado clandestino, que opera fora da lei e deixa os apostadores sem qualquer proteção”.
Entre as medidas citadas por especialistas para conter o mercado ilegal, o setor aponta como estratégia central o bloqueio do fluxo financeiro das operações clandestinas.
O CEO da Paag, João Fraga, explica: “Sem meios financeiros, essas operações clandestinas perdem a capacidade de atuar, protegendo jogadores, empresas sérias e todo o ecossistema.
A regulamentação foi um marco esperado por muito tempo, e permitir que esse avanço seja comprometido por práticas ilegais seria um retrocesso inaceitável. A Paag mantém seu compromisso de operar apenas com clientes que estão em total conformidade, contribuindo ativamente para um mercado mais seguro e confiável”.
O post Universidade do esporte, empregos, saúde e segurança: como bets podem gerar retorno à sociedade apareceu primeiro em iGaming Brazil.
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