CEO da Ana Gaming alerta: “Excesso de tributação é o maior combustível para o mercado ilegal de apostas”

Em entrevista exclusiva aos estúdios da CNN Brasil Money, Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming – holding que opera as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, trouxe uma análise contundente sobre o atual cenário do setor de apostas no Brasil.

Em um momento de escrutínio legal e fiscal, o executivo destacou que a principal pauta da indústria hoje é o combate ao mercado ilegal, mas alertou que a elevação na tributação pode surtir o efeito oposto ao desejado.


Durante a sabatina, Oliveira detalhou como a “escadinha” de aumento nas alíquotas sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) — que subiu de 12% para 13% este ano, com previsão de chegar a 15% — coloca em risco a viabilidade dos operadores licenciados. Para o CEO, o Brasil possui uma das melhores estruturas regulatórias do mundo, mas corre o risco de “passar do limite”.

“O operador legal seguiu todas as regras para atuar por cinco anos, mas a regra mudou no meio do caminho. Se continuarmos com essa majoração tributária, a propensão é o fomento do mercado ilegal”, afirmou Marco Tulio.

Foto: CNN Brasil/Reprodução

Segundo o executivo, estima-se que 50% do mercado brasileiro ainda seja ilegal. “Se diminuirmos a ilegalidade pela metade, aumentamos a arrecadação em 50% sem precisar subir impostos”, pontuou.


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O CEO explicou ainda que o peso dos tributos (que chegam a 30%-40% da arrecadação total), somado aos altos custos de compliance, força o operador legal a reduzir investimentos no esporte, na cultura e a oferecer odds menos competitivas.

Isso empurraria o apostador para plataformas não oficiais, que não pagam impostos e operam sem garantias de proteção ao consumidor.

Copa do Mundo e impacto econômico

Com2026 sendo um ano de Copa do Mundo, o setor vive um momento de tração global. Oliveira ressaltou que a indústria já é um motor econômico real para o Brasil, citando que apenas nos dois primeiros meses de 2026, as contribuições das empresas somaram cerca de R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos — valores inexistentes há dois anos.

Responsabilidade e consumo consciente

Questionado sobre os impactos sociais e as críticas sobre o comprometimento da renda familiar, o CEO da Ana Gaming adotou uma postura transparente.

“O consumo em excesso de qualquer produto ou serviço faz mal. Temos que cuidar desta indústria da mesma forma que cuidamos da indústria de bebidas. O foco deve ser o entretenimento seguro e o cuidado com o excesso, separando o jogo responsável das práticas nocivas”, pontuou.

Marco Tulio Oliveira ainda defendeu uma abordagem de “mãos dadas” entre o poder público e a indústria para mitigar riscos sociais.

Para o CEO da Ana Gaming, o setor deve ser tratado como uma indústria de entretenimento que compete com diversas outras opções de lazer. Exigindo um olhar atento para a parcela da população que ultrapassa os limites do consumo saudável.

“A forma de tratar a indústria é entrar junto com ela, entender os números e cuidar daquela parcela mínima que sai do entretenimento e vai para o excesso. Os operadores têm todo o interesse em ser apoiados nesse cuidado, até porque já desenvolvemos diversas ações próprias para estabelecer e reforçar os limites que já existem,” explicou Oliveira.

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