Da esquerda à direita, parlamentares se unem para alterar Lei das Apostas

Partidos de diferentes espectros ideológicos – da esquerda à direita – passaram a convergir em torno da mesma pauta: a revisão da regulamentação das apostas no Brasil. 

Entre os principais elementos que influenciam o debate, também estão as bancadas religiosas no Congresso, como a bancada evangélica, que historicamente mantém posição crítica em relação às apostas e aos jogos online, frequentemente associando o tema a riscos sociais, familiares e financeiros. Esse segmento, de forma geral, possui forte capacidade de mobilização no Legislativo e relevância na formação da opinião pública, tornando-se força relevante no debate regulatório. 


Em cenário pré-eleitoral, tanto parlamentares de esquerda quanto de direita tendem a considerar esse eleitorado e suas lideranças como peças importantes na disputa por apoio político, especialmente em temas de forte apelo moral e social.

Composição suprapartidária no Congresso

No dia 19, foram protocolados no Congresso Nacional dois projetos de lei (PLs), um na Câmara dos Deputados e outro no Senado Federal, com o objetivo de alterar pontos da Lei nº 14.790/2023, que regulamenta as apostas online no país.

A iniciativa chama a atenção justamente pela composição política. Em momento de polarização crescente e em meio à corrida eleitoral, parlamentares historicamente posicionados em campos ideológicos opostos assinam propostas alinhadas em torno de um mesmo tema.


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Apesar do recente arcabouço regulatório brasileiro, o assunto já ocupa espaço central no debate público: os impactos sociais, econômicos e regulatórios das apostas online.

Ambos os projetos propõem mudanças radicais na regulamentação das apostas online, com foco no fortalecimento da proteção à saúde mental, ao consumidor e à economia familiar. Os textos também preveem diretrizes de prevenção e redução de danos, ampliando o escopo regulatório do setor.

Foto panorâmica do Congresso Nacional.
Congresso Nacional, Brasília / Crédito: Shutterstock

No Senado, o PL nº 2.470/2026 foi assinado pelos senadores Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Humberto Costa (PT-PE), Izalci Lucas (PL-DF), Marcos Pontes (PL-SP), Teresa Leitão (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA), reforçando o caráter suprapartidário da iniciativa.

Na Câmara dos Deputados, foi protocolado no mesmo dia o PL nº 2.478/2026, também com foco em alterações na Lei das Apostas e alinhado ao texto apresentado no Senado. A proposta contou com a contribuição dos parlamentares Pedro Campos (PSB-PE), Tabata Amaral (PSB-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), Tarcísio Motta (PSOL-RJ), Erika Hilton (PSOL-SP), Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e Célio Studart (PSD-CE), entre outros.

Convergência na regulação das apostas

Os dois projetos em análise no Congresso Nacional apresentam o mesmo conteúdo central, com redação e estrutura quase idênticas. Em ambos os textos, a proposta é a criação de regime mais restritivo para o mercado de apostas, com vedações à publicidade, limitações a patrocínios, regras de classificação de risco, obrigações relacionadas à saúde pública, sanções e justificativas alinhadas.

As diferenças entre as versões são, essencialmente, formais e de tramitação legislativa, concentradas na autoria, na apresentação em cada Casa e em ajustes pontuais de redação e remissões jurídicas, sem alterações relevantes no mérito das propostas.

Opinião do SBC Notícias Brasil

Em meio ao ambiente pré-eleitoral, a convergência entre partidos de esquerda, centro e direita em torno das apostas levanta dúvidas sobre o que, de fato, sustenta esse alinhamento pontual. Em um Congresso marcado por disputas intensas em outras pautas, a rapidez com que o tema ganhou tração entre diferentes bancadas sugere uma combinação de pressão social, sensibilidade pública e cálculo político.

No discurso de parlamentares e em diferentes setores da sociedade, as apostas aparecem frequentemente associadas a preocupações relacionadas ao endividamento e à saúde financeira das famílias. Essa vinculação, ainda que não seja exclusiva nem suficiente para explicar o fenômeno da inadimplência no país, tem sido um dos principais vetores de mobilização em torno de propostas de maior regulação do setor.

Ainda assim, o avanço simultâneo de iniciativas legislativas levanta diferentes interpretações sobre seus motivadores. Com a aproximação das eleições, em que temas de forte impacto social ganham destaque, o debate sobre apostas passa a ser influenciado por leitura institucional, pressão da opinião pública e cálculo político, sem que seja possível, neste momento, identificar qual desses elementos tem maior peso na formulação das propostas.

Outras propostas que visam ampliar restrição das apostas

Outros três projetos reforçam a crescente convergência entre diferentes partidos em torno da revisão da regulação das apostas no Brasil. Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) apresentou o PL nº 1.808/2026, que propõe a proibição da exploração, oferta e promoção de apostas em todo o país, além de revogar dispositivos do atual marco legal do setor. O texto também endurece regras sobre intermediação e publicidade, inserindo mecanismos de bloqueio e responsabilização de agentes da cadeia de apostas.

No Senado, duas iniciativas seguem linha regulatória distinta, mas complementar. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) propôs o PL nº 1.018/2026, que restringe mecanismos de incentivo ao usuário, como cashback, programas VIP e gamificação, com foco em reduzir estímulos ao consumo contínuo. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora de proposta baseada em texto do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), lidera iniciativa que proíbe a publicidade de apostas em todo o território nacional.


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Partidos de diferentes espectros ideológicos – da esquerda à direita – passaram a convergir em torno da mesma pauta: a revisão da regulamentação das apostas no Brasil.  Entre os principais 


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