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Em primeira Copa do Mundo após regulamentação, bets vivem encruzilhada no Brasil

Em primeira Copa do Mundo após regulamentação, bets vivem encruzilhada no Brasil

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Na primeira Copa do Mundo após a regulamentação do setor de apostas no Brasil, as bets resolveram se esbaldar no evento, tornando-se quase que onipresentes na transmissão e na cobertura.

Publicidade de casas de apostas não é uma novidade no Brasil, onde elas ocupam espaço nas camisas da maioria dos clubes das principais divisões do futebol profissional, nas placas de led nos estádios e nos intervalos das partidas exibidas pela TV.

Na Copa de 2026, porém, elas foram além e invadiram a própria transmissão, dando até a impressão de que estamos diante de uma imensa propaganda de bet com um jogo no meio.

A CazéTV, por exemplo, exibe propagandas variadas casas de apostas antes, durante e depois dos jogos, para marcas como Betnacional, KTO e Bet365, com direito a odds divulgadas para a audiência e analisadas pelos comentaristas da partida, que, muitas vezes, endossam aquela cotação como algo provável de ocorrer.

O canal da LiveMode detém os direitos de todos os 104 jogos da Copa de 2026 e adota esse estilo mais interativo de abordagem da audiência não apenas com as casas de apostas. É comum que, no decorrer de uma partida, o narrador anuncie uma promoção relâmpago e o QR Code do iFood ou do Mercado Livre, que também patrocinam a cobertura do evento.

A prática não fica restrita à CazéTV. O SBT e a NSports, que transmitem a Copa de 2026 em parceria, também costumam divulgar odds em dias de jogos. Foi o que ocorreu nesta segunda-feira (22), antes do início de Argentina x Áustria.

Os canais anunciaram uma “oferta” do Esportes da Sorte, com QR code na tela e uma odd 2.80 para o caso de a Argentina vencer e Lionel Messi marcar (o jogador anotou os dois gols da partida e se isolou na condição de maior artilheiro das Copas em todos os tempos).

SBT e NSports também divulgam odds e QR codes de casa de aposta – Reprodução

Na Globo, as propagandas de apostas têm abordagem mais tradicionais, ficando mais restritas aos intervalos, com comerciais de marcas como Betano, BetMGM ou Superbet.

Mas vale lembrar que Virginia Fonseca, uma das estrelas da cobertura do Mundial feita pela emissora na área de entretenimento (ela apresenta um quadro sobre os bastidores do torneio no programa “Domingão com Huck”), foi alvo de polêmica no ano passado, ao ser convocada a depor perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado.

Influenciadora Virginia Fonseca foi “tietada” ao depor à CPI das “Bets” – Marcos Oliveira / Agência Senado

LEIA MAIS: CPI das “Bets”: Com “mãozinha” de ausentes e do Regimento Interno, relatório com indiciamentos é rejeitado

Apesar do desgaste ocorrido naquele episódio, Virgínia segue promovendo a Blaze. Nesta semana, por exemplo, ela postou nos stories, para seus mais de 56 milhões de seguidores no Instagram, um vídeo em que aparece apostando na Croácia, para o jogo diante do Panamá, que ocorre na noite desta terça-feira (23).

Virgínia faz anúncio da Blaze nos stories de sua conta no Instagram – Reprodução / Instagram (@virginia)

Cerco ao setor aumenta

A onipresença das casas de apostas nesta Copa do Mundo tem provocado reações mistas por parte do público e dos próprios profissionais da mídia.

Na semana passada, Porta dos Fundos publicou no Instagram um corte do programa “Aquele Campeonato”, em que o comediante Marcelo Adnet simula como seria narrar um jogo na CazéTV, ironizando o excesso de propagandas de bets nas transmissões do canal.

Mas o movimento não se restringe a piadas em canais concorrentes. Figuras como Caetano Veloso, Chico Buarque, Camila Pitanga, Djavan, Cláudia Abreu e Baco Exu do Blues lançaram o manifesto “Block no Tigrinho”, campanha que, além de buscar conscientizar o público sobre os riscos das apostas on-line, também questiona a atuação de celebridades na divulgação desse tipo de produto (especialmente por conta da dependência em jogos de azar).

O lateral-direito Danilo, da seleção brasileira, aderiu à iniciativa, chegando inclusive a compartilhar seu posicionamento nas redes sociais. Hoje, alguns dos principais astros do time, como Neymar e Vinicius Junior, são embaixadores de casas de apostas.

No ano passado, as bets e seus patrocinados viveram momentos de apreensão, depois que o Senado aprovou o projeto de lei que busca restringi a publicidade do setor.

Em linhas gerais, se estivesse em vigor, o texto varreria com grande parte das propagandas de apostas nas transmissões brasileiras e também nos estádios. Além disso, atletas profissionais, treinadores e celebridades ficariam impedidos de fechar contrato com empresas do setor.

Para sorte das bets, porém, o texto foi remetido à Câmara dos Deputados em julho do ano passado e lá permanece, sem ser apreciado (e sem ter perspectiva de ser votado na atual legislatura).

Nesta semana, porém, a deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP) apresentou denúncia ao Ministério Público Federal, solicitando que a Justiça proíba comentaristas esportivos de anunciarem odds e propagandas de bets durante as transmissões.

Com 4,9 milhões de seguidores no Instagram, a parlamentar é autora de alguns projetos que acabaram por gerar forte comoção social, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue com a escala 6×1, aprovada recentemente pela Câmara.

A iniciativa indica que o tema apostas deve representar uma pauta relevante na eleição deste ano. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já vinha sinalizando isso, nos últimos meses, ao endurecer o discurso contra as bets e os cassinos on-line.

Ele chegou a defender publicamente a proibição do “Jogo do Tigrinho”. Na semana passada, porém, ele acenou com uma trégua ao mercado regulamentado, ao assinar o decreto que bloqueia os recursos financeiros das plataformas não legalizadas no país.

A medida acabou sendo elogiada pelo setor, que defende a propaganda das bets autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, sob o argumento de que isso fortalece o mercado regulado, diante a concorrência das plataformas clandestinas.

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Marcas aproveitam Mundial para divulgar odds durante transmissões, ao mesmo tempo em que cresce a rejeição de setores da sociedade a essa atividade
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