Espaço Jurídico, Joberto Porto: falta de clareza pode gerar percepção pública equivocada

Joberto Porto, advogado e Chief Legal Officer (CLO) da CDA Gaming, empresa proprietária das marcas Casa de Apostas e Betsul, compartilhou o artigo “Apostas esportivas. O problema não foi crescer. Foi não explicar” com o SBC Notícias Brasil para a coluna Espaço Jurídico. No texto, disponível na íntegra abaixo, Porto refletiu sobre a expansão das apostas no Brasil, destacando que o principal desafio do setor foi a falta de explicação clara, o que impactou a percepção pública da indústria.


Por muito tempo, a indústria de apostas falou sobretudo de crescimento, performance e expansão acelerada, destacando números grandiosos, volumes financeiros e métricas de escala que cumpriram bem o papel de atrair capital, parceiros comerciais e visibilidade, mas que deixaram em segundo plano um elemento essencial para qualquer setor que pretende se consolidar institucionalmente: a explicação clara de seus processos, de seus controles, de seus limites e da forma como administra riscos.


Ao privilegiar a narrativa da monetização e da velocidade, a indústria acabou construindo, ainda que de maneira involuntária, uma imagem pública de mercado agressivo, pouco transparente e excessivamente orientado a resultado, pois quando um setor cresce sem se explicar adequadamente, perde o controle sobre a forma como será percebido externamente, abrindo espaço para interpretações simplificadas, moralizantes ou distorcidas, sobretudo quando temas como responsabilidade, governança e risco não ocupam lugar central no discurso público.

Esse déficit explicativo não deve ser entendido como um problema pontual de comunicação, mas como um fenômeno estrutural, com impactos que ultrapassam a esfera reputacional, já que setores regulados não são avaliados apenas por sua contribuição econômica, mas também pela capacidade de demonstrar como funcionam, como se controlam e como lidam com seus impactos sociais. Quando essa explicação não é produzida de forma consistente pelo próprio setor, ela tende a ser construída por terceiros, quase sempre sem acesso à complexidade real do negócio.

É nesse contexto que os movimentos observados no início de 2026 ganham sentido. O recuo de operadores no patrocínio a clubes de futebol não deve ser lido como fuga oportunista ou retração abrupta, mas como consequência previsível de um ambiente em que o custo reputacional passou a pesar mais do que o benefício da exposição, afetando decisões comerciais, parcerias estratégicas e formas tradicionais de legitimação institucional, e fazendo com que o patrocínio esportivo, antes visto como símbolo de consolidação, se transformasse em um espaço de maior sensibilidade e risco.


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Esse movimento não decorre de uma única decisão regulatória nem de proibições diretas, mas da combinação entre maior escrutínio público, amadurecimento do arcabouço normativo e uma percepção social ainda pouco sofisticada sobre como o setor opera. Na ausência de explicações claras sobre mecanismos de proteção ao jogador, controles de integridade e limites operacionais, o debate tende a se reduzir a narrativas binárias, nas quais a complexidade do funcionamento do mercado dá lugar a slogans fáceis.

O setor, portanto, não começa a pagar um preço por existir, mas por ter crescido sem construir, em paralelo, uma narrativa institucional madura. Crescer nunca foi o problema. O problema foi crescer sem traduzir o funcionamento do negócio para além dos números, sem demonstrar, de forma acessível, que por trás da operação existem sistemas, governança, controles e escolhas conscientes sobre risco. 

O momento atual deveria ser lido menos como sinal de retração e mais como convite à correção de rota. A consolidação da indústria de apostas passa, necessariamente, pela capacidade de se explicar com a mesma intensidade com que explicou seu crescimento, substituindo parte do discurso de performance por uma pedagogia institucional consistente, sob pena de continuar sendo definida por percepções externas, muitas vezes desconectadas da realidade operacional do setor, capaz de gerar compreensão, confiança e legitimidade no longo prazo.


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Joberto Porto, advogado e Chief Legal Officer (CLO) da CDA Gaming, empresa proprietária das marcas Casa de Apostas e Betsul, compartilhou o artigo “Apostas esportivas. O problema não foi crescer. 


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