SBC Summit Rio 2026: patrocínios esportivos no Brasil

Com a regulamentação das apostas esportivas no mercado brasileiro, as regras de patrocínio a clubes passaram por mudanças significativas. Agora, por trás de cada acordo existe uma estrutura de obrigações, de controles e de expectativas. 

Antes de firmar novos contratos, os clubes passaram a avaliar quem de fato é o patrocinador, de onde vem o dinheiro, qual mensagem a parceria transmite e, sobretudo, como garantir que a paixão do torcedor não ultrapasse os limites da lei.


Esse foi o foco do painel “O jogo por trás dos patrocínios esportivos”, realizado durante o SBC Summit Rio 2026, na última semana, acompanhado pelo SBC Noticias.

O debate reuniu líderes do universo do esporte e das apostas, como Ricardo Peixoto, Country Manager da Sofascore no Brasil, Fellipe Drommond, presidente da Liga Nacional de Futsal (LNF), Marco Elias, responsável por Compliance, Marketing e Jogo Responsável na Flutter Brazil, André Megale, diretor de Integridade e Governança da Sport Integrity Global Alliance (SIGA), e Murilo Lima, diretor de Parcerias para a América Latina da OneFootball, que moderou o painel.

Patrocínios além da visibilidade

A primeira pergunta de Lima abordou as transformações pelas quais o mercado vem passando e como a regulamentação impactou os patrocínios. Marco Elias, da Flutter, explicou que, antes do novo cenário regulatório, o foco dos operadores estava concentrado nos patrocínios esportivos, mas que, atualmente, outras frentes de marketing passaram a ganhar espaço.


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“Hoje temos muito conteúdo ligado ao jogo online e queremos avançar também para patrocínios no entretenimento, como Big Brother Brasil, Lollapalooza, entre outras iniciativas”, afirmou Elias.

O executivo explicou que a aproximação com o entretenimento não ocorre por acaso, já que as apostas agora podem se direcionar a um público mais amplo: “Quando falamos de entretenimento, precisamos considerar o ambiente em que estamos inseridos. Se nesse contexto há menores de idade, por exemplo, não podemos correr o risco de ser penalizados por uma exposição excessiva a públicos que não podem participar das apostas”.

Elias destacou que os patrocínios devem considerar os interesses da indústria como um todo e ressaltou que o objetivo já não é apenas alcançar visibilidade, mas também assumir responsabilidade e cumprir as novas regras do setor.

Fellipe Drommond, da LNF, acrescentou que o debate sobre responsabilidade nos patrocínios esportivos tem ganhado força. No entanto, destacou que também é importante observar a oportunidade que os operadores têm de promover a integridade no esporte.

Drommond ressaltou que os patrocínios já não se limitam ao pagamento por visibilidade de marca, ideia que classificou como “clichê”. Segundo o presidente da NFL, as parcerias também têm potencial para influenciar o cenário esportivo e o debate público, ampliando a difusão de mensagens relevantes. Para Drommond, o apoio financeiro precisa vir acompanhado de responsabilidade, cumprimento das leis e atenção à qualidade do esporte.

Educar para proteger

Um dos pontos mais sensíveis discutidos no painel foi o papel dos atletas nesse contexto. Lima questionou como alcançar esses profissionais e transmitir orientações claras sobre integridade e apostas. Para Ricardo Peixoto, da Sofascore, o caminho passa necessariamente pela educação.

Segundo Peixoto, é fundamental que todos os atletas sejam orientados sobre o tema. Embora as apostas estejam mais visíveis após a regulamentação, a prática já existia anteriormente. A diferença, explicou, é que agora há mais restrições para a participação e o envolvimento de atletas, além de mecanismos de monitoramento e de limites mais claros. Na avaliação do executivo, clubes que não investirem na educação de jogadores e de profissionais do esporte enfrentarão um cenário cada vez mais incerto.

Com base em sua experiência, Peixoto afirmou que foi necessário realizar um trabalho intenso de conscientização com os jogadores de futebol, muitos dos quais acreditavam que apostar em outras modalidades, como basquete ou futebol americano, não representava problema. 

“É imprescindível difundir a mensagem em todos os esportes de que, para proteger a integridade, é necessário que todos os membros dos clubes se mantenham fora das apostas”, reforçou Peixoto.

Ao comentar o tema, André Megale, da SIGA, destacou que a integridade esportiva também é fundamental para a sustentabilidade do próprio mercado de apostas. Caso os torcedores passem a desconfiar da lisura das competições, a tendência é que o interesse e o engajamento com o esporte diminuam.

Megale observou, ainda, que operadores e afiliados têm demonstrado maior alinhamento na busca por um ambiente mais saudável para a indústria. De acordo com o diretor de Integridade e Governança da SIGA, o cumprimento das regras e das boas práticas também está relacionado à necessidade de garantir a permanência das empresas dentro da legalidade.

Elias retomou o debate destacando a responsabilidade compartilhada entre os diferentes atores do setor. Para o executivo, cada equipe deve zelar por sua própria integridade e assumir compromisso com a educação sobre o tema. Elias citou o caso do jogador Bruno Henrique como exemplo, que pode servir de aprendizado sobre riscos, limites e consequências para atletas envolvidos em situações relacionadas a apostas.

O executivo também acrescentou que os operadores também têm papel relevante no processo, devendo reportar movimentos atípicos em partidas ou comportamentos suspeitos de apostadores. Embora a responsabilidade principal recaia sobre os clubes e as organizações esportivas, as casas de apostas online podem contribuir fornecendo informações que ajudem a preservar a integridade das competições.

Drommond concordou com a avaliação e citou a experiência da LNF. O dirigente destacou que a entidade atualiza anualmente debates e informações sobre monitoramento e integridade. Além disso, explicou que casos como o de Bruno Henrique servem como referência para compreender melhor os riscos envolvidos, especialmente no que diz respeito às vulnerabilidades que podem surgir no ambiente esportivo.

Patrocínio como blindagem

Uma ideia recorrente ao longo do painel foi que os patrocínios, quando bem estruturados, podem funcionar como ferramenta para fortalecer a integridade no esporte, e não apenas como canal de exposição de marca. Drommond explicou que, quando operadores patrocinam equipes, costuma haver impacto positivo nesse sentido, já que os acordos passam a incluir condições e requisitos específicos. 

“Começam processos de educação, controle ativo do governo e ativações específicas de jogo responsável. Tudo isso precisa estar contemplado nos acordos com os clubes para garantir confiança e qualidade”, afirmou Drommond.

Elias também apresentou exemplos de patrocínios de menor porte em modalidades menos expostas, nos quais há regras de conformidade e de ativações voltadas ao jogo responsável. O executivo destacou que as empresas precisam avaliar cuidadosamente as condições dessas parcerias. 

“Quando nos comprometemos a representar um time e os valores dele, pensamos bem nas condições da relação. Não queremos correr o risco de nos expor com marcas que podem nos prejudicar”, disse Elias.

O futuro dos patrocínios no setor

Na parte final do painel, o moderador convidou os participantes a refletirem sobre quais tendências podem orientar os patrocínios nos próximos anos. Para Peixoto, embora não seja possível prever com precisão os próximos passos do setor, há um caminho desejável para o mercado: a consolidação.

“A cultura das apostas seguirá evoluindo, e veremos mudanças na configuração dos operadores, mais relacionadas ao entretenimento e não apenas ao esporte. As apostas passam a fazer parte do estilo de vida dos brasileiros e, por isso, não se relacionam apenas com o esporte, mas com todo o universo do entretenimento”, afirmou Peixoto.

Elias também destacou que o setor ainda possui potencial para se expandir além do estágio atual, mas ressaltou que esse desenvolvimento depende das decisões tomadas no presente. Segundo o executivo, o momento exige investimentos em educação, melhorias na imagem do mercado e maior conscientização sobre o funcionamento da indústria.

Em adição, mencionou que o tema faz parte do debate político em um ano eleitoral e que novas discussões devem surgir nos próximos meses. Para Elias, o mercado precisa amadurecer e ajustar regras para alcançar maior equilíbrio no setor.


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