Marco La Porta: Divisão de papéis entre Governo Federal e COB é central para o desenvolvimento do esporte

A sobreposição de responsabilidades e a falta de uma diretriz clara entre as entidades que gerem o esporte nacional são, na visão de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), travas para o desenvolvimento do setor.

No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o dirigente exaltou a necessidade de tirar do papel o Plano Nacional do Desporto (PND) e estabelecer uma divisão de tarefas em que o Estado foque na base social e o COB assuma exclusivamente a elite.


“O papel do Governo [Federal] é o fomento à prática esportiva. O Governo não tem que fazer alto rendimento. Rendimento sou eu [o COB]. O fomento é incentivar a população a praticar esporte, colocar esporte na escola e aumentar o número de praças para a prática”, defendeu.

Na visão do presidente do COB, as outras entidades devem entrar como elos complementares da cadeia. O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) deve auxiliar na formação dos atletas, enquanto as confederações escolar (CBDE) e universitária (CBDU) devem fomentar a prática nos ambientes em que atuam, por exemplo.

“Não dá para o Governo querer apoiar projetos de alto rendimento. Apoia projeto de desenvolvimento, apoia projeto social, deixa que o alto rendimento a gente faz. É para isso que a gente recebe o recurso da loteria”, afirmou La Porta.


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A falta de conexão entre essas etapas cria o que La Porta identifica como um dos grandes problemas estruturais do esporte brasileiro: a perda de atletas no momento da decisão profissional.

“Qual é o grande gargalo do esporte brasileiro hoje? É 17, 18 anos. Porque o pai chega para o garoto e fala assim: ‘E aí, meu filho, você vai trabalhar ou vai continuar brincando de esporte?’”, diagnosticou.

O presidente do COB entende que, se o sistema funcionar da maneira como deveria, ou seja, de forma integrada, o jovem terá argumentos para permanecer na carreira e eventualmente se tornar um atleta de destaque para o Brasil.

Estrutura

Marco La Porta também defendeu que o investimento precisa migrar do concreto para o capital humano e para o calendário de eventos.

“Eu tenho uma opinião um pouco destoante, até porque acho que o Brasil, hoje, já tem boas infraestruturas esportivas. O que nos falta são profissionais qualificados das nossas universidades, que saibam dar um treino de atletismo ou de natação”, avaliou.

“Tem que ter competição para o jovem aparecer. A infraestrutura é o de menos. Se você tem um profissional qualificado e tem um sistema competitivo que permita que aquele atleta apareça, já vai ter frutos daquilo. Acho que essa é a engrenagem que a gente precisa fazer funcionar junto com o Governo e com as instituições, cada um fazendo o seu papel”, concluiu.

O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), estará disponível a partir desta terça-feira (10), no canal da Máquina do Esporte no YouTube:

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Presidente da entidade defende que sobreposição de responsabilidades atrapalha evolução do alto rendimento
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