Não podemos hipotecar o futebol brasileiro

Enquanto todos olham para a seleção brasileira e para a próxima Copa do Mundo, talvez seja hora de o torcedor e a opinião pública tirarem a luneta dos olhos e pegarem um microscópio. O futuro do futebol brasileiro não está apenas dentro de campo; ele passa, inevitavelmente, pela construção de uma liga.

O Brasil é um país tão impressionante que foi capaz de construir a venda dos direitos de uma liga sem nem mesmo formá-la e ainda vendeu de formas separadas. Hoje, temos dois blocos formados, mas ainda não temos uma liga desenhada. E essa diferença não é apenas semântica. É estrutural. Ao longo dos anos, acompanhei diversas reuniões desde a minha época de Botafogo (idos de 2021), quando já era evidente a dificuldade de entendimento entre os clubes. Havia divergências profundas, interesses desalinhados e, muitas vezes, uma incapacidade coletiva de enxergar o longo prazo.


Alguns anos depois, o cenário começa a mostrar sinais de mudança. Há um elemento fundamental nesse novo capítulo e que as pessoas precisam se dar conta: a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Enquanto os holofotes se voltam para a seleção, a entidade avança na articulação institucional para o futuro das competições nacionais. Não por acaso, já convocou uma reunião com os 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão para a próxima segunda-feira (6). Esse encontro pode cumprir o papel de pedra fundamental dessa “obra arquitetônica” que o futebol brasileiro tanto precisa.

LEIA MAIS: CBF chama times de FFU e Libra, e tenta liderar debate sobre liga unificada

Neste ano, a CBF também levou representantes dos clubes para conhecer, por dentro, algumas das ligas mais poderosas do planeta. Em modelos consolidados, a federação nacional faz parte do processo organizacional, garantindo aos clubes a tranquilidade necessária para a realização das competições, preservando direitos e deveres, e equilibrando interesses. Não se trata de protagonismo isolado, mas de mediação e governança compartilhada.


iGaming & Gaming International Expo - IGI

Ao mesmo tempo, um dos formatos colocados à mesa pelos dois blocos no Brasil levanta um alerta importante. Do ponto de vista de gestão de clube, é difícil não classificar como um verdadeiro absurdo a venda de parte dos direitos por 50 anos e por valores que, dependendo da realidade do clube, mal pagam sequer uma folha salarial anual.

Este é, naturalmente, o ponto de vista de quem escreve. Após 15 anos dedicados ao dia a dia dos clubes, posso dizer: é difícil imaginar a venda de um ativo tão relevante por meio século. É a tradução perfeita da diferença entre “política de Estado e política de Governo”. Nesse modelo, pensa-se apenas no governo, e não na sustentabilidade de longo prazo. 

Para ilustrar o tamanho desse compromisso, basta um exemplo simples. Hoje, meu filho tem 13 anos. Ao final de um contrato de 50 anos, terá 63, ou seja, estará próximo da aposentadoria. Eu, se ainda estiver por aqui neste plano, terei 94. É uma decisão que atravessa gerações. Não se pode comprometer o futuro de algo tão valioso e que impacta milhões de torcedores para resolver, ou apenas amenizar, problemas de curto prazo de uma gestão.

O futebol brasileiro precisa encontrar o melhor caminho, com visão estratégica e responsabilidade histórica. Dentro de campo, nossos clubes sempre foram protagonistas. Fora dele, precisam assumir o mesmo papel. O futuro não pode ser guiado apenas por decisões financeiras imediatistas, mas por uma construção coletiva que fortaleça o jogo, as instituições e, principalmente, o torcedor.

Porque, no fim, não se trata apenas de organizar uma liga. Trata-se de decidir qual futebol queremos deixar para as próximas gerações.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Lênin Franco é especialista em marketing esportivo, possui MBA em Gestão de Projetos e trabalha no mercado do futebol desde 2006. Chegou ao Bahia em 2013 como gerente de marketing e, na sequência, passou a comandar o departamento de negócios. Em 2021, chegou ao Botafogo como diretor de negócios e ajudou o clube a se estruturar para a chegada do investidor John Textor. Em 2022, assumiu a diretoria de negócios do Cruzeiro, integrando o time de dirigentes da SAF Cruzeiro. Por fim, em 2023, assumiu as áreas de marketing e comercial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), liderando principalmente a renovação do contrato da Nike com a entidade. Atualmente, é sócio da 94 Marketing & Football

O post Não podemos hipotecar o futebol brasileiro apareceu primeiro em Máquina do Esporte.

Vender parte dos direitos por 50 anos e por valores tão irrisórios é um absurdo; futuro do futebol brasileiro não pode ser guiado apenas por decisões financeiras imediatistas, mas por uma construção coletiva
O post Não podemos hipotecar o futebol brasileiro apareceu primeiro em Máquina do Esporte.


Participe da IGI Expo 2026: https://igi-expo.com/

O iGaming & Gaming International Expo - IGI, é um evento inovador criado para reunir empresas e empreendedores, profissionais, investidores, dos setores de iGaming e jogos. Com foco total em networking, exposição e feira de negócios. Além de ser uma fonte inigualável de informações sobre as tendências e o futuro das indústrias nos próximos anos.


📢 Receba em primeira mão notícias relevantes e fique por dentro dos principais assuntos sobre Igaming e Esportes no Brasil e o mundo. Siga no Whatsapp!
...

Entenda o iGaming neste guia completo