Um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) revelou que 26% dos moradores da cidade de São Paulo que fazem apostas online guardariam o dinheiro usado caso não fosse essa atividade. O percentual avançou em relação a 2024, quando era de 19%.
A pesquisa, veiculada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 21 ,também indica que parte dos recursos destinados às apostas poderia ser direcionada a despesas básicas. Segundo o estudo, 14% dos entrevistados usariam o dinheiro para pagar contas domésticas, enquanto 13% destinariam os valores à compra de alimentos.
“É um ponto preocupante. Os níveis de inadimplência do país estão muito elevados, então essas pessoas buscam uma forma de ter mais recursos e aumentar sua renda. Essa vulnerabilidade financeira traz um risco muito grande de comprometer ainda mais o orçamento das famílias”, afirma Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP.
O levantamento entrevistou 600 moradores de São Paulo entre 4 e 8 de maio. A margem de confiança é de 90%.
Pesquisa FecomercioSP: Muitos veem apostas como alternativa para aumentar renda
A pesquisa da FecomercioSP apontou que 35% dos paulistanos apostam com o objetivo de aumentar a renda doméstica de forma rápida. Em 2024, o índice era de 25%.
O percentual é maior entre famílias com renda de até dois salários mínimos, grupo em que 40% afirmam apostar com esse objetivo. Entre os domicílios com renda de dois a cinco salários mínimos, a taxa é de 30%. Na faixa entre cinco e dez salários mínimos, o índice é de 29%.
Por outro lado, caiu a parcela de entrevistados que dizem apostar como forma de investimento. O percentual passou de 9% em 2024 para 5% em 2026. Além disso, 7% dos participantes afirmaram se considerar viciados em apostas e jogos online.
Metade dos entrevistados diz apostar com frequência, patamar semelhante ao registrado há dois anos. O hábito aparece com maior incidência entre pessoas de renda baixa e média do que entre as de renda mais alta.
Diferenças por gênero
A FecomercioSP também identificou diferenças por gênero no destino que os entrevistados dariam ao dinheiro gasto em apostas. Entre as mulheres, 18% afirmam que usariam os valores para comprar comida, e o mesmo percentual destinaria os recursos ao pagamento de contas domésticas.
Entre os homens, os índices são de 11% e 13%, respectivamente. Já a intenção de poupar aparece mais entre homens, com 28%, ante 18% entre mulheres.
Padrão de consumo dos apostadores
A maior parte dos entrevistados ainda aparece no perfil de pequeno apostador. Segundo a pesquisa, 54% gastam até R$ 50 por mês em plataformas de apostas. Outros 16% desembolsam entre R$ 50 e R$ 100, enquanto 12% afirmam apostar entre R$ 100 e R$ 200 mensais.
Além disso, 12% dos paulistanos já buscaram algum tipo de ajuda financeira para continuar apostando. Dentro desse grupo, 5% pediram dinheiro emprestado a amigos ou familiares, 4% recorreram a empréstimos bancários, 2% solicitaram auxílio ao empregador e 1,5% anteciparam o 13º salário.
A FecomercioSP relaciona o crescimento das apostas à exposição das plataformas nas redes sociais, à facilidade de acesso pelo celular e à popularização dos meios de pagamento instantâneos. Segundo o estudo, 96% dos entrevistados usam Pix para depositarem dinheiro em plataformas de apostas.
FecomercioSP alerta para endividamento

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de abril, também da FecomercioSP, 72,9% das famílias paulistanas estão endividadas, o maior nível em três anos. Dentro desse grupo, 21% estavam inadimplentes.
De olho no endividamento em massa da população brasileira e na eleição de outubro, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou este mês o programa de refinanciamento de dívidas Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0.
Os beneficiários do Desenrola estão impedidos de apostar por um período de 12 meses — período esse que será alvo de discussão no Congresso Nacional.
Mas, para a FecomercioSP, é necessário combater o mercado ilegal de apostas para impedir que endividados apostem. Essa também é a opinião de entidades do setor de apostas como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
“Há necessidade de políticas públicas para uma regulamentação mais forte. Bloqueio automático das plataformas não autorizadas e ilegais, monitoramento do Pix para realização de apostas online e a elaboração de programas de orientação e proteção aos consumidores”, disse Carvalho.
Quer ouvir mais histórias como esta? Confira o novo canal da SBC Media no YouTube, o novo espaço dedicado a tudo relacionado à multimídia na SBC, onde nossa equipe explora em detalhes as principais notícias dos setores de apostas esportivas, iGaming, afiliados e pagamentos.
Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.
Um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) revelou que 26% dos moradores da cidade de São Paulo que fazem 
Participe da IGI Expo 2026: https://igi-expo.com/


