Receita de clubes da Série A atinge R$ 14,9 bilhões, mas dívida líquida cresce 15%

O faturamento dos clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro alcançou R$ 14,9 bilhões em 2025, representando uma expansão de 33% em comparação com o período anterior.

Ao analisar o intervalo de 2021 a 2025, o avanço acumulado chega a 73%. Os dados constam no levantamento anual realizado pela empresa de consultoria e auditoria EY, que examina a contabilidade e o desempenho dos clubes.


A distribuição do faturamento, contudo, demonstra alto nível de concentração entre os principais participantes do Brasileirão.

De acordo com o relatório, cinco equipes respondem por quase metade de todo o montante movimentado pela elite do futebol brasileiro na temporada.

“Quando analisamos a receita total, percebemos que ainda temos um pequeno grupo representando grande parte do valor. Nesse levantamento, as receitas de Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense representam 49% desses quase R$ 15 bilhões”, analisa José Ronaldo Rocha, sócio de tecnologia, mídia & entretenimento e telecomunicações (TMT) da EY para América Latina.


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Copa do Mundo de Clubes

Os direitos de transmissão e premiações totalizaram R$ 4,9 bilhões no consolidado da Série A, registrando alta de 43% frente ao ano anterior.

Esses ganhos foram impulsionados pela disputa da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, que teve a participação de Fluminense, Palmeiras, Botafogo e Flamengo. Juntos, o quarteto concentrou 38% das receitas desse segmento. O Tricolor Carioca foi quem se destacou.

“Essa competição trouxe uma receita relevante para os times que participaram, principalmente para o Fluminense, único clube brasileiro a ir até a semifinal da Copa do Mundo de Clubes, que teve um aumento de aproximadamente 247% em relação a 2024, passando de R$ 167 milhões para R$ 580 milhões em receitas de direitos de transmissão e premiação”, comentou Rocha.

O Flamengo permaneceu na liderança do ranking geral de arrecadação, sendo a primeira equipe brasileira a ultrapassar a marca de R$ 2 bilhões em faturamento, além de obter R$ 612 milhões em direitos de transmissão e prêmios com a conquista do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

O clube carioca também registrou o maior ganho absoluto em relação ao ano anterior, com acréscimo de R$ 755 milhões. Já o Botafogo teve o maior avanço percentual de receita total, crescendo 109% e saltando de R$ 674 milhões em 2024 para R$ 1,4 bilhão em 2025.

Palmeiras, São Paulo e Fluminense também mostraram evoluções significativas em suas receitas globais, com acréscimos de 48%, 47% e 56%, respectivamente.

Transferências

A principal fonte de receita não recorrente, a venda de direitos econômicos de atletas, foi outra fonte importante para o caixa das equipes, acumulando R$ 3,9 bilhões, um incremento de 45% na comparação anual.

O Botafogo liderou esse segmento com R$ 746 milhões arrecadados em vendas. O Glorioso foi seguido pelo Palmeiras, com R$ 653 milhões — impulsionado pelas negociações de Vitor Reis, Estêvão e Richard Ríos. O Flamengo aparece em terceiro lugar, com R$ 519 milhões.

Por outro lado, as receitas de matchday (bilheteria, sócio-torcedor e operações de estádio) recuaram em participação proporcional, caindo de 16% nos últimos três anos para 12% do faturamento total da Série A.

Nessa linha, o Flamengo liderou as receitas de matchday com R$ 322 milhões, superando os R$ 244 milhões do ano anterior, o que representa um aumento de 32%.

Comercial

No setor comercial, o Red Bull Bragantino obteve R$ 398 milhões, situando-se como a equipe paulista com melhor rendimento no segmento corporativo, superando o Corinthians em 43%.

“Vale levar em conta que o RB Bragantino exibe como seu patrocinador principal, a empresa que é dona do clube”, ressalta o executivo.

Em termos de eficiência em campo em relação ao orçamento disponível, o Mirassol apresentou desempenho destacado, fechando o campeonato nacional na quarta colocação, apesar de ocupar o 19º lugar no ranking de receitas gerais.

“O Mirassol é um caso de sucesso na temporada de 2025. O clube terminou o Brasileirão em quarto lugar e teve a penúltima colocação no ranking de receitas [19º]. Nenhum outro clube teve uma diferença positiva tão grande entre posição de receita e colocação final”, conta Rocha.

Dívidas

Em contrapartida à expansão das receitas operacionais, os passivos das equipes registraram crescimento. O endividamento líquido consolidado dos 20 clubes analisados atingiu R$ 14,3 bilhões, o que equivale a um aumento de 15% na comparação anual.

“Além disso, as outras formas de endividamento também cresceram, como o tributário e com empréstimos, seguindo esse movimento de inflação dos valores de mercado e de grandes aportes na indústria”, afirma Rocha.

Para fins de padronização metodológica, a EY adota critérios específicos de balanço. “O indicador de endividamento líquido é calculado pela diferença entre o passivo total do clube e a soma dos seus ativos circulantes com o realizável a longo prazo”, destaca o executivo.

Na análise individualizada por agremiação, Atlético-MG e Botafogo registraram os maiores passivos, ultrapassando R$ 2 bilhões cada. Corinthians e Palmeiras aparecem na sequência, com endividamentos líquidos na casa de R$ 1 bilhão.

No caso do clube do Parque São Jorge, há uma particularidade contábil. Rocha ressalta que “as dívidas do Corinthians relacionados à [Neo Química] Arena estão numa demonstração financeira separada da demonstração do clube”.

Ou seja, o passivo total do Corinthians é ainda maior do que o que aparece no balanço do clube.

Dívidas

O panorama de endividamento também apresentou variações extremas entre os participantes. O Bahia reduziu suas obrigações financeiras líquidas em 80%, caindo de R$ 821 milhões em 2024 para R$ 168 milhões em 2025.

“Essa redução se deu pela conversão de valor mútuo entre Bahia e Grupo City. Ou seja, o empréstimo, no futuro, será transformado em capital social, então ele deixa de ser dívida e passa a ser um Adiantamento para [Futuro] Aumento de Capital [Afac]”, explica o executivo.

No sentido inverso, o Ceará registrou a maior elevação proporcional do levantamento, com um acréscimo de 267%, passando de R$ 44 milhões em 2024 para R$ 161 milhões em 2025. Apesar dos gastos, a estratégia não deu resultado, e o Vovô acabou sendo rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro.

“Esse crescimento se deve principalmente pelo aumento de empréstimos realizados no período, saltando de R$ 21 milhões para R$ 84 milhões”, declara Rocha.

“Além disso, a promoção do Ceará para a primeira divisão no ano passado elevou a folha salarial, que se traduziu em um aumento significativo nas obrigações tributárias do clube”, pontua José.

Dívida líquida x receita total

O estudo estabelece um indicador comparativo dividindo o endividamento líquido pela receita total de cada clube da Série A. O Atlético-MG obteve a maior proporção, com um passivo equivalente a 3,44 vezes o seu faturamento anual, seguido por Corinthians (2,81) e São Paulo (2,24).

“Esse índice nos dá um panorama mais assertivo da situação financeira de cada clube individualmente”, afirma Rocha.

Inversamente, apenas seis equipes fecharam a temporada com endividamento inferior ao faturamento anual: Fluminense (0,99), Ceará (0,84), Palmeiras (0,83), Bahia (0,69), Fortaleza (0,66) e Flamengo (0,42). Juventude e Mirassol, por sua vez, não registraram endividamento líquido.

Tributos

No passivo tributário, os quatro primeiros colocados (Corinthians, Botafogo, Fluminense e Atlético-MG) concentram 62% das obrigações setoriais.

Juventude, Internacional e São Paulo diminuíram o endividamento fiscal em 35%, 19% e 9%, enquanto Cruzeiro, Fortaleza e Grêmio elevaram essas obrigações em 157%, 76% e 67%, respectivamente.

Por fim, em relação ao endividamento por empréstimo, o Red Bull Bragantino ocupa a vice-liderança, com 573 milhões, sendo esse um débito com a matriz austríaca, sem incidência de juros ou data de vencimento.

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Estudo da EY detalha desempenho comercial, direitos de TV e endividamento na elite do Campeonato Brasileiro
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