O Governo do Estado do Rio Grande do Sul sancionou a Lei nº 16.508, de 24 de abril de 2026, que estabelece regras para a publicidade de plataformas de apostas esportivas. A norma define limites para campanhas, patrocínios e ações de marketing, com foco na proteção do consumidor, na preservação de menores e na prevenção de riscos como dependência e superendividamento.
Quais são as principais restrições impostas à publicidade de apostas esportivas no estado
A legislação determina que toda comunicação de apostas “online” inclua alertas visíveis sobre riscos do jogo. As mensagens devem ocupar ao menos 15% do anúncio e manter o mesmo padrão de áudio da peça principal. Além disso, as campanhas precisam apresentar informações sobre dependência e canais de apoio psicológico.
A lei também proíbe conteúdos direcionados a menores de 18 anos, inclusive de forma indireta. Nesse contexto, empresas não podem utilizar animações, mascotes, personagens fictícios ou recursos visuais com apelo infantojuvenil.
Outra restrição relevante envolve a veiculação de publicidade em espaços físicos e transmissões. A norma impede anúncios em estádios e eventos esportivos, salvo exceções específicas de patrocínio oficial. Também veta o uso de bônus promocionais, probabilidades ou convites ao jogo durante transmissões ao vivo no estado.
Além disso, a legislação limita horários para publicidade audiovisual. Em televisão, rádio, streaming e vídeo sob demanda, os anúncios só podem ser exibidos entre 21h e 6h. Da mesma forma, a norma proíbe publicidade próxima a escolas e espaços voltados a menores.
No campo digital, plataformas devem garantir segmentação para maiores de idade e remover conteúdos irregulares. Órgãos estaduais podem determinar exclusão de campanhas e até bloquear sites em caso de descumprimento.
A lei ainda regula patrocínios esportivos, marcas podem aparecer apenas como identificação em uniformes profissionais, sem incentivo ao jogo. Em categorias não profissionais, a exposição segue limitada, sendo proibida para menores de 18 anos.
Por fim, a norma define responsabilidade solidária entre plataformas, agências, meios de comunicação e provedores de internet. O descumprimento pode gerar advertência, multa, contrapropaganda, suspensão de atividades e até cancelamento da inscrição estadual.
LEI Nº 16.508, DE 24 DE ABRIL DE 2026
Leia a Ordinária na íntegra:
Dispõe sobre restrições à publicidade de plataformas de apostas esportivas no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.
Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, da Constituição do Estado, que a Assembleia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:
Art. 1º Esta Lei estabelece normas para a veiculação de publicidade, propaganda e patrocínio de plataformas de apostas esportivas de quota fixa (“bets”), em quaisquer de suas modalidades, doravante aqui nominadas apenas como apostas “online”, no Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de proteger o consumidor, resguardar a infância e a juventude, amparar pessoas em situação de vulnerabilidade e colaborar com a prevenção ao jogo patológico e ao superendividamento.
Art. 2º Para os fins desta Lei, aplicam-se as definições constantes no art. 2º da Lei Federal nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, e no art. 14 da Lei Federal nº 13.756, de 12 de dezembro de 2018.
Art. 3º As ações de comunicação, publicidade e marketing de plataformas de apostas esportivas deverão:
I – exibir, de forma intercalada, legível e ostensiva, frases de alerta contra o jogo descontrolado, com destaque e fonte mínima equivalente a 15% (quinze por cento) da área total do anúncio; o áudio deverá ser transmitido com o mesmo volume e velocidade da mensagem principal:
a) “Apostas podem causar dependência e prejuízos a você e à sua família”;
b) “O jogo pode causar superendividamento”;
c) “A participação de menores de 18 (dezoito) anos é proibida”;
II – incluir, na mesma área de destaque, informações sobre o risco de dependência ao jogo e formas de tratamento, com indicação de canais de atendimento psicológico;
III – vedar qualquer conteúdo direcionado, direta ou subliminarmente, a menores de 18 (dezoito) anos.
Art. 4º É proibida a utilização de animações, mascotes, personagens fictícios, sistemas de inteligência artificial ou recursos visuais que tenham apelo ao público infantojuvenil.
Art. 5º É vedada a veiculação de publicidade de plataformas de apostas “online”:
I – em estádios, ginásios, praças esportivas ou locais de espetáculos públicos, salvo quando o agente operador for patrocinador oficial do evento, detentor de direito oficial sobre o nome do local ou patrocinador oficial das equipes participantes do evento;
II – com uso de imagem, voz ou depoimento de menores de idade ou de personalidades com forte apelo infantojuvenil, especialmente em canais ou programas destinados ou majoritariamente frequentados por esse público;
III – com anúncio de probabilidades, bônus promocionais ou convite a ganhos durante transmissões ao vivo para o Estado do Rio Grande do Sul, bem como com uso de imagens, slogans ou elementos que incentivem o jogo;
IV – com impulsionamento de conteúdo fora dos horários permitidos, conforme o art. 6.º, ou sem segmentação etária certificada para maiores de 18 (dezoito) anos;
V – nas proximidades de escolas, creches, instituições de ensino e espaços esportivos voltados prioritariamente a menores;
VI – que ofertarem riscos à saúde ou ao equilíbrio financeiro do apostador, especialmente por meio de incentivos voltados ao público infantojuvenil ou a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Art. 6º A publicidade audiovisual de apostas “online” somente poderá ser veiculada nos seguintes horários:
I – televisão aberta e por assinatura: das 21h (vinte e uma horas) às 6h (seis horas);
II – “streaming” e vídeo sob demanda: das 21h (vinte e uma horas) às 6h (seis horas);
III – rádio: das 21h (vinte e uma horas) às 6h (seis horas).
Art. 7º A autoridade estadual de proteção ao consumidor e demais órgãos competentes poderão determinar a exclusão de publicidades irregulares e adotar medidas para bloqueio de acesso a “sites” que descumprirem esta Lei.
Art. 8º As plataformas de apostas “online” deverão observar as seguintes regras para patrocínio de equipes, eventos e programas esportivos, culturais ou jornalísticos:
I – a exposição da marca ou logomarca em uniformes ou equipamentos esportivos de categorias profissionais será limitada à simples identificação, vedada qualquer mensagem de incentivo ao jogo;
II – em categorias não profissionais, a exposição será igualmente limitada à identificação, sendo vedada em qualquer hipótese para atletas menores de 18 (dezoito) anos.
Art. 9º São solidariamente responsáveis pelas infrações previstas nesta Lei, na medida de suas atuações:
I – as plataformas de apostas “online”;
II – as agências de publicidade, de propaganda e os meios de comunicação que veiculem campanhas irregulares;
III – os provedores de conexão e de aplicações de internet que não bloqueiem ou removam, após notificação da autoridade competente, conteúdo publicitário em desacordo com esta Lei.
Art. 10. As plataformas de apostas “online” deverão monitorar e remover, de forma eficaz, qualquer conteúdo publicitário que viole esta Lei, sob pena de responsabilização civil, administrativa e penal, incluindo bloqueio e demais penalidades aplicáveis.
Art. 11. O descumprimento desta Lei sujeitará os responsáveis às seguintes sanções, aplicadas pela Superintendência de Proteção ao Consumidor – PROCON-RS:
I – advertência, com prazo de até 30 (trinta) dias para adequação;
II – multa, conforme parâmetros do art. 57 do Código de Defesa do Consumidor e da Lei nº 6.537, de 27 de fevereiro de 1973, dobrável em caso de reincidência;
III – imposição de contrapropaganda;
IV – suspensão temporária da veiculação de publicidade, pelo período de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias;
V – suspensão temporária da autorização estadual para atuação no Estado;
VI – cancelamento da inscrição estadual, em caso de reincidência reiterada.
Art. 12. Os recursos arrecadados com multas serão destinados ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor, conforme dispõe o art. 9º da Lei nº 10.913, de 3 de janeiro de 1997, e ao financiamento de programas de prevenção ao jogo patológico.
Art. 13. A fiscalização do cumprimento desta Lei será exercida pelo órgão estadual competente de defesa do consumidor, que poderá aplicar as sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e demais legislações correlatas.
Art. 14. As empresas que já operam no Estado terão o prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados da publicação desta Lei, para adequar suas campanhas publicitárias e contratos de patrocínio às suas disposições.
Art. 15. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogando as disposições em contrário.
PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 24 de abril de 2026.
EDUARDO LEITE,
Governador do Estado.
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