Sob efeito Libra/FFU, CBF registra queda no faturamento com direitos de TV em 2025

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou uma redução em seu faturamento anual, influenciada em grande parte pela mudança no modelo de comercialização de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, um de seus principais produtos.

A receita bruta da entidade recuou de R$ 1,302 bilhão em 2024 para R$ 1,193 bilhão em 2025, o que representa uma queda de 8,4%. Esse movimento reflete, em parte, a transição para o novo ciclo de mídia do Campeonato Brasileiro, no qual a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e o Futebol Forte União (FFU) passaram a negociar suas propriedades de forma independente.

Silêncio


O relatório oficial da CBF confirma mais pelos silenciamentos do que pelas afirmações que a variação nas receitas das competições nacionais decorre, em parte, da migração de clubes para a gestão direta de seus direitos de mídia.

No item sobre “direitos de transmissão” do documento, a CBF lista uma série de ativos e competições nas quais obteve arrecadação. As Séries A e B do Brasileirão não estão listadas, o que indica que a confederação não foi a captadora desses recursos, uma vez que eles passaram a ser negociados diretamente pelos blocos de clubes com empresas como Globo, Amazon Prime Video, Record e CazéTV.

O próprio presidente da CBF, Samir Xaud, em sua palavra de apresentação do documento, ressalta a saída dos direitos de mídia da Série B do guarda-chuva da entidade.


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“No âmbito das competições nacionais, os investimentos cresceram de forma consistente. Excluindo-se a Série B – cuja variação reflete a migração dos clubes para a comercialização independente de seus direitos –, o volume investido nas demais competições cresceu aproximadamente 24% em relação ao ano anterior”, ressaltou o dirigente.

Déficit

O resultado financeiro do exercício de 2025 foi um déficit de R$ 182,48 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,657 milhões registrado no período anterior. Apesar desse resultado, a diretoria da CBF afirmou que a entidade conta com recursos anteriores para fazer frente a essas despesas.

“A CBF encerra 2025 com uma posição de caixa sólida e confortável, que nos assegura tranquilidade para honrar nossos compromissos e seguir investindo no desenvolvimento do futebol nacional”, disse Samir Xaud.

Além da queda na arrecadação, o saldo negativo foi impactado pelo aumento dos custos operacionais e administrativos, que saltaram de R$ 208,291 milhões para R$ 438,354 milhões (aumento de 110,5%).

A entidade não registrou despesas com Imposto de Renda e Contribuição Social em 2025 devido ao resultado deficitário.

A rubrica de direitos de transmissão e comerciais, principal pilar financeiro da confederação, somou R$ 637,903 milhões em 2025, uma diminuição frente aos R$ 723,900 milhões obtidos em 2024 (queda de 12%).

Essa linha de receita engloba a cessão de direitos audiovisuais da Copa do Brasil, além das Séries C e D do Campeonato Brasileiro, torneios femininos e competições de base.

Já as receitas de patrocínio totalizaram R$ 437,931 milhões, apresentando uma leve retração em comparação ao ano anterior (-3%).

Investimentos

Apesar do déficit, o investimento total no futebol atingiu R$ 1,18 bilhão em 2025, representando um crescimento de 9%.

O aporte nas seleções brasileiras foi de R$ 420 milhões, com destaque para a equipe principal masculina, que consumiu R$ 281 milhões para sua operação e preparação. As seleções femininas ficaram com R$ 94,251 milhões, enquanto as categorias de base receberam R$ 44,709 milhões.

Os repasses às 27 federações estaduais de futebol avançaram 32%, totalizando R$ 80 milhões destinados ao fomento regional, modernização de infraestrutura e competições locais.

Na área de competições, a CBF destinou R$ 477,2 milhões para a organização e realização dos torneios nacionais sob sua responsabilidade, abrangendo custos com logística, arbitragem e controle antidoping.

Passivo

O balanço patrimonial da entidade indica um passivo total de R$ 2,131 bilhões, sendo o montante de longo prazo substancialmente composto por provisões para contingências (despesas que podem surgir a partir de decisões judiciais ou administrativas) e receitas antecipadas.

A provisão para contingências tributárias, cíveis e trabalhistas encerrou o ano em R$ 671,6 milhões, sendo que a maior parte se refere a ações fiscais relativas à cobrança de Cofins.

O ativo circulante (bens que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo) da CBF soma R$ 2,41 bilhões, mantendo uma posição de liquidez estável para o cumprimento de suas obrigações.

A disponibilidade de caixa e equivalentes de caixa da confederação é de R$ 1,99 bilhão, com a maior parte da carteira alocada em fundos de investimento conservadores.

O relatório de auditoria independente, emitido pela BDO RCS, emitiu uma opinião sem ressalvas, afirmando que as demonstrações financeiras apresentavam adequadamente a posição patrimonial e financeira da CBF em 31 de dezembro de 2025.

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Finanças da entidade foram impactadas pelas negociações independentes de mídia feitas pelos blocos de clubes
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