A República Democrática do Congo cancelou sua preparação em Kinshasa, capital do país, para a Copa do Mundo 2026 devido ao surto de ebola que atinge a nação. A equipe foi transferida para a Bélgica, onde cumpre isolamento de 21 dias antes de poder viajar para os Estados Unidos.
Esse período de quarentena obrigatória é uma determinação da Fifa e das autoridades de saúde dos Estados Unidos. A equipe joga amistoso na quarta-feira da semana que vem (3 de junho), contra a Dinamarca.
Contexto
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto foi classificado como “emergência de saúde pública de interesse internacional”.
Segundo os dados mais recentes, divulgados pelo Ministério da Saúde congolês, os casos suspeitos superam 900, sendo 101 confirmados em laboratório, com 119 mortes suspeitas na região.
O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o epicentro da epidemia, que ocorre na província de Ituri, está em um dos locais vulneráveis da RD Congo, que já sofre com conflitos étnicos e crise humanitária.
Cerca de 5 milhões de pessoas vivem em locais onde há guerra, 25% da população necessita de assistência humanitária e 20% das pessoas estão fugindo de seu local de origem. De acordo com Ghebreyesus, esse deslocamento populacional e os locais com episódios constantes de violência dificulta o trabalho de rastreamento e identificação dos casos.
Restrições
O governo dos Estados Unidos determinou que qualquer pessoa que tenha visitado a RD Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias não poderá entrar no país.
A medida afeta diretamente a estreia da seleção congolesa, marcada para 17 de junho contra Portugal, em Houston.
“Estamos trabalhando ativamente com a Fifa para garantir viagens e trânsito seguros e para assegurar que os viajantes e o público norte-americano permaneçam em segurança”, destacou Satish Pillai, gerente de respostas a incidente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.
Impacto
Torcedores também enfrentam dificuldades para viajar para assistir aos jogos da seleção na Copa do Mundo. Aqueles que já possuem vistos precisam comprovar que estiveram fora dos países afetados pelo período exigido. Já a embaixada dos EUA na RD Congo suspendeu temporariamente a emissão de novos vistos.
A situação expõe fragilidades na infraestrutura de saúde pública dos Estados Unidos, que sofreu cortes recentes em programas de monitoramento e resposta a pandemias.
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Seleção africana, que estreia no Mundial, transfere treinos para Europa e enfrenta restrições de entrada nos EUA
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