A evolução das camisas das seleções campeãs mundiais ao longo das Copas do Mundo: Brasil

Até a Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, as camisas da seleção brasileira eram predominantemente brancas, com detalhes em azul e produzidas por malharias e confecções locais. No entanto, a derrota para o Uruguai na final do Mundial disputado em casa, no episódio que ficou conhecido como “Maracanazo”, estigmatizou o uniforme branco como um símbolo de azar.

Réplica da camisa usada pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950 – Reprodução

Com a necessidade de uma nova identidade visual para as camisas, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em parceria com o jornal carioca Correio da Manhã, lançou um concurso nacional para definir o novo uniforme da seleção, que deveria incorporar as quatro cores da bandeira nacional: verde, amarelo, azul e branco.


Das mais de 200 propostas enviadas de todo o país para a redação do jornal, a vencedora ficou por conta do desenhista Aldyr Garcia Schlee, que sugeriu uma camisa amarela com gola verde, calções azuis e meiões brancos.

Era Athleta

Além da mudança estética, os uniformes da seleção brasileira também passaram a ser produzidos pela Athleta, malharia localizada na cidade de São Paulo (SP), a partir de 1954. A empresa foi a responsável pelas camisas do Brasil até 1977, mas não chegou a estampar o próprio logotipo nos modelos. A marca aparecia apenas nas etiquetas internas dos materiais enviados à seleção.

O período em que a Athleta forneceu os uniformes para o Brasil ainda foi um dos mais vitoriosos da história da seleção canarinho e envolveu as conquistas dos três primeiros títulos Mundiais, em 1958, 1962 e 1970.


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Réplica da camisa usada pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 – Reprodução

Um caso curioso ainda aconteceu na decisão da Copa do Mundo da Suécia, em 1958, quando os donos da casa escolheram jogar a final de amarelo e o Brasil, que não tinha segunda opção de uniforme feita pela Athleta, recorreu ao comércio popular local para encontrar uma saída para o problema. De acordo com relatos da época, a volta da camisa branca chegou a ser cogitada, mas o azar associado à cor pela derrota na final de 1950 gerou desconforto nos jogadores e na comissão técnica da seleção.

Diante desse cenário, Paulo Machado de Carvalho, chefe de delegação do time brasileiro no Mundial de 1958, definiu que a equipe jogaria a decisão de azul, “cor do manto de Nossa Senhora Aparecida”, tida pelos católicos como padroeira do Brasil. O resultado foi o primeiro título mundial da seleção e o início de uma tradição que perdura até hoje no uniforme reserva do Brasil. 

Grandes marcas

No final da década de 1970, a CBD firmou um acordo com a Adidas para o fornecimento de material esportivo e, na Copa do Mundo de 1978, a camisa brasileira exibiu as três listras tradicionais da marca alemã nas mangas das camisas e laterais dos calções. No entanto, o logotipo “Trefoil” da empresa não foi exposto no uniforme da seleção, ao contrário do que aconteceu com outros times parceiros da Adidas no Mundial, como a Argentina, campeã naquele ano.

Réplica da camisa usada pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1978 – Reprodução

Já na década de 1980, a Topper assumiu o fornecimento de material esportivo da seleção brasileira, em um acordo que envolveu as Copas do Mundo de 1982, 1986 e 1990. O período ainda marcou uma transição nos materiais de confecção dos uniformes de jogo, que deixaram de ser feitos de algodão e começaram a ser produzidos a partir de tecidos sintéticos.

Sócrates e Zico vestem a camisa da seleção brasileira usada na Copa do Mundo de 1982 – Reprodução

Em 1991, a empresa britânica Umbro se tornou a responsável pelo material esportivo do Brasil, em um acordo de quatro anos que envolvia o pagamento de US$ 3 milhões em dinheiro, além de US$ 1 milhão em produtos, à Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

Já em outubro de 1994, após a conquista do tetracampeonato mundial pela seleção brasileira, a marca renovou o acordo com a CBF até junho de 1999. O novo contrato previa o pagamento de US$ 3,5 milhões à entidade durante o novo vínculo. No entanto, a parceria foi encerrada em 1996, após a Nike apresentar uma proposta mais vantajosa para fornecer o material esportivo do Brasil a partir de 1997.

Chegada da Nike

Para tirar a seleção brasileira das mãos da Umbro, a Nike precisou pagar uma multa rescisória de US$ 10 milhões à marca britânica. Além disso, o acordo da empresa norte-americana com a CBF envolvia um aporte de US$ 160 milhões ao longo de dez anos de contrato.

Em 2007, a marca renovou até 2026 e, em 2024, ampliou novamente a parceria, desta vez até 2038. O último vínculo ainda aumentou os valores pagos pela Nike para aproximadamente US$ 100 milhões anuais. Além disso, o contrato ainda incluiu um sistema de royalties sobre as vendas globais da camisa da seleção brasileira no varejo.

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Design e lifestyle

A partir da Copa do Mundo de 2022, a Nike começou a introduzir elementos tradicionais do Brasil de forma mais intensa nas camisas da seleção. Para o Mundial do Catar, o símbolo escolhido para estampar os dois uniformes de jogo da equipe brasileira foram as pintas da onça-pintada.

Já para 2026, as campanhas da marca para os uniformes do Brasil reforçam o “canarinho”, como representante da fauna nacional, e a transformação do slogan “Joga Bonito”, que marcou a seleção brasileira no passado, para os motes  “Joga Sinistro” e “Alegria que Apavora”.

Seleção brasileira utilizará uniforme reserva com logomarca da Jordan na Copa do Mundo de 2026 – Divulgação / Nike / Jordan

A CBF ainda realizou uma colaboração com a Jordan Brand, que integra o portfólio de marcas da Nike, para a criação do uniforme reserva e de uma coleção de streetwear do Brasil para a Copa do Mundo de 2026, buscando se conectar com o público jovem e posicionar a camisa da seleção brasileira ainda mais no universo da cultura urbana.

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O movimento segue a recente transformação da camisa do Brasil em um objeto cultural, que vai além do campo de jogo. Após um período de forte associação política, o uniforme da seleção ganhou um status de moda impulsionado pelo “blockcore”, tendência que integra camisas de futebol à cultura e ao lifestyle da moda urbana.

Com isso, grifes europeias desenvolveram editoriais de moda baseados na estética brasileira e celebridades internacionais passaram a vestir a camisa casualmente. Para monetizar sobre essa tendência, a Nike apresentou uma edição de colecionador chamada “Brazil 1998 Reissue”.

O relançamento da camisa consolidada por Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo de 1998 manteve o design clássico, mas foi direcionado estrategicamente para o público da cultura streetwear, com preços mais altos e distribuição limitada. Como uma sequência desse primeiro movimento, a Nike relançou, em 2025, a camisa da seleção brasileira de 2004, que ficou marcada pela sua estética e também pelo título da Copa América daquele ano, conquistado em cima da Argentina.

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Das malharias locais no início do Século XX à parceria com a Jordan Brand em 2026, uniforme da seleção brasileira se tornou um ativo simbólico e financeiro de impacto global
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