Clubes se reúnem para discutir liga em meio a “embate” entre Flamengo e CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) marcou, para a tarde desta segunda-feira (25), um novo encontro com os representantes dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir a formação de uma liga única de clubes.

Porém, uma discussão pública entre a entidade e o Flamengo neste último fim de semana promete trazer novos ingredientes para a reunião, a segunda promovida pela CBF e que ganha cada vez mais a adesão dos principais dirigentes do país.


Na manhã de sábado (23), o Flamengo emitiu um comunicado reclamando sobre a não aceitação da mudança proposta pelo clube de o jogo contra o Coritiba, pela 18ª rodada do Brasileirão e que acontecerá no próximo sábado (30), ser alterado para o dia 4 de agosto.

Depois de ser eliminado da Copa do Brasil, o clube solicitou a alteração da partida para o dia 4 de agosto, uma vez que, no próximo sábado (30), o Flamengo terá diversos jogadores ausentes, pois já estarão com suas seleções na preparação para a Copa do Mundo (sendo quatro deles com a seleção brasileira).

Ao tornar pública a indignação, o Flamengo usou ainda o Palmeiras, seu concorrente direto na briga pelo título e que também terá desfalques por conta da convocação para o Mundial, para dizer que há um “erro muito claro” na organização do calendário e sugeriu haver “conflito de interesses” na relação da CBF com a gestão do Campeonato Brasileiro.


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“É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a Uefa, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à Fifa, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo”, afirmou o clube, na nota divulgada.

Pouco tempo depois de o Flamengo expor sua indignação, foi a vez de a CBF emitir uma nota oficial rebatendo as acusações feita pelo clube rubro-negro e usando o próprio trabalho de criação de uma liga única de clubes como argumento para sustentar sua decisão. Em um texto em que apresentou seis justificativas para a decisão, a entidade encerrou da seguinte forma:

“Por fim, a CBF registra seu apoio irrestrito à construção de uma liga conduzida pelos clubes, fundada no tratamento isonômico entre os participantes das competições e no respeito às regras previamente acordadas. O sucesso do projeto da liga depende de que cada clube respeite ao longo da competição as decisões aprovadas por todos antes do início do campeonato, e não busquem soluções exclusivas que confiram tratamento privilegiado conforme as circunstâncias”.

Embate acirra disputa pelo poder

O duelo de narrativas entre Flamengo e CBF é mais um capítulo na disputa por poder nos bastidores e que tem se tornado cada vez mais frequente no futebol brasileiro.

O racha dentro das duas entidades comerciais criadas para representar os clubes das Séries A e B (Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e Futebol Forte União (FFU)), somado à influência maior da CBF sobre temas recorrentes das competições, como calendário e Fair Play Financeiro, geraram uma disputa acentuada pelo poder.

Desde que Luiz Eduardo Baptista, o Bap, assumiu a presidência do Flamengo, em janeiro de 2025, o time rubro-negro tem questionado cada vez mais decisões conjuntas tomadas pelos clubes e assumido o protagonismo em relação a debates comerciais.

A rusga com a CBF é a primeira depois de o Flamengo conseguir reorganizar seu contrato com a Libra e aumentar o que ganhará com direitos de transmissão, movimento que causou a saída do Palmeiras do grupo comercial.

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Nesta segunda-feira (25), durante o encontro dos clubes com a CBF, um novo capítulo desse embate deve acontecer.

Veja a nota oficial do Flamengo

Na esteira da mais recente encruzilhada em que se encontra o Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número significativo de jogadores convocados para a Copa do Mundo FIFA, é preciso refletir: onde estamos errando e como iremos solucionar esses problemas?

Neste caso, o erro está muito claro. Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil).

É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo.

Quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores em razão de convocações, quem perde, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto se desvaloriza, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas.

No passado, soluções paliativas da CBF buscaram amenizar esse problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipe atuar caso cinco de seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão realmente para durante Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aeronaves para trazer atletas que atuaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Essas medidas paliativas já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipes brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir cada vez mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão de suas competições precisa evoluir junto.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado em razão das convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as quedas precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando no dia 4/8/26, sem conflitar com Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará de tudo para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube.”

Confira a resposta da CBF

Em relação à nota pública do Flamengo na data de hoje, em que o clube questiona a manutenção da data dos jogos da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem esclarecer o que se segue:

1. A data de liberação obrigatória dos atletas para a Copa do Mundo de 2026 foi definida pela FIFA ainda em maio de 2025 e essa informação foi reiterada em diferentes documentos e comunicações oficiais.

2. O calendário do futebol brasileiro de 2026 foi apresentado, debatido e aprovado por todos os clubes da Série A, de forma unânime em dezembro de 2025. As datas das rodadas, incluindo a 18ª, bem como o período de paralisação para a Copa do Mundo FIFA 2026, foram amplamente discutidas no Conselho Técnico da competição, com participação de todos os clubes. A CBF não impõe calendário aos clubes: ela implementa aquele que é construído e validado em conjunto com as agremiações.

3. Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada. Isso só veio a ocorrer após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir a remarcação do jogo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. Tal pedido foi rejeitado, pois atenderia apenas aos interesses de um clube atingido pelas convocações: o próprio Flamengo.

4. A atual gestão da CBF não acredita e não apoiará qualquer tipo de tratamento privilegiado no âmbito desportivo, independentemente do tamanho da torcida ou do poder econômico. Vários clubes foram afetados pelas convocações para a Copa do Mundo e qualquer solução pensada para atender apenas um caso isolado representaria violação direta ao princípio da isonomia desportiva que rege a atual gestão da CBF.

5. O calendário do futebol brasileiro de 2026 apresentou evoluções claras, como a redução dos Campeonatos Estaduais e o início do Campeonato Brasileiro em janeiro. A CBF reafirma seu compromisso de trabalhar pela evolução permanente do calendário e pela construção de um ambiente competitivo equilibrado, por meio de soluções estruturais e coletivas, e não de decisões pontuais que beneficiem interesses específicos.

6. Por fim, a CBF registra seu apoio irrestrito à construção de uma liga conduzida pelos clubes, fundada no tratamento isonômico entre os participantes das competições e no respeito às regras previamente acordadas. O sucesso do projeto da liga depende de que cada clube respeite ao longo da competição as decisões aprovadas por todos antes do início do campeonato, e não busquem soluções exclusivas que confiram tratamento privilegiado conforme as circunstâncias.

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Clube carioca e entidade protagonizaram duelo de notas oficiais no fim de semana, trocando acusações sobre pedido de adiamento de jogo
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