Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta crescimento de mais de 500% nos gastos com bets e maior dificuldade das famílias para quitar dívidas.
Brasília.- Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado na terça-feira (28), em Brasília, aponta que o avanço das apostas online no Brasil está diretamente ligado à piora na capacidade de pagamento das famílias.
De acordo com a pesquisa, os gastos com as chamadas “bets” cresceram mais de 500% em três anos, desde a regulamentação do setor, em 2023. Segundo o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, houve uma rápida expansão desse mercado no país.
“Sem dúvida, o que a gente viu foi uma explosão nesse tipo de gastos com apostas online no Brasil nos últimos anos. A gente saiu de um volume mensal de menos de R$ 5 bilhões (US$ 1 bilhão) para R$ 30 bilhões (US$ 6 bilhões)”, afirmou em publicação da Agência Brasil.
O estudo indica que, apesar de um cenário econômico mais favorável, com queda da inflação, maior oferta de crédito e melhora no mercado de trabalho, aumentou a preocupação com famílias que não conseguem quitar dívidas no curto prazo. Em 2023, esse grupo representava 11,5%. Em 2025, passou de 13% e, em março deste ano, ficou acima de 12%.
Segundo a CNC, o impacto das apostas é mais intenso entre famílias já endividadas, ampliando o tempo de atraso e a incapacidade de pagamento. O problema é ainda mais evidente entre pessoas de menor renda.
“O espaço para acomodar esse tipo de gasto no orçamento entre essas famílias é muito menor. Isso acaba expondo ainda mais esse público”, explicou Bentes. De acordo com ele, houve aumento do endividamento entre famílias que ganham até cinco salários mínimos, movimento que não se repetiu entre as de maior renda.
Veja também: ANJL notifica Datafolha e questiona pesquisa que liga apostas a endividamento; entenda os motivos
O levantamento também aponta que homens e pessoas com 35 anos ou mais estão entre os mais afetados. Outro dado que chama atenção é o crescimento da inadimplência entre indivíduos com maior nível de escolaridade.
Diante do cenário, a CNC defende o fortalecimento da regulação e a adoção de medidas de proteção ao consumidor. “Não se trata de proibir, mas de regular e criar políticas públicas para proteger o público mais vulnerável”, destacou o economista.
IBJR notifica CNC e exige transparência sobre metodologia de estudo
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) informou ter enviado, na segunda-feira (27), uma notificação formal a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O documento solicita transparência metodológica e acesso integral às bases de dados utilizadas no estudo.
O principal ponto de contestação do IBJR é que o levantamento da CNC partiria de premissas consideradas incompatíveis com dados oficiais recentes. O estudo da Confederação, que já foi citado na justificativa do Projeto de Lei nº 1.808/2026, que propõe a proibição integral das apostas de quota fixa no país, sustenta que o varejo brasileiro teria deixado de faturar R$ 103 bilhões (US$ 20,6 bilhões) em 2024 devido ao redirecionamento de recursos para plataformas de apostas.
Na notificação enviada à CNC, o IBJR estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que a entidade apresente esclarecimentos detalhados, incluindo:
- A base de dados completa utilizada no estudo, com indicação de fontes primárias e secundárias, universo amostral e tratamento estatístico;
- A metodologia aplicada, com descrição dos modelos econômicos, variáveis consideradas e critérios de causalidade adotados.
Em nota, o instituto reiterou seu compromisso com o debate público qualificado, destacando a importância de pesquisas com rigor científico. Segundo a entidade, a discussão sobre o mercado de apostas no Brasil, atualmente regulamentado e fiscalizado, deve ser conduzida com responsabilidade, transparência e dados que reflitam a realidade econômica do país.
Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta crescimento de mais de 500% nos gastos com bets e maior dificuldade das famílias para quitar dívidas.
Brasília.- Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado na terça-feira (28), em Brasília, aponta que o avanço das apostas online no Brasil está diretamente ligado à piora na capacidade de pagamento das famílias.
De acordo com a pesquisa, os gastos com as chamadas “bets” cresceram mais de 500% em três anos, desde a regulamentação do setor, em 2023. Segundo o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, houve uma rápida expansão desse mercado no país.
“Sem dúvida, o que a gente viu foi uma explosão nesse tipo de gastos com apostas online no Brasil nos últimos anos. A gente saiu de um volume mensal de menos de R$ 5 bilhões (US$ 1 bilhão) para R$ 30 bilhões (US$ 6 bilhões)”, afirmou em publicação da Agência Brasil.
O estudo indica que, apesar de um cenário econômico mais favorável, com queda da inflação, maior oferta de crédito e melhora no mercado de trabalho, aumentou a preocupação com famílias que não conseguem quitar dívidas no curto prazo. Em 2023, esse grupo representava 11,5%. Em 2025, passou de 13% e, em março deste ano, ficou acima de 12%.
Segundo a CNC, o impacto das apostas é mais intenso entre famílias já endividadas, ampliando o tempo de atraso e a incapacidade de pagamento. O problema é ainda mais evidente entre pessoas de menor renda.
“O espaço para acomodar esse tipo de gasto no orçamento entre essas famílias é muito menor. Isso acaba expondo ainda mais esse público”, explicou Bentes. De acordo com ele, houve aumento do endividamento entre famílias que ganham até cinco salários mínimos, movimento que não se repetiu entre as de maior renda.
Veja também: ANJL notifica Datafolha e questiona pesquisa que liga apostas a endividamento; entenda os motivos
O levantamento também aponta que homens e pessoas com 35 anos ou mais estão entre os mais afetados. Outro dado que chama atenção é o crescimento da inadimplência entre indivíduos com maior nível de escolaridade.
Diante do cenário, a CNC defende o fortalecimento da regulação e a adoção de medidas de proteção ao consumidor. “Não se trata de proibir, mas de regular e criar políticas públicas para proteger o público mais vulnerável”, destacou o economista.
IBJR notifica CNC e exige transparência sobre metodologia de estudo
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) informou ter enviado, na segunda-feira (27), uma notificação formal a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O documento solicita transparência metodológica e acesso integral às bases de dados utilizadas no estudo.
O principal ponto de contestação do IBJR é que o levantamento da CNC partiria de premissas consideradas incompatíveis com dados oficiais recentes. O estudo da Confederação, que já foi citado na justificativa do Projeto de Lei nº 1.808/2026, que propõe a proibição integral das apostas de quota fixa no país, sustenta que o varejo brasileiro teria deixado de faturar R$ 103 bilhões (US$ 20,6 bilhões) em 2024 devido ao redirecionamento de recursos para plataformas de apostas.
Na notificação enviada à CNC, o IBJR estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que a entidade apresente esclarecimentos detalhados, incluindo:
- A base de dados completa utilizada no estudo, com indicação de fontes primárias e secundárias, universo amostral e tratamento estatístico;
- A metodologia aplicada, com descrição dos modelos econômicos, variáveis consideradas e critérios de causalidade adotados.
Em nota, o instituto reiterou seu compromisso com o debate público qualificado, destacando a importância de pesquisas com rigor científico. Segundo a entidade, a discussão sobre o mercado de apostas no Brasil, atualmente regulamentado e fiscalizado, deve ser conduzida com responsabilidade, transparência e dados que reflitam a realidade econômica do país.
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