A dois meses do início da Copa do Mundo de 2026, a organização do torneio é alvo de questionamentos quanto à segurança e à proteção de torcedores, jogadores e profissionais envolvidos no evento.
Um levantamento divulgado pela Human Rights Watch, uma das principais organizações não governamentais internacionais dedicadas a pesquisar, defender e promover os direitos humanos globalmente, aponta que a Fifa e a maioria dos comitês organizadores das cidades-sede não implementaram as medidas estipuladas pelo marco de direitos humanos da competição.
Segundo a entidade, as sedes falharam em apresentar os planos de ação exigidos ou elaboraram documentos preliminares que não contemplam riscos específicos ligados a imigrantes, comunidade LGBTQIA+ e jornalistas.
A Copa do Mundo de 2026 é a primeira da história a contar com um “Marco de Direitos Humanos” obrigatório no processo de candidatura, que prevê consultas a grupos comunitários e governamentais locais.
“Apesar dos anos de preparação, do espectro da fiscalização da imigração em eventos da Fifa e das ameaças emergentes à liberdade de imprensa, os comitês organizadores não conseguiram apresentar planos coerentes para o maior evento esportivo do mundo”, disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch.
“A Fifa e essas cidades precisam agir imediatamente para fortalecer a proteção dos direitos humanos ou correm o risco de um torneio definido pela exclusão e pelo medo”, acrescentou.
ICE
O cronograma original determinava a entrega dos planos em março de 2025, prazo posteriormente estendido para agosto do mesmo ano. Contudo, das 16 cidades que receberão partidas, apenas Atlanta, Dallas, Houston e Vancouver tornaram seus documentos públicos. Sedes como Nova York/Nova Jersey, Los Angeles, Miami e Cidade do México seguem sem apresentar diretrizes oficiais.
Mesmo os locais que publicaram os relatórios apresentam lacunas estruturais, de acordo com a análise. A principal preocupação da Human Rights Watch no território norte-americano envolve a política de imigração.
Dados levantados junto ao projeto Deportation Data indicam que o ICE, serviço de imigração e alfândega dos EUA, deteve mais de 167 mil pessoas nas proximidades das sedes norte-americanas entre janeiro de 2025 e março de 2026. A situação ganha contornos complexos devido a legislações locais, como os acordos no Texas e na Geórgia, que delegam a forças policiais locais a fiscalização imigratória de caráter federal.
As omissões identificadas também se estendem aos direitos da comunidade LGBTQIA+ e à liberdade de imprensa. Enquanto Dallas e Houston não mencionam esse público em seus planos, Atlanta prevê dois eventos comunitários durante o torneio, que terá a primeira metade disputada em junho, mês do Orgulho LGBTQIA+.
No âmbito da cobertura jornalística, as cidades que publicaram as diretrizes não detalham medidas de proteção para repórteres, situação criticada após os incidentes de repressão policial a profissionais de imprensa em Los Angeles no ano passado.
Cobranças
Diante do cenário, a entidade cobra ações concretas da Fifa e que a entidade ordene a publicação e implementação de todos os documentos antes da primeira quinzena de maio. As recomendações exigem que os planos abordem os riscos de fiscalização imigratória e busquem garantias públicas das autoridades federais de que não haverá operações nos locais de jogos e festas de torcedores.
A organização também pede diretrizes explícitas de proteção contra a discriminação e o fortalecimento das políticas de liberdade de imprensa.
A Human Rights Watch defende ainda que a ausência de um planejamento em relação aos direitos humanos atue como critério de exclusão para cidades que desejem receber torneios futuros.
A instituição informou ter enviado ofícios à presidência da Fifa solicitando detalhes sobre as medidas protetivas, mas disse não ter recebido respostas.
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Levantamento da entidade aponta que a maioria das cidades-sede não implementaram medidas estipuladas no processo de candidatura
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