Segundo relatório elaborado pela Bitget Wallet, em parceria com a Polymarket e divulgado pela CoinDesk, os mercados preditivos tendem a se consolidar como ferramenta recorrente de acompanhamento informativo.
O estudo apontou que investidores de varejo estão cada vez mais operando com base em probabilidades dinâmicas em temas que vão de criptomoedas a política, economia e cultura, destacou Lucía Gando, editora do SBC Noticias.
No Brasil, o movimento também começou a ganhar relevância no debate regulatório. No entanto, o governo tem se posicionado contra a consolidação do setor em território nacional.
O levantamento da Bitget Wallet analisou a atividade de 1,29 milhão de carteiras no primeiro trimestre de 2026 e identificou padrão de operações pequenas e frequentes, em vez de grandes apostas concentradas em eventos específicos. Na prática, isso indica base de usuários mais ampla e engajada.
A Polymarket, por exemplo, registrou aumento do volume mensal, que saltou de cerca de US$ 1,2 bilhão em 2025 para mais de US$ 20 bilhões no início de 2026, alcançando US$ 25,7 bilhões apenas no mês de março.
Além disso, dados do Aposta Legal apontaram a plataforma como a mais acessada do Brasil, com 1,46 milhão de acessos no primeiro trimestre de 2026. Kalshi, Robinhood e PredictIt também foram destaque, com 250 mil, 118 mil e 96 mil acessos, respectivamente.
Para Alvin Kan, Diretor de Operações da Bitget Wallet, “os mercados preditivos estão se tornando menos uma questão de capital e mais uma de ações consistentes e repetidas”. Segundo ele, o crescimento do setor ocorre a partir de um maior número de interações diárias, e não necessariamente de operações de maior valor.
Diante desse avanço, a Bitget Wallet e a Polymarket projetam que o setor deve movimentar cerca de US$ 240 bilhões em 2026, com potencial de alcançar a marca de US$ 1 trilhão no longo prazo.
A importância das criptomoedas para o mercado preditivo

As criptomoedas continuam sendo a principal porta de entrada para esse ecossistema. O relatório indicou que quase 40% da atividade inicial está concentrada em mercados ligados ao universo cripto.
No entanto, à medida que os usuários se tornam mais ativos, há uma migração gradual para eventos do mundo real, como eleições, indicadores econômicos, decisões de política pública, esportes e cultura – temas que também têm forte apelo no Brasil, mas que foram proibidos no país por meio da Resolução CMN nº 5.298, assinada por Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central.
Elden Mirzoian, Diretor de Crescimento e Parcerias da Polymarket, afirmou: “Conforme os mercados de previsão evoluem para uma infraestrutura financeira central, a distribuição se torna tão importante quanto o próprio mercado subjacente”, afirmou. Para Mirzoian, o setor atravessa a transição de um modelo mais episódico para um formato baseado na participação contínua dos usuários.
Caso esses mercados consigam se consolidar como referência de expectativas agregadas, sua função pode ir além do entretenimento especulativo. A tendência é que passem a ser utilizados como ferramenta de consulta por investidores, analistas e até veículos de mídia.
Outro movimento relevante está no uso das informações geradas por esses mercados. Os preços de previsão passam a refletir, cada vez mais, expectativas em tempo real sobre tendências macroeconômicas, política e cultura, começando a aparecer ao lado de indicadores tradicionais em análises financeiras e na cobertura da mídia.
A probabilidade implícita de determinados resultados passa a conviver com pesquisas, indicadores econômicos e projeções de analistas, oferecendo uma camada adicional de interpretação sobre como uma comunidade de participantes avalia a chance de um evento específico acontecer.
Esse processo também ajuda a explicar a razão pela qual a antiga associação desses mercados ao conceito de “cassino” começa a perder força. Embora o componente especulativo ainda esteja presente, o comportamento dos usuários e a diversidade de temas indicam um uso cada vez mais próximo ao de uma plataforma de informação em tempo real.
A principal diferença está na forma como os preços são atualizados continuamente, incorporando novas informações e condensando as expectativas do mercado quase em tempo real. Isso transforma essas plataformas em uma espécie de termômetro coletivo sobre a probabilidade de determinados eventos, ampliando seu papel para além do entretenimento.
Brasil e Argentina bloqueiam mercados preditivos

No Brasil e na Argentina, o avanço desse segmento já enfrenta barreiras regulatórias. Os governos de ambos os países anunciaram o bloqueio de plataformas de mercados preditivos, como a Polymarket e a Kalshi.
Segundo Dario Durigan, Ministro da Fazenda, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já determinou o bloqueio de mais de 27 sites por violarem a Lei nº 14.790/2023, que regulamenta as apostas de quota fixa no país. A medida sinaliza que o Brasil deve adotar uma postura mais restritiva em relação a modelos que se aproximem desse formato.
Eric Hadmann Jasper, Professor do IDP, em Brasília, Advogado e Sócio-fundador da HD Advogados, aprofundou o assunto em entrevista exclusiva ao SBC Notícias Brasil. Ele explicou o que caracteriza o mercado de previsões e analisou sua relação com as apostas online. Jasper também destacou os principais pontos de convergência e distinção entre as duas atividades e abordou questões envolvendo os últimos acontecimentos no país em relação ao mercado preditivo.
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Segundo relatório elaborado pela Bitget Wallet, em parceria com a Polymarket e divulgado pela CoinDesk, os mercados preditivos tendem a se consolidar como ferramenta recorrente de acompanhamento informativo. O estudo 
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