No ano de estreia na Série A do Brasileirão, o Mirassol alcançou resultados financeiros de fazer inveja aos clubes considerados grandes no país.
Divulgado na semana passada, o balanço financeiro da equipe do interior paulista, que ficou em 4º lugar na classificação geral do campeonato em 2025, atrás apenas de Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro, mostra um lucro líquido de R$ 67,7 milhões obtido ao longo da temporada.
Como comparação, basta observar que o Corinthians, equipe com a segunda maior torcida do país (e que é também uma das que mais faturam), terminou 2025 com um prejuízo líquido de R$ 143,4 milhões, conforme noticiou nesta semana a Máquina do Esporte.
Na última temporada, o Mirassol obteve receitas operacionais de R$ 179,9 milhões. Os direitos de transmissão somaram R$ 125,5 milhões no período, respondendo por 69,76% do total.
Já os patrocínios injetaram R$ 24,7 milhões no caixa da equipe paulista, representando 13,74% das receitas.
As transferências de atletas, por sua vez, contribuíram com R$ 16,3 milhões, 9,06% do faturamento, enquanto a bilheteria trouxe R$ 12,1 milhões, ou 6,75% do montante.
Despesas
As despesas operacionais do Mirassol atingiram R$ 101,5 milhões em 2025. O principal gasto no período foi com folha de pagamento (incluindo salários e encargos pessoais), com R$ 50,7 milhões, o equivalente a 49,96% do total.
No mesmo ano, o Corinthians, que terminou em 13º na classificação geral da Série A do Brasileirão, gastou R$ 571,1 milhões com pessoal e encargos pessoais, 11 vezes mais que o Mirassol.
A equipe do interior paulista ainda destinou R$ 22,1 milhões a premiações, o que representa 221,78% das despesas operacionais. As comissões de transferências consumiram R$ 10,1 milhões, ou seja, 9,96% do montante.
As despesas administrativas do Mirassol atingiram R$ 7,2 milhões na última temporada. Essa soma inclui gastos com aluguéis, hospedagens e serviços jurídicos terceirizados.
As receitas financeiras do clube somaram cerca de R$ 7 milhões no período, graças sobretudo a aplicações bancárias que renderam mais de R$ 6,5 milhões.
Por outro lado, as despesas financeiras ficaram em apenas R$ 532 mil, o que abrange principalmente impostos sobre operações de câmbio (R$ 348 mil), mas também pagamentos de juros (R$ 97 mil).
Modelo “pés no chão”
Os bons resultados trazidos pelo balanço do Mirassol refletem o modelo “pés no chão” adotado pela gestão do clube.
A diretoria procurou, por exemplo, manter a folha de pagamento abaixo do limite de 50% das despesas operacionais. Em relação ao documento, a administração informou, também, que “implementou rigoroso controle financeiro, assegurando a pontualidade no pagamento de salários e encargos”.
As obrigações com terceiros totalizaram R$ 4,6 milhões ao fim do exercício de 2025 e se referem, em sua maioria, a parcelas pela contratação de atletas profissionais.
“Tais compromissos encontram-se devidamente programados no fluxo de caixa de 2026, sem prejuízo à continuidade operacional do clube”, destacou o clube.
No último trimestre de 2025, o Mirassol também investiu R$ 6,8 milhões na construção de um novo Centro de Treinamento (CT), destinado ao futebol feminino (a criação do departamento era uma exigência para o time disputar a Copa Libertadores 2026) e às categorias de base.
O investimento contempla ainda obras de adequação e expansão, que, segundo o Mirassol, têm o objetivo de fortalecer a formação de atletas, reduzir custos operacionais no longo prazo e valorizar o patrimônio institucional da equipe.
Em 2026, o grande desafio para o Mirassol tem sido manter a competitividade dentro de campo, sobretudo por conta da saída de atletas para equipes adversárias. O time ocupa a 18ª posição na Série A, com apenas 3 vitórias obtidas em 13 jogos disputados.
Na estreia na Copa Libertadores, o clube do interior paulista está em terceiro lugar no Grupo G, mas com o mesmo número de pontos do líder, a LDU, e do segundo colocado, o Lanús.
Mesmo em meio a esse cenário, o Relatório da Administração, assinado pelo presidente Edson Ermenegildo, traz um tom otimista em relação às perspectivas para a atual temporada.
“Para 2026, as perspectivas são positivas. A administração buscará manter o nível de desempenho esportivo, ampliando a projeção nacional e internacional do clube. Ademais, está prevista a conclusão das obras do novo Centro de Treinamento (…), proporcionando melhores condições de preparação às equipes”, salientou o documento.
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Balanço financeiro do clube do interior paulista apresentou uma receita operacional de R$ 179,9 milhões na temporada 2025
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