Mesmo após já ter desembolsado R$ 30 milhões por uma licença federal, a Caixa Econômica Federal cedeu à forte resistência do Palácio do Planalto e suspendeu o lançamento de sua própria casa de apostas, popularmente chamada de “bet da Caixa”, em 2026.
A operação, que mirava o aquecimento do mercado antes da Copa do Mundo, foi empurrada para 2027, deixando a estatal de fora de um mercado que ela própria avaliava como estratégico para combater o jogo ilegal no país.
Com o projeto, a Caixa esperava faturar cerca de R$ 18 bilhões em dois anos.
Por que a estatal recuou na criação da “bet da Caixa” mesmo após garantir a licença de operação
O congelamento da plataforma escancara o choque entre o planejamento comercial do banco e a atual diretriz do governo.
Em julho de 2025, a Caixa Loterias obteve a permissão oficial do Ministério da Fazenda para atuar de forma regulada.
O presidente da Caixa, Carlos Vieira, era um grande fiador da entrada da estatal nesse setor para disputar espaço com as empresas privadas.
Em março de 2024, Vieira foi direto sobre a estratégia corporativa: “Temos todo um planejamento para entrar no mundo das bets, e aí é um outro universo. Estamos considerando a possibilidade de iniciar a partir de 2025.
A Caixa está autorizada como qualquer outra empresa a atuar no mercado das bets, seguindo a legislação estabelecida”.
Meses depois, em agosto, ele reforçou a tese. “O mercado no Brasil tende a crescer muito nesse segmento. A Caixa quer estar presente e tem uma série de iniciativas construídas nesse sentido”.
Apesar desse otimismo comercial, nomes como Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, já tratavam o projeto como “especulação” no fim de 2025.
Atualmente, a paralisação do serviço é alvo de apuração no Tribunal de Contas da União (TCU) e gerou fortes protestos da Federação Brasileira de Empresas Lotéricas (Febralot).
O cerco regulatório e a ofensiva contra a indústria de jogos
A trava nos planos da Caixa reflete uma cruzada muito maior do Governo Federal contra o avanço das operadoras de apostas no Brasil.
Tratando a expansão rápida do setor como uma crise de saúde pública e de endividamento familiar, a atual gestão tem adotado medidas duras.
Até dezembro de 2025, o governo já havia bloqueado o acesso de quase 900 mil beneficiários de programas sociais (como o Bolsa Família e o BPC) às plataformas, além de lançar um “botão” de autoexclusão para afastar apostadores compulsivos.
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou a postura rigorosa afirmando que o partido está “cercando as bets há algum tempo”.
Sob a visão da equipe econômica, a ausência de tributação no governo anterior criou uma “pandemia” de apostas, o que motivou a aprovação de uma taxação escalonada sobre a receita bruta das empresas (GGR) que chegará a 15% até 2028.
No Congresso, a pressão é ainda mais extrema. Nesta semana, a bancada do PT na Câmara protocolou um projeto de lei que pede a proibição total das apostas de quota fixa. Contudo, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, sinalizou que o Brasil dificilmente proibirá as plataformas de apostas.
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