Em um recente artigo de opinião publicado na Folha de São Paulo, Wesley Cardia, ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), trouxe à tona uma análise contundente sobre o panorama atual e os desafios das apostas no Brasil.
De acordo com o especialista, o setor, que passou a operar sob normas governamentais rígidas no início de 2025, já demonstrou um imenso potencial de arrecadação para o Estado.
Apenas no último ano, o mercado regulado injetou mais de R$ 9,95 bilhões aos cofres públicos na forma de tributos, com números expressivos de recolhimento continuando neste ano.
Contudo, Cardia adverte que essa arrecadação poderia ser significativamente maior caso não houvesse a concorrência desleal de milhares de sites clandestinos operando totalmente à margem da lei.
Por que proibir as apostas no Brasil não é a solução
Cardia explica que, atualmente, a indústria de jogos enfrenta intensos ataques e há propostas no Congresso Nacional que defendem a proibição total da atividade, sob a justificativa de proteger a saúde financeira e mental das famílias.
No entanto, o ex-presidente da ANJL expõe que essa ofensiva tem um forte viés eleitoreiro.
Segundo ele, com o custo de vida preocupando a maior parte dos eleitores, o governo tenta transferir a culpa do endividamento populacional para o setor de jogos, omitindo a responsabilidade sobre a alta dívida pública e as elevadas taxas de juros.
De acordo com Cardia, a simples proibição não elimina a demanda do público, apenas a transfere para a clandestinidade, retirando a proteção do consumidor e anulando a capacidade de fiscalização do Estado.
“O problema está no jogo ilegal, e não naquele que segue todas as regras”, afirma o autor.
O impacto devastador do mercado clandestino
Enquanto um grupo seleto de 87 empresas cumpre rigorosamente as exigências legais vigentes, uma infinidade de plataformas ilícitas age sem qualquer regulamentação.
Estas empresas clandestinas não recolhem impostos, permitem o acesso de menores de idade, aceitam recursos de programas sociais e costumam cometer fraudes contra os usuários.
De acordo com Cardia, essa manobra sufocaria as “empresas corretas e autorizadas de funcionar”, pois as taxas exigidas atualmente já estão no limite do suportável para o mercado.
Ele encerra seu raciocínio com uma constatação sobre as propostas restritivas: “Proibir as bets, ou coibi-las com a expansão de impostos, só atende aos interesses da criminalidade, porque o mercado será tomado pelo jogo ilegal e sem qualquer controle”.
Para o especialista, apoiar o mercado regulado é o único caminho seguro para a economia e para a sociedade.
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