SBC Summit Americas 2026: Fellipe Fraga, CBO da Stellar Gaming, analisa transformação do iGaming
O SBC Summit Americas 2026 reunirá 10 mil profissionais da indústria de apostas entre os dias 9 e 11 de junho no Broward County Convention Center, em Fort Lauderdale, para palestras, negócios e networking.
Um dos palestrantes desta edição do SBC Summit Americas é Fellipe Fraga, CBO da Stellar Gaming (EstrelaBet e Vupi). Fraga integrará o painel “Strategic Shift: Transforming iGaming’s Identity for the Global Stage” em 10 de junho, ao lado de Jamie Esparza, CEO do Grupo Jer.
O SBC Notícias Brasil entrevistou Fraga para antecipar alguns dos tópicos que serão discutidos durante seu painel sobre a transformação do iGaming no SBC Summit Americas.
SBC Notícias Brasil: Na prática, quais elementos tornam uma plataforma de iGaming mais próxima do entretenimento do que de uma simples transação de aposta?
Fellipe Fraga: Uma plataforma alcança o patamar correto quando consegue compreender a importância da experiência de usuário de forma plena, que vai desde a apresentação visual até mesmo a agilidade das transações e melhores ofertas. O conceito precisa sempre se inspirar no varejo: um ambiente adequado para o seu público permite que se sinta mais confortável e divertido ali.

SBC Notícias Brasil: O que o setor pode aprender com outras indústrias de entretenimento, como gaming, esportes, mídia e streaming?
Fellipe Fraga: O esporte é uma indústria mais formal, que trabalha com o envolvimento do cliente quanto à paixão e à visão do desafio físico e mental que a competitividade exige. Da mesma forma, a mídia conecta a informação e a imaginação.
Em primeira análise, as duas nos ensinam como uma plataforma de iGaming pode trabalhar na oferta do imaginário, sendo, no nosso caso, a incerteza do futuro. Já o gaming e o streaming são, em comparação, indústrias mais modernas. Nos ensinam que é importante estar atentos às evoluções rápidas que os tempos atuais trazem e potencializa a relação cliente x produto.
SBC Notícias Brasil: Como criar uma experiência mais envolvente sem correr o risco de estimular comportamentos que podem ser considerados excessivos?
Fellipe Fraga: Quando se tem internamente a visão de que o produto é para entretenimento e diversão, naturalmente nosso pensamento encontra limites: humanamente, como adultos, lazer tem seu espaço, mas sempre de forma responsável.
Assim, a própria tecnologia é aliada ao permitir ferramentas que apontam indícios de comportamento nocivo e a comunicação direta para evitar transtornos, algo só possível dentro de operações legalizadas, que já se dispõem a comportamentos cumpridores de regras.
SBC Notícias Brasil: Quais diferenças você enxerga entre mercados latino-americanos quando se fala em engajamento, comportamento do consumidor e maturidade do setor?
Fellipe Fraga: A América Latina é um bloco, mas está longe de ser homogênea. Apesar de termos a paixão pelo esporte, em destaque o futebol, a forma como o setor se comporta varia. Enquanto no Brasil a via é quase exclusivamente digital, desde a transação até a relação com o cliente, outros países utilizam caminhos físicos, estimulados pela própria cultura que compreende os cassinos land-based.
Contudo, a tendência é uma evolução generalizada da maturidade, com um equilíbrio de tendências em um período curto, causado especialmente pela inclusão digital e pela melhoria nas telecomunicações.
SBC Notícias Brasil: Nós vimos, ao longo dos últimos anos, operadores expandirem seu portfólio para incluir jogos com elementos mais brasileiros ou latinos, num movimento descrito como ‘tropicalização’. O quão importante é disponibilizar um jogo com um cachorro vira-lata ou uma arara, por exemplo, em vez de elementos mais estrangeiros?
Fellipe Fraga: Há uns anos, era comum vermos ofertas de jogos com temas que funcionavam bem em mercados europeus e asiáticos: temas como divindades mitológicas e seres mágicos do Oriente ainda têm seu espaço. Mas ao colocar produtos que se comunicam com o público-alvo, há uma aproximação ainda melhor, porque reduz a fricção e a nomenclatura dos elementos e personagens.
Os nomes, muitas vezes estrangeiros, são substituídos por expressões locais. Um slot de origem oriental vira o “tigrinho”, um jogo sobre mitologia grega vira “velho do raio”. É praticamente um passo a mais. Quando se tem um jogo com elementos nacionais, ganha-se tempo e conexão.
SBC Notícias Brasil: Quais são os principais desafios de comunicação com o público-alvo brasileiro, num momento em que a opinião pública e uma parcela significativa dos políticos são contra o jogo?
Fellipe Fraga: O maior desafio está em mostrar que existem dois mundos distintos e conflitantes: o primeiro é o do setor regulado, com empresas sérias, comprometidas, que cumprem as demandas legais especialmente na defesa do jogo responsável e da integridade do esporte; do outro lado é o setor ilegal, que, ao meu ver, tem números ainda maiores, já que ocupam espaços de publicidade e divulgação que nós do “time regulado” não ocupamos.
Tanto a imprensa como os políticos veem tudo como uma coisa só, quando na verdade deveriam conectar mais conosco no combate a quem só causa dano, engano e não contribui com o país. Quando há a correta compreensão e esforço conjunto pela canalização correta, o público em geral passará a entender que é possível entreter com apostas, de forma responsável e equilibrada, e isso somente nas operações regulares.
SBC Notícias Brasil: A Copa do Mundo é sem sombra de dúvidas o maior evento do ano para o Brasil e outros países da América Latina. Como um operador pode se distinguir dos outros nesta briga por aquisição de clientes?
Fellipe Fraga: A paixão pelo futebol da América Latina terá a oportunidade de ter, após 12 anos, uma Copa do Mundo no seu território. Não somente tendo o México como país-sede, mas a comunidade latina nos Estados Unidos vai usufruir do evento. Para o continente, ainda há a facilidade do fuso horário, já que os jogos acontecem em horários bons para assistir.
A disputa, por assim dizer, será na forma que o cliente enxergar que a operação será um bom espaço para complementar a diversão que o evento trará: sentar com os amigos e ver um jogo pode ser ainda mais divertido quando se faz uma aposta.
SBC Notícias Brasil: Pesquisas apontam que o número de apostas ocasionais e de iniciantes deve disparar na Copa do Mundo. Como convencer esses clientes a ficarem após o fim da Copa?
Fellipe Fraga: A retenção será o grande diferencial e, consequentemente, desafio do pós-Copa. A partir da segunda fase, quando o volume de jogos diminuir, as operações terão que saber manter o cliente em contato com a marca para que ele sempre lembre dessa opção de entretenimento e da marca como escolha principal.
Para novos clientes, será importante que a marca entregue uma experiência tão positiva e fluida que, mesmo em outras competições, outros esportes ou até mesmo outro produto (como o cassino e os jogos virtuais), o cliente poderá desfrutar do lazer em um ambiente seguro e divertido.
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