Segundo presidente da ANJL, pesquisa sobre bets infla valores e aponta erro de R$ 100 bilhões

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que as apostas online teriam retirado R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em dois anos. O número ganhou repercussão imediata. No entanto, a comparação com dados oficiais e conceitos econômicos revela inconsistências relevantes na estimativa.

Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, o mercado regulado registrou receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025. Esse indicador, conhecido como GGR (Gross Gaming Revenue), representa o valor efetivamente gasto pelos usuários após o pagamento de prêmios.


Esse montante corresponde a cerca de 0,46% do consumo das famílias brasileiras. Já o cálculo da CNC sugere um volume mensal próximo de R$ 29 bilhões, o que ultrapassaria R$ 340 bilhões ao ano.

Em artigo publicado nesta quinta-feira (30) no Poder 360, Plínio Lemos Jorge (presidente da Associação Nacional de Jogos e Apostas – ANJL), aponta que a diferença entre os números evidencia uma distorção significativa na análise.

Por que os dados da CNC apresentam inconsistências

Conforme Jorge, a divergência surge da confusão entre volume movimentado e gasto líquido, dois conceitos distintos no setor de apostas. Quando misturados, eles comprometem a interpretação dos dados.


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No funcionamento das apostas, o usuário deposita um valor e realiza apostas sucessivas. Parte desse dinheiro retorna em forma de prêmio, podendo ser reutilizada ou retirada. Dessa forma, o mesmo recurso pode circular diversas vezes dentro da plataforma.

Por isso, o presidente da ANJL explica que considerar toda a movimentação como gasto definitivo gera distorções. A lógica equivale a somar todas as transações financeiras como consumo final, o que não reflete o comportamento real do usuário.

Além disso, o artigo indica que própria CNC reconhece que não há evidência direta de que famílias contraiam dívidas para apostar. Ainda assim, o estudo sugere uma relação entre crescimento do setor e aumento do endividamento, com base em uma correlação limitada.

Dados oficiais mostram perfil diverso dos apostadores

Informações do Ministério da Fazenda, compiladas pela Pay4Fun, indicam cerca de 28 milhões de apostadores no Brasil em 2025. Desse total, 53,3% gastaram até R$ 50, enquanto 19,5% superaram R$ 1.000.

Os dados mostram uma base heterogênea, com diferentes níveis de consumo. Jorge acrescenta que esse cenário contrasta com interpretações generalizadas sobre impacto financeiro uniforme.

Outro levantamento, da LCA Consultoria Econômica, aponta gasto líquido médio mensal de R$ 122 por usuário, equivalente a 3,3% da renda desse público. O indicador ajuda a dimensionar o peso real das apostas no orçamento.

Endividamento tem causas estruturais na economia

Para o presidente da entidade, o endividamento das famílias brasileiras não começou com a expansão das apostas. Fatores como juros elevados, crédito caro e renda pressionada exercem influência direta nesse cenário.

Segundo dados apresentados no estudo, o pagamento de juros consome 8,6% do orçamento familiar. No crédito rotativo do cartão, as taxas chegam a 438% ao ano, com inadimplência de 64,5%.

O valor médio da dívida negativada no país gira em torno de R$ 6.346. Em termos comparativos, seriam necessários 52 meses de gasto médio em apostas para atingir esse valor.

Enquanto isso, o custo do crédito atingiu níveis elevados em 2026. As taxas médias chegaram a 33,1% ao ano em março, o maior patamar desde 2016. Esse cenário reforça a pressão sobre o orçamento das famílias.

Além disso, mudanças no consumo também influenciam a distribuição da renda. O e-commerce de alimentos cresceu 31% em 2025, enquanto plataformas de entrega movimentaram bilhões mensalmente. Outros setores, como medicamentos, também registraram forte expansão.

O ponto central é simples: o debate público sobre apostas precisa ser feito com seriedade. Diagnósticos que ignoram a pressão do índice de comprometimento de renda causado por juros recordes para focar em bodes expiatórios não ajudam o país. As famílias brasileiras merecem políticas públicas eficazes. E políticas públicas eficazes começam por contas que fechem“, finaliza Plínio Lemos Jorge.

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