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Setor de jogos questiona o bloqueio de apostas no Desenrola 2 e culpa os juros altos pela crise das famílias

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Setor de jogos questiona o bloqueio de apostas no Desenrola 2 e culpa os juros altos pela crise das famílias

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O governo federal iniciou uma nova ofensiva contra o endividamento nacional. Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o novo programa de renegociação de dívidas traz uma exigência polêmica: o bloqueio de apostas no Desenrola 2.

A regra proíbe o acesso às plataformas de iGaming por um ano para todos os cidadãos que aderirem à renegociação.

Essa restrição surge como uma resposta do Planalto aos números alarmantes de inadimplência no país, que já atinge 81,7 milhões de brasileiros, e aos dados sobre o aumento contínuo de gastos nas chamadas bets.

Por que o governo exige o bloqueio de apostas no Desenrola 2

A justificativa oficial para a restrição ganha força em levantamentos recentes do mercado.

Desde a regulamentação do setor, os gastos mensais com jogos online dispararam 500% em três anos, ultrapassando a marca de R$ 30 bilhões apenas em março, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O estudo aponta que o dinheiro direcionado ao entretenimento não é uma sobra de orçamento, mas um desvio de recursos de contas essenciais.

A entidade estima que as plataformas retiraram R$ 143 bilhões do comércio varejista desde 2023, impactando principalmente homens acima de 35 anos e famílias de baixa renda. No entanto, o estudo foi duramente criticado por entidades do setor licenciado.

Para atrair esse público em dívida, o programa lançado nesta segunda-feira (4) oferecerá o uso de até 20% do saldo do FGTS, juros máximos de 1,99% e descontos expressivos de 30% a 90% para limpar o nome.

A resposta das plataformas e as críticas sobre os juros

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) declarou que “avalia positivamente” a intenção do governo, mas apontou “contradições extremamente relevantes na medida”.

A principal defesa do setor é que os grandes vilões do orçamento familiar continuam sendo as instituições financeiras.

“O gasto médio dos apostadores no Brasil não está, nem de longe, entre os que mais comprometem o seu orçamento familiar.

Os principais causadores do endividamento, que também afetam o consumo em outras áreas, são os juros altíssimos que a população brasileira paga, principalmente do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial”, afirma a nota da associação.

A entidade exemplifica a distorção da nova regra: “nesse sentido, apenas para ilustrar um exemplo, um cidadão que tiver R$ 20 mil em dívidas de cartão de crédito, mas tiver o hábito de apostar R$ 50 por mês, em média, sofrerá esse bloqueio se aderir ao programa.

Esse mesmo devedor, contudo, continuará tendo à disposição linhas de crédito diversas, com juros ainda mais altos, de bancos e financeiras”.

Por fim, a ANJL reforça que jogos não são investimentos e pontua que “medidas para barrar essa percepção de alguns apostadores são bem-vindas, mas desde que adotadas seguindo parâmetros lógicos e visando ao efetivo bem-estar do apostador e de forma proporcional aos efetivos causadores do endividamento da população”.

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