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Em artigo de opinião, fundadoras da AMIG falam sobre os riscos escondidos no fim das bets

Em artigo de opinião, fundadoras da AMIG falam sobre os riscos escondidos no fim das bets

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Em um texto recente publicado na Folha de S. Paulo, as fundadoras da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) entraram no debate nacional sobre o mercado de apostas.

Juntas, Ana Hoefel Pamplona, Ana Bárbara Teixeira, Bárbara Teles, Natália Nogues e Teresa Caeiro publicaram um artigo de opinião focado em rebater a campanha levantada por políticos e artistas famosos que pedem o fim das bets.

De acordo com elas, a discussão atual ganhou um tom exagerado e precisa ser tratada com mais racionalidade.

As executivas reconhecem que a expansão acelerada das plataformas online gerou desafios emocionais e problemas de endividamento para parte dos consumidores, mas alertam que banir a atividade de forma generalizada está longe de ser a solução ideal para proteger a população.

Por que o fim das bets legalizadas ameaça a segurança do consumidor

Na opinião das autoras, o país passou anos em uma situação muito pior, onde empresas estrangeiras lucravam sem pagar impostos ou seguir regras locais.

“O Brasil já conviveu durante anos com apostas funcionando numa zona cinzenta. Empresas em paraísos fiscais anunciavam para brasileiros, patrocinavam clubes brasileiros e movimentavam dinheiro de brasileiros, e o dinheiro ficava lá fora”, citam.

Hoje, com o setor operando sob normas governamentais rígidas, o cenário é outro. As representantes destacam que extinguir as plataformas regularizadas significa destruir as próprias ferramentas de proteção que o Estado acabou de criar.

“Reconhecimento facial, veto a menores de idade, proibição do cartão de crédito, mecanismos de autoexclusão, regras de prevenção à ludopatia, veto a usuários do Bolsa Família e do Desenrola, fiscalização e punição a quem descumpre a lei.

São mecanismos que podem ser aperfeiçoados. Mas eles estão aí. Sem eles, o que sobra não é um país sem apostas, mas de apostas sem controle”, explicam.

Para ilustrar o argumento, o texto traça um paralelo com a indústria de bebidas alcoólicas, lembrando que a sociedade combate os abusos do álcool criando limites comerciais, e não proibindo a venda.

Arrecadação bilionária e o avanço preocupante dos sites clandestinos

O documento também foca nos impactos econômicos e na criminalidade. Mesmo com um sistema funcionando, o governo derrubou milhares de endereços ilegais recentemente.

Na opinião das autoras, proibir as operadoras oficiais seria apenas um atalho para entregar os torcedores nas mãos de golpistas que não prestam contas a ninguém.

Outro problema apontado pelas profissionais é o rombo financeiro que essa medida causaria.

O país arrecadou bilhões em impostos no último ano. Sem esse dinheiro, o governo teria que aumentar tributos em outras áreas ou cortar gastos essenciais.

As executivas concluem que a proibição até renderia popularidade na internet para algumas figuras públicas, mas deixaria o mercado inteiro livre para operadores ocultos.

“Os parlamentares ganharão alguns votos, os artistas ganharão likes — e o operador ilegal ganhará um mercado inteiro para explorar. Sem controle nenhum”, finalizam.

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