A evolução das camisas das seleções campeãs mundiais ao longo das Copas do Mundo: França

Até a Copa do Mundo de 1958, os uniformes da seleção francesa eram fornecidos pela Allen, uma fabricante de equipamentos esportivos sediada em Paris, que também foi a responsável pela confecção da bola do Mundial de 1938, disputado na França. Ausente na edição de 1962 do torneio, realizada no Chile, o time francês só voltou a disputar a competição da Fifa em 1966, época em que a Le Coq Sportif produzia os uniformes para a seleção.

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A Copa do Mundo de 1970 foi a última em que a França vestiu uniformes fabricados por uma marca nacional. Isso porque, a partir de 1972, a Adidas fechou um acordo junto à Federação Francesa de Futebol (FFF) para fornecer o material esportivo da seleção.

Réplica da camisa usada pela seleção francesa na Copa do Mundo de 1970 – Reprodução

A relação da marca das três listras com a seleção francesa durou até 2010, com o Mundial da África do Sul representando a última Copa do Mundo em que a França vestiu uniformes da empresa alemã. Isso porque, em 2011, a Nike assumiu o fornecimento da FFF após vencer um processo oficial de licitação iniciado em 2008.

Camisa usada pela seleção francesa na Copa do Mundo de 2010 – Reprodução

Para ganhar a disputa, a marca norte-americana apresentou uma proposta de € 42,6 milhões anuais, valor fora dos padrões para os acordos da época. Esse montante ainda subiu para cerca de € 50,5 milhões após a renovação da parceria para o período entre 2018 e 2026.


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Por último, em um movimento para manter as parcerias no mercado europeu, considerando o interesse constante das rivais Adidas e Puma em oportunidades de assumir novos ativos, a FFF e a Nike oficializaram a renovação da parceria até a temporada de 2033/2034. Segundo o jornal francês L’Équipe, o novo vínculo renderá € 100 milhões anuais à entidade.

Impacto comercial

Do ponto de vista comercial, o uniforme da França se consolidou como um item de amplo consumo, principalmente a partir da Copa do Mundo de 1998, sediada e vencida pelo país. Balanços comerciais da Adidas indicam que os uniformes dos “Bleus” respondiam por cerca de 20% do faturamento da marca na França. 

Além disso, reportagens da época mostravam que lojas esportivas de todo o país estavam perto de ficar sem estoque do modelo usado pela França no Mundial de 1998. Esse grande volume de interesse pela camisa gerou um aumento de cerca de 40% nas vendas do uniforme francês durante o torneio, sendo que foram comercializadas aproximadamente 400 mil camisas da seleção no ano da Copa do Mundo.

Zinedine Zidane veste a camisa da seleção francesa usada na Copa do Mundo de 1998 – Reprodução

Além disso, o mercado também aprendeu a explorar recursos de escassez programada para valorizar o apelo da marca e gerar mais desejo pelos produtos da seleção. No centenário oficial de fundação da FFF, em 2019, a Nike lançou uma camisa comemorativa focada no estilo retrô. Com a logomarca camuflada para dar destaque ao escudo do galo francês histórico e uma produção limitada a 7 mil unidades globais, o modelo esgotou em pouco tempo.

Estética

A questão estética das camisas da França passou por mudanças nas últimas décadas. Durante toda a era da Adidas, o foco se voltava à tradição visual e ao desenvolvimento de inovações tecnológicas de performance têxtil. Modelos como o da Copa de 1986, com as três listras nos ombros, e a camisa de 1998, com uma larga faixa horizontal vermelha no peito e listras brancas, marcaram época pelo apelo esportivo e pela forte associação às gerações vencedoras.

O Mundial de 2006 também aumentou o destaque visual do uniforme branco reserva, associado à campanha do vice-campeonato e ao retorno de Zinedine Zidane como titular e peça importante do time francês, já que disputou apenas um jogo na Copa do Mundo de 2002 por conta de uma lesão sofrida em um amistoso pouco tempo antes do início do torneio.

Zinedine Zidane em ação com a camisa reserva da seleção francesa na Copa do Mundo de 2006 – Reprodução

Com a entrada da Nike em 2011, a estratégia estética mudou, buscando transformar a camisa da seleção francesa em uma peça de moda e lifestyle, com foco em ir além do uso exclusivo nos gramados. O primeiro impacto aconteceu com o lançamento do uniforme reserva para a temporada 2011/2012, que foi batizado de “Marinière”. 

Inspirada no imaginário da marinha francesa e nas criações do estilista Jean-Paul Gaultier, a camisa branca com listras horizontais azuis foi criada como uma peça de lifestyle para ser usada de maneira casual com calças jeans, aproximando o universo do futebol com a moda urbana.

Lifestyle

A estratégia de unir o futebol à cultura urbana e à estética da moda continuou no uniforme da França para potencializar o apelo comercial dos modelos. No ciclo da Copa do Mundo de 2018, a campanha de apresentação dos uniformes envolveu figuras fora do universo esportivo, como o fotógrafo Jean-Paul Goude, o designer Simon Porte Jacquemus, o rapper Niska e a atriz Oulaya Amamra.

A coleção apostava na mensagem interna “Nos différences nous unissent” (“Nossas diferenças nos unem”, em tradução livre), com camisas que ilustravam a bandeira tricolor francesa de forma elegante e traziam referências à arquitetura “art déco” e a padrões têxteis ligados à identidade do país.

No Mundial do Catar, em 2022, o uniforme reserva buscou referências no patrimônio nacional, utilizando inspiração no estilo clássico de estampas “toile de Jouy”, com imagens do Arco do Triunfo e o tradicional galo francês.

Copa do Mundo de 2026

Para o Mundial de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, as estratégias narrativas em torno da camisa da França focaram na diplomacia com os norte-americanos. As novas peças foram criadas com referências visuais à Estátua da Liberdade, um presente histórico do governo francês aos Estados Unidos.

Camisa que será usada pela seleção francesa na Copa do Mundo de 2026 – Reprodução

O uniforme titular mantém o padrão azul tradicional da camisa francesa, apresentando o escudo da FFF e o tradicional “Swoosh” da Nike em um efeito metálico, além de uma gola polo branca. Já a camisa reserva, batizada de “Liberté”, adota uma cor verde mais clara como uma referência à coloração da Estátua da Liberdade, além de estampar a coroa do monumento na parte interna da gola.

A campanha do uniforme, chamada de “Libres de jouer” (“Livres para jogar”, em tradução livre), incorporou referências intelectuais e versos do poema “Liberté”, escrito por Paul Éluard. Com isso, os uniformes da França para 2026 buscam se conectar com o universo da moda urbana global, indo além do nicho de torcedores tradicionais e usando a cultura do streetwear para aumentar a rentabilidade da coleção.

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Desde 2011 como parceira da Nike, seleção francesa já teve uniformes produzidos tanto por marcas nacionais, como Allen e Le Coq Sportif, quanto por outras empresas globais, como a Adidas
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