A proposta de delação premiada de Beto Louco, apontado como suposto operador financeiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) reacendeu, entre representantes do setor de apostas, discussões sobre a circulação de recursos por meio de plataformas ilegais no Brasil.
Segundo a coluna Painel S.A., do jornal Folha de S.Paulo, empresas regulamentadas do mercado lembraram uma iniciativa realizada no início de 2025 para rastrear, por conta própria, depósitos enviados a sites ilegais de apostas.
De acordo com o artigo, Beto Louco se ofereceu para fornecer informações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro investigado na Operação Carbono Oculto, a maior ação coletiva contra o crime organizado no Brasil, incluindo a eventual participação de servidores públicos e magistrados do estado de São Paulo.
Ainda segundo a coluna Painel S.A. da Folha, executivos de casas de apostas legalizadas realizaram transferências via Pix para plataformas ilegais com o objetivo de mapear o destino dos valores. O monitoramento teria levado à identificação de 10 fintechs envolvidas na movimentação desses recursos. As informações foram apresentadas ao governo federal, que teria sinalizado que analisaria o material, mas a Operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025, antes do governo poder oferecer uma resposta.
Representantes do setor disseram à Folha que três das 10 fintechs identificadas no levantamento apareciam entre os alvos de mandados de busca e apreensão da operação. A Carbono Oculto teve como foco apurar um esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com suspeitas de ligação com o PCC.
Operação Carbono Oculto mostrou a força do mercado ilegal de apostas
Na avaliação desses representantes, o episódio ilustra a dificuldade enfrentada pelo mercado regulado e pelas autoridades para conter a atuação de sites ilegais de apostas. Segundo eles, o mercado clandestino ainda concentra um volume de apostas próximo ao do setor formal no país.
Conforme os relatos, parte dos valores depositados em plataformas ilegais teria como destino esquemas de lavagem de dinheiro, enquanto outra parcela estaria ligada a fraudes contra consumidores. Essas operações, segundo o relato, costumam usar endereços hospedados fora do país e são promovidas nas redes sociais, em alguns casos com apoio de influenciadores.
Embora a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) atuem na identificação e no bloqueio de sites ilegais — tendo derrubado mais de 29 mil sites desde 2025 —, representantes do setor afirmam que esse processo muitas vezes ocorre apenas após os prejuízos aos usuários.
Segundo eles, depois do bloqueio, os responsáveis pelas plataformas retiram o site do ar, mantêm os valores recebidos e retomam a atividade pouco tempo depois sob outro domínio e outro nome.
A Lei Raul Jungmann, recentemente sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode mudar os rumos do combate ao mercado ilegal de apostas, já que instituições financeiras, instituições de pagamento e instituidores de arranjos de pagamento deverão bloquear contas ligadas ao mercado ilegal.
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A proposta de delação premiada de Beto Louco, apontado como suposto operador financeiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) reacendeu, entre
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