Hugo Baungartner, Chief Business Officer (CBO) do Grupo Esportes Gaming Brasil, proprietário das marcas Esportes da Sorte, Onabet e Lottu, concedeu entrevista exclusiva ao SBC Notícias Brasil. O executivo, que possui três décadas de experiência no setor, destacou a importância da estabilidade e os riscos da insegurança jurídica no mercado de apostas.
Além disso, Baungartner comentou a remoção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre apostas online, denominada CIDE-Bets, do PL Antifacção e as oportunidades pouco exploradas no segmento.

Crédito: Esportes Gaming Brasil
SBC Notícias Brasil: Recentemente, você esteve no SBC Summit Rio debatendo sobre a cobrança de impostos sobre as apostas no Brasil. Quais os pontos dessa discussão que você considera os mais importantes?
Hugo Baungartner: O debate hoje está muito concentrado em arrecadação, mas deveria começar por compreensão do setor. Ainda existe um nível baixo de entendimento, tanto na opinião pública quanto em parte do poder público, sobre como funciona a operação das apostas reguladas.
A partir daí, o ponto central passa a ser previsibilidade. Não é possível estruturar uma operação de longo prazo em um ambiente em que regras e custos podem mudar com frequência. Regulação forte é fundamental, mas ela precisa vir acompanhada de estabilidade. Sem isso, o mercado não consegue amadurecer de forma consistente.
SBC Notícias Brasil: Como você enxerga o futuro do mercado caso o país continue a implementar e/ou aumentar impostos sobre o setor?
Hugo Baungartner: Existe um limite a partir do qual a carga tributária deixa de gerar arrecadação adicional e passa a produzir o efeito contrário.
Se o operador regulado perde competitividade, o mercado ilegal ganha espaço de forma direta. Esse é o principal risco. Plataformas clandestinas não recolhem tributos, não seguem regras e não oferecem proteção ao usuário.
Além disso, a falta de clareza sobre o horizonte tributário afeta as decisões de investimento. O capital, principalmente internacional, tende a buscar ambientes mais previsíveis. Isso impacta não só o setor, mas toda a cadeia econômica associada.
SBC Notícias Brasil: Lula sancionou a Lei nº 15.358/2026, originada do PL Antifacção – que, inicialmente, visava incluir a CIDE-Bets (tributo sobre depósitos). Qual o seu ponto de vista em relação à nova norma, que tem como objetivo combater o crime organizado e impedir a atuação de operadores ilegais?
Hugo Baungartner: O setor estar sob atenção institucional é natural nesse momento de consolidação. Medidas voltadas à proteção do consumidor e ao combate à ilegalidade são necessárias e ajudam a estruturar o mercado. O ponto de atenção é como essas medidas são desenhadas.
A retirada da CIDE-Bets foi uma decisão acertada do ponto de vista técnico. Vincular segurança pública à tributação sobre depósitos cria distorções e não ataca o problema central, que é a atuação de operadores ilegais fora do ambiente regulado.
SBC Notícias Brasil: Você acredita que a CIDE-Bets poderá se tornar pauta novamente em um novo projeto de lei? Quais serão as possíveis consequências, na sua opinião, se os depósitos dos usuários forem taxados pelo governo?
Hugo Baungartner: Esse tipo de proposta pode voltar, e o setor precisa estar preparado para discutir com base técnica.
O modelo internacionalmente adotado é a tributação sobre o GGR. Quando se passa a tributar o depósito, você altera completamente a lógica da operação. Isso impacta diretamente a experiência do usuário e a viabilidade do negócio.
A consequência mais imediata é o deslocamento do apostador para o mercado ilegal, onde não há qualquer tipo de proteção. Ou seja, você perde arrecadação e fragiliza o próprio objetivo da regulação.
SBC Notícias Brasil: De que forma o Grupo Esportes Gaming Brasil se protege diante dessa insegurança jurídica?
Hugo Baungartner: A forma de mitigar esse cenário é operar com consistência. Somos um grupo nacional, com licença do Ministério da Fazenda, e estruturamos a operação com base em conformidade, governança e transparência. Isso nos posiciona dentro do ambiente regulado com segurança institucional.
Além disso, mantemos um diálogo ativo com reguladores e associações do setor. A construção desse mercado depende de uma interlocução constante, baseada em dados e na busca por previsibilidade.
SBC Notícias Brasil: Você possui três décadas de experiência no setor de jogos, incluindo cassinos físicos. Como você enxerga o atual cenário de apostas do Brasil, considerando o que foi discutido na segunda pergunta e que o mercado ainda está em fase de maturação? De modo geral, o país está se encaminhando para um futuro de sucesso ou de preocupação?
Hugo Baungartner: O Brasil deu um passo importante ao regulamentar o setor, e isso abre um potencial relevante. Mas ainda estamos em uma fase inicial. Existe um déficit de informação sobre a atividade e um ambiente regulatório que ainda está se consolidando.
Se o país conseguir atravessar esse período com estabilidade, há espaço para se tornar um mercado de referência global. Caso contrário, com mudanças frequentes e aumento de incerteza, o risco é comprometer esse potencial antes que ele se materialize.
SBC Notícias Brasil: Do ponto de vista do desenvolvimento de negócios, como você avalia o atual estágio do mercado brasileiro de apostas? Hoje, o ambiente regulatório e competitivo cria espaço para novos empreendedores e para a expansão de empresas nacionais e internacionais?
Hugo Baungartner: O Brasil é, hoje, um dos mercados mais observados globalmente. Ao mesmo tempo, o custo de entrada é elevado. Licença, estrutura de compliance e operação exigem capital e planejamento de longo prazo. Isso naturalmente seleciona os players.
Há espaço para quem consegue combinar capacidade financeira com estratégia de produto e governança, mas a instabilidade regulatória ainda faz com que muitos operadores adotem uma postura mais cautelosa.
SBC Notícias Brasil: A indústria de apostas tem forte conexão com diferentes setores da economia. Na sua visão, quais áreas da cadeia produtiva tendem a ser mais beneficiadas à medida que o mercado brasileiro amadurece?
Hugo Baungartner: O impacto é amplo. A cadeia de tecnologia e serviços é diretamente beneficiada, porque sustenta a operação. Além disso, esporte e cultura têm um papel central nesse ecossistema.
Hoje, grande parte dos clubes das Séries A e B depende desse tipo de investimento para sua sustentabilidade. O mesmo vale para projetos culturais e eventos, que passam a contar com uma fonte estruturada de financiamento dentro de um ambiente regulado.
SBC Notícias Brasil: Quais oportunidades ainda são pouco exploradas no mercado brasileiro de apostas e quais frentes de desenvolvimento de negócios tendem a ser mais decisivas para a consolidação e a expansão do setor nos próximos anos?
Hugo Baungartner: A agenda mais relevante ainda é educação e jogo responsável. O setor precisa avançar na forma como se comunica com o usuário e na implementação de tecnologias que garantam proteção efetiva. Isso passa por ferramentas de controle, prevenção e monitoramento.
Outro ponto importante é a integração com plataformas digitais para coibir a atuação de operadores ilegais. Sem essa articulação, parte relevante do problema permanece fora do alcance da regulação.
No SBC Summit Rio 2026, que aconteceu entre os dias 3 e 5 de março, no Riocentro, no Rio de Janeiro, o SBC Notícias Brasil também conversou com Iury Tavares, gerente de Relações com a Imprensa do Grupo Esportes Gaming Brasil.
A entrevista, dividida em duas partes, abordou o crescimento do mercado de apostas no país e a expansão do evento em relação à edição inaugural, realizada em 2024. Também foram discutidas as prioridades do Esportes da Sorte para 2026, a atuação do operador em torno da Copa do Mundo e a renovação do contrato de patrocínio com o Corinthians.
A primeira parte da entrevista com Iury Tavares, do Esportes Gaming Brasil, está disponível aqui.
A segunda parte da entrevista com Iury Tavares, do Esportes Gaming Brasil, está disponível aqui.
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Hugo Baungartner, Chief Business Officer (CBO) do Grupo Esportes Gaming Brasil, proprietário das marcas Esportes da Sorte, Onabet e Lottu, concedeu entrevista exclusiva ao SBC Notícias Brasil. O executivo, que 
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