As recentes operações policiais que resultaram na prisão de dezenas de pessoas, incluindo artistas como MC Ryan SP, por suspeita de lavagem de dinheiro não causam espanto na Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
De acordo com o presidente da entidade, Plínio Lemos Jorge, as bets ilegais já representam entre 40% e 50% de toda a operação no país.
Para se ter uma noção do tamanho desse rombo financeiro, as empresas devidamente credenciadas registraram um rendimento bruto de R$ 37 bilhões no ano passado, o que indica que o setor clandestino movimenta cifras a partir de R$ 29,6 bilhões de forma totalmente invisível ao governo.
Por que as bets ilegais financiam o crime organizado no Brasil
Na visão da associação, qualquer plataforma que atue sem a autorização federal já deve ser tratada como suspeita de integrar o crime organizado.
Isso ocorre devido à enorme facilidade que esses sites têm para aplicar golpes em clientes, alterar as cotações de forma fraudulenta e permitir o acesso de menores de idade.
Para tentar conter esse avanço, o setor regulado foca no bloqueio de páginas clandestinas (derrubou 30 mil sites no ano passado e mais 8 mil neste ano) e agora trabalha para suspender cerca de 300 meios de pagamento irregulares.
Por outro lado, dentro das casas legalizadas, o processo é bem diferente.
As regras de prevenção à lavagem de dinheiro exigem, por exemplo, tecnologias de reconhecimento facial e o monitoramento constante do perfil do jogador, repassando qualquer movimentação financeira suspeita diretamente para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Além do foco em tecnologia, a ANJL aposta, igualmente, em uma parceria de educação com o Ministério do Esporte para ensinar aos jovens que repassar informações privilegiadas sobre partidas de futebol também é um crime grave de manipulação.
As dificuldades financeiras das empresas regulamentadas
Apesar dos bilhões de reais divulgados no noticiário, a realidade operacional das plataformas regularizadas é de extrema dificuldade.
Sobre as investigações de lavagem de dinheiro envolvendo empresas associadas, como a Esportes da Sorte, a entidade defende que o papel de analisar e suspender as licenças federais é exclusivo da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), garantindo a expulsão da marca caso a condenação aconteça.
Plínio Lemos Jorge alerta que as operadoras já chegaram ao seu limite máximo de impostos e de restrições de publicidade. Ele argumenta, em suma, que aumentar essas cobranças agora apenas afastaria os clientes para o mercado clandestino.
Com a atual tributação de 13% sobre o rendimento bruto, somada aos impostos normais de qualquer empresa, a margem de lucro despencou.
O executivo avisa que o público sentirá essa crise comercial em breve com a redução dos grandes patrocínios no futebol, e resume de forma direta o choque de realidade do setor: “O pessoal achava que era ligar a chave e sair ganhando dinheiro. Mas é difícil, não é fácil”.
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