Futebol europeu cresce e fatura € 40,2 bilhões em 2024/2025, mas encara tendência de queda
O futebol europeu atingiu um novo patamar financeiro na temporada 2024/2025 ao ultrapassar € 40,2 bilhões em receitas acumuladas. A 35ª Análise Anual das Finanças do Futebol, realizada pela consultora Deloitte, apontou para um crescimento de 6%, partindo de € 38 bilhões.
As cinco principais ligas do Velho Continente foram o principal motor do resultado. Juntas, Premier League, Bundesliga, LaLiga, Serie A Italiana e Ligue 1 foram responsáveis por faturar € 21,6 bilhões, o equivalente a 53,7% do total.
Mesmo com o recorde de faturamento, a Deloitte projeta uma tendência de desaceleração ou até mesmo de retração para as próximas temporadas, o que pode indicar um limite do potencial de arrecadação do formato atual seguido pelos campeonatos nacionais no continente.
A expansão dos torneios organizados pela Uefa e pela Fifa foi um dos fatores que impulsionaram as receitas das equipes de elite. No entanto, executivos da Deloitte acreditam que o futebol europeu não deve basear o crescimento apenas a partir do aumento no número de partidas e que um calendário muito cheio prejudica o nível esportivo das competições, o que prejudica o “espetáculo”.
“Essa abordagem, sem uma mentalidade coletiva de todos os detentores de direitos, corre o risco de priorizar o lucro a curto prazo em detrimento da prosperidade a longo prazo”, avaliou Tim Bridge, sócio líder do Grupo de Negócios Esportivos da Deloitte.
O crescimento dos esportes norte-americanos, principalmente a expansão das grandes ligas para a Europa, como estudado pela NBA, por exemplo, também é considerado como um potencial competidor.
“Agora é o momento para os líderes se concentrarem na diversificação dos modelos de negócios, colaborando uns com os outros em um plano compartilhado para o futuro. Liderança forte e inovação, alicerçadas em uma regulamentação adequada, são fundamentais”, acrescentou Tim Bridge.
Ligas
A Premier League seguiu com a liderança econômica isolada na Europa, com € 8 bilhões em receitas, o que representa um aumento de 8%. O resultado foi alavancado pela arrecadação com bilheteria, que superou € 1,19 bilhão pela primeira vez.
Os ganhos patrocínios também foram responsáveis por impulsionar a receita total. Mesmo assim, os investimentos em transferências de atletas aumentaram o prejuízo da Premier League, de € 160,6 milhões para € 1,12 bilhão na temporada 2024/2025. O endividamento líquido dos clubes do Campeonato Inglês, então, seguiu em € 4,28 bilhões.
A LaLiga, da Espanha, foi a segunda maior força de arrecadação, com € 4,1 bilhões. Mais da metade desse montante foi gerada pelas operações de Real Madrid e Barcelona.
A Bundesliga, da Alemanha, superou a marca de € 4 bilhões, tendo os acordo de direitos de transmissão como principal motor. Enquanto isso, a Serie A Italiana faturou € 3 bilhões.
Por fim, a Ligue 1 francesa sofreu uma queda de 15% na receita, fechando o ciclo com € 2,2 bilhões. O resultado foi consequência da retração de uma série de contratos comerciais, que acompanharam a saída dos principais talentos nos últimos anos.
Ao somar os balanços operacionais das cinco ligas, o prejuízo acumulado antes dos impostos registrou um aumento que variou entre € 800 milhões e € 1,5 bilhão.
A dependência financeira nas divisões de acesso
O cenário econômico fora da elite apresentou sinais de crise. A segunda divisão inglesa, conhecida como Championship, teve uma queda de 2% em suas receitas totais, recuando para 942 milhões de libras. Foi a primeira retração operacional do torneio desde a crise sanitária global. Simultaneamente, a folha salarial da competição continuou subindo e atingiu o recorde de 903 milhões de libras, aprofundando o déficit dos participantes.
Ao analisar esse quadro específico, Bridge indicou que o agravamento do balanço financeiro das divisões de acesso evidencia uma dependência de injeções de capital externo para manter a liquidez das operações. Para reverter o quadro, o especialista sugeriu que os clubes precisam reestruturar seus departamentos comerciais e buscar estratégias integradas que ajudem a diminuir o abismo econômico em relação à primeira divisão.
Crescimento e desigualdade no feminino
O futebol feminino teve a maior evolução percentual do relatório, com a Women’s Super League registrando 39% de crescimento no faturamento e arrecadação de € 107 milhões.
Os 12 clubes que disputam o Campeonato Inglês feminino ultrapassaram € 1,19 bilhão em arrecadação, a partir da chegada de novos patrocinadores e acordos de direitos de transmissão, além do crescimento do público nos estádios.
“Com o investimento contínuo na WSL, as expectativas recaem sobre os clubes para que expandam negócios, adaptem modelos operacionais e, simultaneamente, engajem fãs e parceiros”, comentou Jennifer Haskel, líder de conhecimento e insights do Deloitte Sports Business Group.
Ainda que tenha registrado um crescimento acentuado, a Women’s Super League segue com grande desigualdade financeira entre as equipes. Os quatro clubes com melhores condições concentram 71% das receitas geradas.
A diferença entre o líder e o último colocado ficou ainda maior, passando de 13 para 16 vezes em apenas um ano.
“Isto aponta para um momento crítico para as ligas profissionais. As receitas, a visibilidade e a viabilidade comercial continuam a crescer, mas o desafio permanece em traduzir esse ímpeto em toda a pirâmide do futebol, resultando numa experiência consistente e cativante para os torcedores”, seguiu Jennifer Haskel.
“A próxima fase de crescimento exigirá investimento coletivo de clubes, parceiros e adeptos para intensificar a competição entre as equipas e lançar as bases para um crescimento sustentável”, concluiu.
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35ª Análise Anual das Finanças do Futebol, realizada pela Deloitte, projeta desaceleração e até retração nas próximas duas temporadas
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