Ainda estamos em abril, mas o ano já está para lá de agitado no futebol paulista. Três dos quatro grandes clubes do estado realizarão eleições para a escolha das novas diretorias no fim de 2025: Corinthians, Santos e São Paulo.
A exceção é o Palmeiras, em que o substituto da presidente Leila Pereira será definido apenas no fim de 2027.
A equipe alviverde, que atualmente lidera a Série A do Brasileirão, acabou de conquistar o Paulistão, tem disputado os principais títulos do país (e do continente) e está com as finanças em ordem, pode ser considerado uma espécie de oásis de calmaria em comparação aos rivais no estado, a despeito de eventuais polêmicas envolvendo as discussões relativas a um (cada vez mais improvável) eventual terceiro mandato da dona da Crefisa à frente do clube (Leila está no cargo desde 2021).
Já Corinthians, Santos e São Paulo deverão ter disputas para lá de acirradas (pelo menos nos discursos, não sabemos se no voto) e que podem, em alguns casos, ser marcadas pela judicialização.
Corinthians
Tanto o Timão quanto o Tricolor vêm de recentes processos de impeachment dos presidentes escolhidos nas eleições realizadas há três anos.
No caso do Corinthians, Osmar Stabile assumiu primeiro como presidente interino, em substituição a Augusto Melo, e depois foi escolhido para ocupar o cargo em definitivo, até o fim deste ano, em uma eleição indireta promovida pelo Conselho Deliberativo, então comandado por Romeu Tuma Júnior.
No começo, a relação entre os dois dirigentes era muito próxima, mas aos poucos foi se deteriorando.
A ruptura final ocorreu no último dia 9 de março, durante uma Assembleia Geral do Conselho Deliberativo, que discutiria a reforma no Estatuto do Corinthians.
Osmar Stabile compareceu e acusou Tuma Júnior de tentar interferir na gestão da diretoria e de o haver ameaçado durante o jantar em uma pizzaria localizada nas dependências do Parque São Jorge.
Por conta do tumulto, essa reunião acabou sendo suspensa. No dia 23 de março, Stabile convocou outra reunião para debater o afastamento cautelar de Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo, sob o argumento de que ele teria cometido irregularidades na discussão da reforma estatutária.
Ao todo 137, dos 290 conselheiros, compareceram à reunião, dos quais 115 votaram a favor da saída de Tuma Júnior.
Quem preside o Conselho?
A diretoria, comandada por Stabile, entende que Tuma Júnior não manda mais no órgão. A opinião, no entanto, não é unânime dentro do clube.
Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, é um dos que discordam da tese de que a votação foi válida.
Nesta semana, após a Justiça conceder uma liminar suspendendo uma nova reunião que debateria a reforma do Estatuto do clube, Romeu Tuma Júnior decidiu anunciar que estava se afastando temporariamente do cargo de presidente, posto que passou a ser ocupado por Pantaleão.
Antes de sair, porém, Tuma Júnior aproveitou para disparar contra Stabile, chamando-o de traidor. O cartola optou por não responder ao ataque.
A situação atual do Conselho pode ser resumida da seguinte forma: enquanto Tuma Júnior acredita que pode retomar a presidência do órgão a qualquer momento, Stabile e seu grupo alegam que ele foi afastado da função do voto e não teria como retornar.
Contas
Garantir o controle do Conselho Deliberativo é fundamental para Stabile e o grupo que orbita a seu redor no Corinthians.
O órgão será responsável por analisar e votar, dentro de alguns dias, o balanço financeiro do clube, que acumula um passivo superior a R$ 3 bilhões. Uma rejeição pode custar o mandato de Stabile.
Outro complicador é o pedido de impeachment apresentado por um grupo de conselheiros do Timão pela prática de gestão temerária.
O principal foco da denúncia, divulgada inicialmente pelo portal UOL, é o uso do Parque São Jorge (sede do clube) como garantia em uma transação tributária feita pelo Corinthians com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), para a renegociação de uma dívida de R$ 1,2 bilhão.
Entre os signatários do pedido de impeachment está Antonio Roque Citadini, ex-vice-presidente do clube.
Andrés Sanchez
Enquanto Stabile e Tuma Júnior se digladiam, Andrés Sanchez vive seus momentos derradeiros no Timão. Nesta semana, a Comissão de Ética do Corinthians aprovou por unanimidade o parecer pela expulsão do ex-dirigente, por conta do escândalo envolvendo o uso indevido de cartões corporativos do clube na época em que esteve na presidência.
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A Renovação e Transparência, grupo liderado por Andrés, comandou o Corinthians de 2007 a 2022, até ser derrotado por Augusto Melo, que depois sofreria impeachment e perderia o mandato.
A expulsão ou não do ex-cartola e ex-deputado será decidida pelo Conselho Deliberativo.
Santos
Por falar em gestão temerária, esta também é a acusação feita por Ivan Luduvice contra Marcelo Teixeira, atual presidente do Santos.
Na notícia de fato encaminhada ao Ministério Público da Comarca de Santos (SP), o pré-candidato da oposição cita recentes atos tomados pelo mandatário do clube, incluindo o aumento do passivo, que chegou a R$ 998,5 milhões no ano passado (segundo o balanço aprovado pelo Conselho Deliberativo na semana passada), e a utilização do Centro de Treinamento (CT) Meninos da Vila como garantia para o pagamento da dívida de direitos de imagem do atacante Neymar, avaliada em R$ 90 milhões.
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São Paulo quer pedir Bis
O contrato de naming rights do Morumbis, fechado pelo São Paulo com a Mondelez, está previsto para ser encerrado no fim deste ano.
Ao que tudo indica, porém, a parceria caminha para ser renovada. A coluna apurou que o clube tem conversado com outras marcas, mas a prioridade é manter Bis no nome do estádio por mais um ciclo.
O contrato foi firmado na gestão de Julio Casares, que depois sofreu impeachment e acabou renunciando ao cargo em janeiro deste ano.
Punição a Abel não deve ser caso isolado
Engana-se quem acredita que a punição mais rígida aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ao técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, será um caso isolado.
A tendência é de que o órgão passe a agir com mais rigor em relação a membros de comissões técnicas, jogadores e dirigentes que colocarem em xeque a lisura do campeonato ou atacarem as decisões das arbitragens.
A postura tem a ver com a lógica de valorizar o campeonato como produto. O entendimento é de que os ataques servem para colocar em dúvida a credibilidade da competição, o que acaba por gerar desinteresse por parte do público.
Vale destacar que punições duras contra esse tipo de queixa são comuns na NBA, na Premier League e na LaLiga.
Patrocínios sob risco
Enquanto a Fatal Model e sua plataforma de conteúdo adulto FatalFans seguem fechando patrocínios a clubes e divulgando sua marca em estádios, esse tipo de publicidade passa a enfrentar sérios questionamentos.
De acordo com o GE, o Consórcio Maracanã, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e a Fatal Model foram multados pela veiculação de conteúdo publicitário de natureza adulta durante a final do Campeonato Carioca deste ano.
As multas totalizam quase R$ 900 mil e trazem uma interrogação quanto ao futuro desse tipo de patrocínio no futebol brasileiro.
Vale lembrar que a plataforma de acompanhantes Skokka também atua no país, com patrocínio ao Vitória, clube que já foi parceiro da Fatal Model.
Apostas na mira
Ao mesmo tempo, os patrocínios das casas de apostas também estão na mira dos políticos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem subido o tom contra as empresas do setor, sugerindo que elas deveriam ser proibidas.
O petista deve tentar tornar esse tema uma das principais pautas de sua campanha à reeleição.
Enquanto isso, a Câmara Municipal de Belo Horizonte (MG) votará, dentro das próximas semanas, dois projetos que restringem a publicidade das casas de apostas na capital mineira.
Além de sediar três clubes que têm patrocínio máster de bets, a cidade costuma receber jogos de outras equipes que igualmente trazem marcas de apostas estampadas na camisa.
Não se pode esquecer de que as propagandas de empresas do setor são predominantes nos painéis de led nos estádios e mesmo nas propriedades publicitárias dos principais campeonatos do país.
Se a lei passar, isso representará uma dor de cabeça e tanto para os cartolas e as casas de apostas.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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Corinthians, Santos e São Paulo elegerão novas diretorias no fim deste ano, em processos que tendem a ser acirrados e marcados por denúncias
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