O Instituto de Jogo Responsável (IBJR) notificou formalmente a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) na segunda-feira, 27. No documento, o IBJR cobrou transparência metodológica e acesso aos dados utilizados no estudo que relaciona o endividamento no Brasil às apostas online.
A CNC tem cinco dias úteis para disponibilizar a base de dados completa, indicando fontes primárias e secundárias utilizadas no estudo, e a descrição da metodologia aplicada, incluindo variáveis consideradas e hipóteses testadas.
O que o IBJR afirma
Segundo o IBJR, a pesquisa foi baseada em suposições, as quais não correspondem aos dados oficiais do mercado. O material também foi citado na justificativa do Projeto de Lei nº 1.808/2026, que prevê a proibição integral da exploração do setor no país.
Além de destacar que o varejo deixou de faturar mais de R$ 100 bilhões em 2024 devido às apostas online, o estudo reforçou — e foi apontado no PL — que os brasileiros destinaram R$ 240 bilhões à indústria no mesmo ano, associando-a a problemas de dependência (ludopatia), de endividamento e de impactos socioeconômicos significativos.
“Em termos econômicos, as bets funcionam como mecanismo de drenagem da renda disponível, comprimindo a demanda em setores de consumo, reduzindo circulação de riqueza na economia real e afetando cadeias produtivas muito mais intensivas em emprego do que o mercado digital de apostas”, justificou a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) no documento.
Para o IBJR, as conclusões divulgadas pela CNC não estão alinhadas às métricas oficiais utilizadas para acompanhar o desenvolvimento do mercado de apostas no Brasil. A entidade mencionou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), reforçando que o setor gerou, no primeiro ano de regulamentação, R$ 37 bilhões em receita bruta total (GGR).

“Esse valor, que corresponde ao arrecadado descontando os prêmios pagos aos apostadores, evidencia que a estimativa da CNC de R$ 240 bilhões destinados às apostas é insustentável na realidade. Além disso, a SPA reportou que 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas no período, reforçando a necessidade de tratar o mercado com base em fatos e regulação estrita, não em especulações que fundamentam propostas extremas de banimento”, afirmou o IBJR em comunicado oficial.
O IBJR também utilizou o recente estudo da LCA para demonstrar o impacto do setor sobre a economia nacional: “Se as famílias tivessem dedicado 100% de seus gastos líquidos com apostas para quitar as próprias dívidas, o endividamento total diminuiria em menos de 0,5 ponto percentual”.
Dados do Banco Central do Brasil (BCB) e de pesquisas anteriores da CNC indicam que o percentual de endividamento das famílias brasileiras permaneceu estável entre 2022 e 2024. O IBJR destacou que a Nota Informativa SEI nº 574/2024/MDIC reforçou esse cenário ao apontar não haver indícios de impacto relevante na relação entre apostas e endividamento.
“O IBJR reitera seu compromisso com o diálogo transparente e construtivo. A associação reconhece o grande valor da pesquisa empírica, contudo, defende que a pauta acerca do mercado brasileiro plenamente regulamentado e fiscalizado exige o máximo de responsabilidade, transparência metodológica e dados que reflitam a verdadeira realidade econômica do país”, concluiu o IBJR.
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