Depois de superar as candidaturas de Los Angeles e Dallas, a região das cidades de Nova York e Nova Jersey foi escolhida para receber a final da Copa do Mundo de 2026. A decisão da Fifa se baseou não apenas na infraestrutura de ponta oferecida pela sede, mas também pela narrativa de convergência global criada pelo comitê organizador local, que destacou, principalmente, a diversidade cultural e demográfica da região como um fator que pode ajudar na recepção de torcedores de diferentes países.
Ao garantir a final da Copa do Mundo, que será disputada no dia 19 de julho no MetLife Stadium, além de outros sete jogos do torneio, a região ainda se posicionou como o principal centro midiático do Mundial. Isso porque as cidades, que já são um lugar turístico em condições normais, devem receber um grande volume de pessoas e ativações de marca durante o evento, tornando-se uma vitrine global da competição, com um impacto econômico projetado em mais de US$ 3,3 bilhões.
Cultura esportiva
A relação do público de Nova York e Nova Jersey com o esporte ainda acontece de forma complexa. Isso porque, apesar de grande parte da população ser fiel às franquias das cidades nas quatro principais ligas norte-americanas (NFL, MLB, NBA e NHL), a região também abriga uma base demográfica multicultural relevante que consome futebol há décadas e busca transmitir essa paixão de geração em geração.
Além disso, Nova York ainda sustenta o título informal de “Capital Mundial dos Esportes” por ser uma das poucas metrópoles que abriga pelo menos duas equipes em cada uma das principais ligas profissionais, além de um Grand Slam de tênis, o US Open, e uma das Maratonas mais importantes do mundo, que faz parte do grupo seleto das Majors.
Outro fator que impacta na relação da cidade com o esporte é o fato de que muitas entidades esportivas norte-americanas e até mesmo internacionais estabelecem seus escritórios corporativos em Nova York por conta da relevância do local como um dos grandes centros empresariais do mundo.
Em relação às franquias, no beisebol, a rivalidade entre New York Yankees e New York Mets movimenta centenas de milhões em patrocínios e receitas com dias de jogo (matchday). Já no basquete e no hóquei no gelo, o Madison Square Garden, casa do New York Knicks (NBA) e do New York Rangers (NHL), segue como um templo do esporte norte-americano, enquanto o Barclays Center, localizado no Brooklyn, abriga o Brooklyn Nets (NBA) e o New York Liberty (WNBA).
Na NFL, o New York Giants e o New York Jets dividem não apenas a base de fãs, mas também a gestão do MetLife Stadium, que será o palco central da final da Copa do Mundo.
No entanto, a relação da região com o futebol se difere do que se vê em outras grandes metrópoles norte-americanas. Isso porque as cidades foram praticamente o berço do “soccer” como produto de entretenimento de massa nos Estados Unidos durante a década de 1970.
A “Era Cosmos”, impulsionada pela contratação de Pelé e o marketing agressivo da Warner Communications, transformou o antigo Giants Stadium em um fenômeno de público, tornando o futebol mais conhecido no país muito antes da criação da Major League Soccer (MLS).
Hoje em dia, essa herança é disputada por duas franquias da MLS com modelos de negócios diferentes. A primeira delas é o New York Red Bulls, com sua forte associação à marca de bebidas energéticas e gestão focada em formação e intensidade física, enquanto o New York City FC, que pertence ao conglomerado do City Football Group (CFG), explora a identidade urbana e cosmopolita da cidade.
Já no cenário feminino, o Gotham FC, atual campeão da NWSL, aproveita o crescimento exponencial da modalidade entre as mulheres para atrair novos investidores e parceiros comerciais.
MetLife Stadium
Durante a Copa do Mundo, o centro das atenções na cidade-sede será o MetLife Stadium, localizado em East Rutherford, em Nova Jersey. Para atender às normas da Fifa e proteger as marcas parceiras oficiais do torneio, o local adotará temporariamente o nome genérico de “New York New Jersey Stadium”.
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A arena, com capacidade para mais de 82 mil torcedores, passa por um processo de modernização liderado pela construtora Skanska. O projeto, dividido em duas fases, envolve a remoção de aproximadamente 1.740 assentos nos cantos inferiores para alargar as dimensões do campo de jogo, uma exigência técnica da Fifa que as arenas usadas por franquias da NFL terão de cumprir para o evento.
Além disso, haverá a substituição do gramado sintético por grama natural, com a instalação de sistemas complexos de irrigação e ventilação para garantir a qualidade do gramado.
Impacto econômico
No geral, o Comitê Anfitrião de Nova York e Nova Jersey estima que a Copa do Mundo gerará US$ 3,3 bilhões em impacto econômico, apoiando mais de 26 mil empregos e atraindo cerca de 1,2 milhão de visitantes. Esse volume financeiro é impulsionado não apenas pelos ingressos para os jogos, mas também por uma cadeia de serviços que inclui hotelaria, transporte e gastronomia.
O setor hoteleiro, inclusive, já reage a essa demanda. Dados de mercado indicam que as tarifas médias em Nova York, que já são as mais altas entre as sedes norte-americanas, devem sofrer reajustes significativos. Em comparação com o ciclo normal, espera-se uma inflação nas diárias superior a 300% em períodos de pico durante o torneio, criando um desafio logístico e financeiro para torcedores e delegações.
Com o objetivo de mitigar a concentração e expandir a experiência do evento, o Fifa Fan Festival oficial será realizado no Liberty State Park, em Nova Jersey. A localização é estratégica e ainda oferece a icônica vista do horizonte (skyline) de Manhattan e da Estátua da Liberdade, conectando visualmente os dois estados. A campanha de marketing “Skyline to Shoreline” (“Do horizonte à orla marítima”, em tradução livre) busca justamente integrar a sofisticação urbana de Nova York com a costa de Nova Jersey, ampliando o território de ativação para marcas patrocinadoras.
Logística
O sucesso da região como sede do Mundial ainda depende necessariamente da logística. A NJ Transit, agência de transporte público local, lidera um planejamento complexo inspirado em grandes eventos anteriores, como shows de Taylor Swift e o Super Bowl XLVIII, disputado em 2014, no MetLife Stadium.
A criação de uma via de trânsito (“transitway”) exclusiva entre a cidade de Secaucus e o estádio é uma das soluções estudadas para mover a massa de torcedores, visto que o estádio não contará com estacionamento para o público geral no Fan Festival e terá grandes restrições nos dias de jogos.
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Região que receberá a decisão do Mundial de 2026 conta com várias franquias das grandes ligas norte-americanas, além de uma ligação histórica com o futebol
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