O Conselho Deliberativo do Atlético-MG aprovou, na noite desta segunda-feira (25), em uma reunião na Arena MRV, um aporte de R$ 530 milhões com o objetivo de quitar parte das dívidas bancárias do clube. O montante altera a composição acionária da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) atleticana e dilui as ações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso desde o início de março.
O aporte havia sido anunciado por Rubens Menin no fim do mês passado, no próprio perfil do empresário no Instagram. À época, a Máquina do Esporte havia apurado, com exclusividade, que o valor a ser aportado seria próximo de R$ 500 milhões. Vale lembrar que, neste ano, ele já havia destinado outros R$ 100 milhões para a SAF.
“Quando a gente entrou nesse processo em 2019, os juros no Brasil eram muito baixos, e eles cresceram muito. Está pesando no bolso de todo mundo. Para vocês terem noção, no ano passado, nós pagamos R$ 250 milhões de juros. Isso compromete toda a estrutura do Atlético. E o que a gente quer fazer é atacar esse mal pela raiz”, afirmou o empresário, à época.
A Máquina do Esporte também havia apurado que, com os novos aportes anunciados, Rubens Menin deveria ampliar sua participação no capital da SAF atleticana, uma vez que os demais sócios não estão acompanhando o aumento nos investimentos promovido pelo empresário. E isso se confirmou.
Isso porque o novo aporte gerou um aumento de capital da SAF em R$ 436,904 milhões, impactando na porcentagem dos sócios. Agora, Rubens Menin e Rafael Menin aumentaram suas ações em 41,7%, saindo de 41,8% para 83,5%. A Associação, por sua vez, saiu de 25% para 10%, enquanto Daniel Vorcaro (Galo Forte FIP), Ricardo Guimarães e o Fundo de Investimentos do Galo (Figa), um Fundo de Investimentos e Participações Multiestratégia, passaram para 6,5%.
Parte do valor total do novo investimento (cerca de R$ 94 milhões) foi injetada via Figa. O clube mineiro antecipou esse pagamento, cujo prazo final era 1º de novembro.
Na pauta ordinária da reunião, o Conselho Deliberativo aprovou o Relatório da Administração, o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado, a Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido do exercício de 2025.
Vale lembrar que, em setembro do ano passado, o Conselho Deliberativo do Atlético-MG havia aprovado uma mudança na regra antidiluição, que autorizou a redução na participação acionária do clube associativo de 30% para 10%, de modo a permitir a entrada de novos investimentos na SAF.
“Um dia bem importante. A aprovação do aporte de R$ 530 milhões é basicamente para pagar dívidas bancárias. Quase 90% do valor. Uma pequena parte para os investimentos que já fizemos, seja nas últimas janelas, mas principalmente para o ecossistema do futebol”, afirmou Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG, em entrevista concedida à imprensa logo após a reunião.
“Em 2025, pagamos de juros quase R$ 300 milhões. Pensando em uma empresa que fatura R$ 700 milhões, ter R$ 300 milhões de juros machuca muito. Agora, com esse aporte para esse ano, estamos projetando mais ou menos metade disso. Deve ficar em R$ 150 milhões de juros”, completou.
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Montante altera composição acionária da SAF atleticana, com Rubens Menin e Rafael Menin chegando a 83,5% do total
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