Operação Narco Fluxo prende donos de fintech suspeita de processar bilhões em apostas ilegais

A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta semana, colocou no centro das investigações uma estrutura financeira suspeita de processar recursos de plataformas ilegais de apostas e de viabilizar a remessa ilegal de valores ao exterior.

Entre os alvos estão três empresários chineses ligados à fintech Golden Cat Processamento de Pagamento Ltda, apontada pela Justiça Federal como peça central no suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Xizhangpeng Hao, Sun Chunyang e Jiawei Lin tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.

Operação Narco Fluxo desmonta esquema da Golden Cat


Segundo a investigação e informações apuradas pelo jornal O Globo, a Golden Cat teria atuado na concentração de valores arrecadados por sites ilegais de apostas e na redistribuição desses recursos para dificultar o rastreamento pelas autoridades. Documentos da Justiça Federal indicam que a estrutura movimentava centenas de milhões de reais e servia de elo para o envio internacional do dinheiro. O volume transacionado pela organização, de acordo com a investigação, teria ultrapassado R$ 260 bilhões.

De acordo com a decisão judicial, Hao e Chunyang teriam estruturado a infraestrutura usada para receber e redistribuir valores pulverizados por apostadores e operadores ilegais, enquanto Lin apareceria como destinatário final de remessas e responsável pela conexão com os proprietários estrangeiros das plataformas de jogos de azar.

A investigação também cita a Cash Pay Meio de Pagamento, registrada no mesmo endereço da Golden Cat em São Paulo, como possível elo adicional entre empresas usadas para o processamento de recursos ligados ao mercado ilegal.


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Conforme a PF divulgou, mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em nove estados e no Distrito Federal (DF). Desses mandados de prisão, 33 já haviam sido cumpridos, segundo as informações do caso. A operação também apreendeu veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e um fuzil, além de resultar no bloqueio de contas bancárias e criptoativos mantidos em corretoras como Binance, Mercado Bitcoin e Foxbit.

O governo vem tentando conter o mercado ilegal de apostas. A Lei Raul Jungmann, sancionada no fim de março, autoriza bancos e instituições de pagamento a bloquear contas ligadas ao mercado ilegal de apostas.

Artistas e influenciadores também foram presos na Operação Narco Fluxo

MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, alvos da Operação Narco Fluxo.
MC Ryan SP e MC Poze do Rodo foram dois dos artistas presos na Operação Narco Fluxo. Crédito: Arquivo Pessoal

O esquema supostamente envolvia transferências para terceiros e empresas ligadas à estrutura investigada. MC Ryan SP foi descrito pelos investigadores como líder da engrenagem, enquanto seu irmão, o influenciador Mateus Magrini Santana, que também foi preso, atuava na recepção de valores e na divulgação de plataformas de apostas.

MC Poze do Rodo foi alvo de mandado de prisão preventiva por suposta ligação com empresas e estruturas financeiras ligadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e apostas ilegais.

A Operação Narco Fluxo também prendeu Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, uma das maiores páginas de notícias e entretenimento no Instagram e em outras redes sociais. A investigação apontou que Oliveira era responsável pela operação de mídia do esquema e sua função ia de publicar conteúdos favoráveis aos artistas a promover plataformas de apostas e rifas.

A PF também cumpriu mandados de prisão e de bloqueio de bens nas produtoras Love Funk e GR6, duas das maiores produtoras de funk do Brasil.

Segundo a PF, artistas, influenciadores e empresários brasileiros teriam participado da captação e da circulação de recursos no país, enquanto a estrutura corporativa controlada pelos chineses garantiria a internacionalização dos valores. As investigações estimam que o grupo movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão em dois anos. Entre os métodos apontados estão transferências fracionadas, uso de laranjas, empresas de fachada e criptomoedas, como USDT, para remessas internacionais.

A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens dos investigados, incluindo imóveis, veículos de luxo e saldos bancários, diante do risco de dissipação do patrimônio e de destruição de provas. Entre os bens citados estão automóveis avaliados entre R$ 4,8 milhões e R$ 6,9 milhões.

Após audiência de custódia, a 5ª Vara Federal de Santos manteve as prisões temporárias da maior parte dos alvos, com exceção da influenciadora Débora Paixão, que teve prisão domiciliar com monitoramento eletrônico decretada.

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narcobet, no fim de 2025, e da Operação Narcovela, em abril do ano passado. As investigações começaram após a apreensão de drogas em um veleiro, em 2023, e avançaram até identificar uma conexão entre o tráfico internacional e o uso de plataformas clandestinas de apostas para lavagem de dinheiro. Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Outro lado

Em notas enviadas à imprensa após a Operação Narco Fluxo, a defesa dos acusados afirmou não ter acesso integral aos autos e negou irregularidades. Segundo os advogados, as transações citadas seriam lícitas, teriam origem comprovada e respaldo contratual e fiscal.

As defesas informaram que os envolvidos vão se manifestar formalmente no processo após terem acesso ao conteúdo da investigação.


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