Reino Unido avalia proibir patrocínios de casas de apostas sem licença
Leia também: versão em espanhol.
O Reino Unido abriu uma consulta sobre a possibilidade de proibir patrocínios esportivos realizados por empresas de jogos sem licença britânica. A proposta poderá afetar acordos em camisas, estruturas de estádios e placas ao redor dos campos a partir de agosto de 2027.
Atualmente, clubes podem manter contratos com empresas que não possuem licença da Gambling Commission desde que essas marcas não aceitem apostas de consumidores localizados na Grã-Bretanha. O governo, porém, demonstra preocupação com o acesso a plataformas não licenciadas por meio de VPNs e com riscos associados à lavagem de dinheiro e à proteção de públicos vulneráveis.
Consulta terá impacto comercial
A consulta pública terá duração de oito semanas. Caso a proposta avance, acordos hoje permitidos poderão passar a constituir infração criminal. O alcance previsto inclui uniformes, estruturas físicas de estádios e publicidade de campo, mas não contempla inicialmente parcerias exclusivamente digitais, que dependeriam de legislação adicional.
A mudança pode atingir clubes de futebol e propriedades de Fórmula 1 e snooker. Ela também ocorre em paralelo à decisão voluntária dos clubes da Premier League de retirar marcas de apostas da parte frontal das camisas a partir da temporada 2026–2027.
Licença passa a ser critério de reputação internacional
O debate britânico mostra que a conformidade do patrocinador está se transformando em parte da avaliação de risco das próprias entidades esportivas. Não basta analisar o valor financeiro do acordo: clubes, ligas e organizadores precisam compreender em quais mercados a empresa pode operar, como controla acesso geográfico e quais políticas adota para prevenção à lavagem de dinheiro e jogo responsável.
Para marcas de iGaming, o movimento reforça a importância de vincular estratégias de patrocínio à presença regulatória. Uma empresa pode ter autorização em determinados países e, ainda assim, enfrentar restrições para ganhar visibilidade em outras jurisdições.
O assunto também interessa diretamente ao Brasil, onde o mercado regulado vem aumentando a responsabilidade de plataformas, afiliados, influenciadores, veículos e demais agentes envolvidos na divulgação de apostas. A tendência internacional é clara: publicidade e patrocínio serão avaliados cada vez mais pela origem regulatória da marca e pela capacidade de proteger o consumidor.
Fonte: The Guardian.


