O vice-presidente Geraldo Alckmin se reuniu com representantes do setor de atacarejo na segunda-feira (4) para discutir propostas relacionadas ao mercado de apostas online no Brasil. O encontro abordou medidas voltadas principalmente às operações consideradas ilegais e seus efeitos sobre a renda disponível das famílias.
Durante a reunião, o setor apresentou um conjunto de sugestões com foco em consumo e organização econômica. As propostas foram estruturadas em dois horizontes: ações de curto prazo, com previsão de até 12 meses, e medidas estruturais com prazo entre cinco e dez anos.
Quais propostas o setor apresentou ao governo sobre bets
O porta-voz das recomendações, Belmiro Gomes, CEO do Assaí e presidente do conselho da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas), apresentou os pontos centrais ao vice-presidente. A entidade reúne empresas que movimentaram R$ 370 bilhões no último ano.
Belmiro Gomes, CEO do Assaí e presidente do conselho da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas) afirmou que: “A roda da economia está travando — hoje no consumo e no endividamento das famílias. Amanhã, na economia inteira.”
A apresentação também indicou mudanças no padrão de consumo, com crescimento de canais voltados à alta renda e retração entre consumidores da classe C. O material descreve esse movimento como “efeito K”.
Gomes acrescentou: “o consumo se partiu em dois”.
O documento também aponta dados sobre o mercado digital. Conforme o material, o Brasil concentra mais de um quinto do tráfego mundial para sites de aposta. Além disso, a apresentação afirma que “métricas oficiais convivem com uma economia paralela cujo tamanho é subestimado.”
Medidas sugeridas para curto e longo prazo
No curto prazo, o setor propôs ações direcionadas ao controle de operações ilegais. Entre as sugestões estão “quatro vetores de bloqueio integrados”, que envolvem URL, Pix, publicidade e patrocínio cruzado.
O grupo também sugeriu “restrição firme à publicidade de cassino online, sem afetar quota fixa esportiva regulada”, com o objetivo de preservar contratos ligados ao esporte. Outra proposta inclui o bloqueio do Pix social para CNPJs vinculados a plataformas de apostas.
Por outro lado, as medidas estruturais apresentadas têm foco de longo prazo. O setor defendeu a criação de uma política inspirada no modelo adotado para o tabaco no Brasil.
Na apresentação, o grupo afirmou que o modelo “reduziu o tabagismo em 74% sem proibir o cigarro” ao longo de 35 anos.
O setor também sugeriu que o tema das apostas seja tratado no âmbito do Ministério da Saúde, com abordagem voltada à política sanitária. O material menciona a adoção de “linguagem clínica, foco no dano à família, sem moralismo” e a inclusão do “tratamento de ludopatia via SUS.”
Participantes e contexto do encontro
Além de Belmiro Gomes, participaram da reunião outros representantes do setor produtivo. Entre eles estavam Renato Costa, presidente da Friboi, e Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).
O encontro integra uma série de diálogos entre o governo federal e setores econômicos sobre o impacto das apostas online no país. Na segunda (4), o governo anunciou o Novo Desenrola Brasil, que coloca uma proibição de acesso às plataformas de apostas aos seus participantes por um ano.
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