Atualmente, 13 das 20 equipes do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) têm acordos de patrocínio máster com uma casa de apostas. A participação do setor, ao menos na primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol, diminuiu em relação a 2025, quando 18 clubes tinham uma casa de apostas como patrocinadora principal.
Mas o que explica esta mudança de estratégia do setor de apostas, que antes estava mais disposto a investir significativamente em clubes de futebol? O Sport Insider, veículo especializado em negócios no esporte, entrevistou representantes de quatro casas de apostas para uma matéria especial publicada no jornal Estadão.
Todos os interlocutores que conversaram com o Sport Insider falaram que houve uma busca por audiência em “nichos menos inflacionados e mais estáveis” do que o futebol. As casas de apostas menores, em particular, sofreram com o aumento de impostos.
“As empresas do setor estão reagindo com bastante preocupação ao aumento da carga tributária. Na prática, isso nos obriga a rever investimentos, especialmente no esporte, e também impacta a capacidade de ofertar, por exemplo, odds competitivas ao consumidor”, disse Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming, holding que opera as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet.
A 7K Bet, inclusive, era patrocinadora máster do Santos até janeiro, mas ambas as partes optaram por rescindir mutuamente o contrato antes do previsto.
Um dos baques financeiros sentidos pelo setor de apostas aconteceu ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei Complementar nº 224/2025, aumentando de 12% para 15%, até 2028, o valor do imposto sobre o GGR (gross gaming revenue; receita bruta de jogos).
Mercado ilegal de apostas também atrapalha

O mercado ilegal de apostas, que opera sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), também é um fator que afasta investimentos maiores no futebol.
Para representantes da indústria, a combinação entre o aumento de impostos e projetos de lei que visam estrangular o setor, como o PL que proíbe publicidade de apostas em todo o território nacional e o PL que visa proibir cashback, programas VIP e gamificação, fortalece apenas o mercado ilegal, que não paga impostos e não segue nenhuma das diretrizes de jogo responsável.
O presidente Lula também tem sido bastante crítico ao setor, sobretudo neste ano, o que aumenta este cenário de insegurança jurídica.
“Apesar da falta de divulgação pública, o setor das apostas esportivas já paga vultuosos impostos acima de 30% do faturamento das empresas. Além disso, o segmento contribui para a sociedade com a geração de empregos e o investimento de altas quantias no esporte nacional”, Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse para o Sport Insider.
“Neste momento, o principal ponto de atenção do governo brasileiro e também dos operadores deve ser o combate ao mercado ilegal, que apresenta incontáveis malefícios para todo ecossistema de betting e, especialmente, aos usuários”, concluiu.
A mandatária da SPA, Daniele Correa Cardoso, disse em entrevista recente que a pasta vai continuar combatendo o mercado ilegal. A SPA e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já bloquearam mais de 29 mil sites clandestinos desde 2025.
O setor também viu com bons olhos a Lei Raul Jungmann, que determina que bancos e instituições financeiras bloqueiem contas ligadas ao mercado ilegal de apostas.
Em fevereiro, o SBC Notícias Brasil publicou uma entrevista com o professor Michel Fauze Mattar, da FIA Business School, sobre a redução do investimento feito por casas de apostas no Brasileirão. Você pode ler a entrevista aqui.
Quer ouvir mais histórias como esta? Confira o novo canal da SBC Media no YouTube, o novo espaço dedicado a tudo relacionado à multimídia na SBC, onde nossa equipe explora em detalhes as principais notícias dos setores de apostas esportivas, iGaming, afiliados e pagamentos.
Receba um resumo com as principais notícias sobre o mercado de jogos online e de apostas esportivas no Brasil através do link. A newsletter é enviada toda segunda, terça e quinta-feira, sempre às 17 horas.
Atualmente, 13 das 20 equipes do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) têm acordos de patrocínio máster com uma casa de apostas. A participação do setor, ao menos na primeira divisão do 
Participe da IGI Expo 2026: https://igi-expo.com/


