Casas de apostas se distanciam da elite do futebol brasileiro em 2026

Atualmente, 13 das 20 equipes do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) têm acordos de patrocínio máster com uma casa de apostas. A participação do setor, ao menos na primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol, diminuiu em relação a 2025, quando 18 clubes tinham uma casa de apostas como patrocinadora principal.

Mas o que explica esta mudança de estratégia do setor de apostas, que antes estava mais disposto a investir significativamente em clubes de futebol? O Sport Insider, veículo especializado em negócios no esporte, entrevistou representantes de quatro casas de apostas para uma matéria especial publicada no jornal Estadão.


Todos os interlocutores que conversaram com o Sport Insider falaram que houve uma busca por audiência em “nichos menos inflacionados e mais estáveis” do que o futebol. As casas de apostas menores, em particular, sofreram com o aumento de impostos. 

“As empresas do setor estão reagindo com bastante preocupação ao aumento da carga tributária. Na prática, isso nos obriga a rever investimentos, especialmente no esporte, e também impacta a capacidade de ofertar, por exemplo, odds competitivas ao consumidor”, disse Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming, holding que opera as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet.

A 7K Bet, inclusive, era patrocinadora máster do Santos até janeiro, mas ambas as partes optaram por rescindir mutuamente o contrato antes do previsto.


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Um dos baques financeiros sentidos pelo setor de apostas aconteceu ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei Complementar nº 224/2025, aumentando de 12% para 15%, até 2028, o valor do imposto sobre o GGR (gross gaming revenue; receita bruta de jogos).

Mercado ilegal de apostas também atrapalha

Foto representando o mercado ilegal de apostas.
Crédito: Shutterstock

O mercado ilegal de apostas, que opera sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), também é um fator que afasta investimentos maiores no futebol.

Para representantes da indústria, a combinação entre o aumento de impostos e projetos de lei que visam estrangular o setor, como o PL que proíbe publicidade de apostas em todo o território nacional e o PL que visa proibir cashback, programas VIP e gamificação, fortalece apenas o mercado ilegal, que não paga impostos e não segue nenhuma das diretrizes de jogo responsável.

O presidente Lula também tem sido bastante crítico ao setor, sobretudo neste ano, o que aumenta este cenário de insegurança jurídica.

“Apesar da falta de divulgação pública, o setor das apostas esportivas já paga vultuosos impostos acima de 30% do faturamento das empresas. Além disso, o segmento contribui para a sociedade com a geração de empregos e o investimento de altas quantias no esporte nacional”, Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse para o Sport Insider.

“Neste momento, o principal ponto de atenção do governo brasileiro e também dos operadores deve ser o combate ao mercado ilegal, que apresenta incontáveis malefícios para todo ecossistema de betting e, especialmente, aos usuários”, concluiu.

A mandatária da SPA, Daniele Correa Cardoso, disse em entrevista recente que a pasta vai continuar combatendo o mercado ilegal. A SPA e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já bloquearam mais de 29 mil sites clandestinos desde 2025.

O setor também viu com bons olhos a Lei Raul Jungmann, que determina que bancos e instituições financeiras bloqueiem contas ligadas ao mercado ilegal de apostas.


Em fevereiro, o SBC Notícias Brasil publicou uma entrevista com o professor Michel Fauze Mattar, da FIA Business School, sobre a redução do investimento feito por casas de apostas no Brasileirão. Você pode ler a entrevista aqui.


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Atualmente, 13 das 20 equipes do Campeonato Brasileiro – Série A (Brasileirão) têm acordos de patrocínio máster com uma casa de apostas. A participação do setor, ao menos na primeira divisão do 


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