Libra completa quatro anos sem liga unificada e sob risco de implosão

A Liga do Futebol Brasileiro (Libra), que completa quatro anos neste domingo (3), tem poucos motivos para comemorar seu aniversário. O objetivo de unir os clubes para a criação de uma liga independente está longe de ser alcançado. O grupo sempre ficou bem aquém de congregar os 40 times das Séries A e B do país.

Quatro anos depois, a Libra viu seu domínio ameaçado pelo concorrente Futebol Forte União (FFU), mergulhou em críticas ríspidas entre dirigentes, brigas internas por verba de direitos de TV, insatisfação de seus membros e ameaças contínuas de defecções.

Criação


Criada em 2022 com a participação de Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino, a organização enfrentou resistência interna e externa que resultou na fragmentação do futebol nacional em dois blocos rivais, com a consolidação da Liga Forte Futebol (LFF), atual Futebol Forte União (FFU).

O modelo de divisão de receitas foi um dos principais pontos de atrito desde a fundação. O estatuto inicialmente previa uma distribuição de cotas de transmissão com peso elevado para o tamanho das torcidas, beneficiando Flamengo e Corinthians. Isso gerou críticas e até saídas de clubes médios e pequenos do grupo. Para esses integrantes, o formato manteria desigualdades financeiras, reduzindo a competitividade do torneio a longo prazo.

Em 2025, o cenário de instabilidade se agravou com a judicialização de contratos. O Flamengo obteve uma liminar para bloquear R$ 77 milhões referentes ao acordo com a Globo, sob o argumento de que a audiência gerada pelo clube não era proporcional aos valores repassados.


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A decisão gerou nova crise interna, levando parceiros como Palmeiras, São Paulo e Santos a acusarem o clube carioca de enfraquecer os interesses coletivos da entidade. Houve trocas públicas de farpas entre Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, e Leila Pereira, mandatária do Palmeiras.

Crise

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, em entrevista ao Mengocast - Reprodução / YouTube
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, em entrevista ao Mengocast – Reprodução / YouTube

A postura do Flamengo e os acordos de bastidores motivaram movimentos de afastamento. O Palmeiras já sinaliza a intenção de deixar a Libra e vê uma reaproximação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como o caminho mais promissor neste momento.

O descontentamento da diretoria alviverde aumentou após a vitória obtida internamente por Bap de um ajuste de R$ 150 milhões nos contratos de mídia do Flamengo. O Palmeiras viu esse movimento como uma priorização dos interesses individuais em detrimento dos demais clubes.

A falta de consenso político dentro da Libra, agravada pela exigência de unanimidade para mudanças estatutárias, travou decisões estratégicas e impediu que a liga superasse a barreira de ser uma simples negociadora de direitos de transmissão.

Mas até nessa área a Libra (e o FFU) fracassaram. Em nenhum momento se chegou a um entendimento de venda coletiva desses direitos na Série A. Na Segundona houve uma união inédita no ano passado, no que alguns dirigentes chamaram de “exemplo” dos clubes da Bezona para as equipes da elite.

No entanto, em 2025, com a Série B amplamente dominada pelo FFU, foi a vez de a liga concorrente, também surgida em 2022, não conseguir unificar interesses. Náutico e São Bernardo, que haviam ascendido da Série C, decidiram levar seus direitos comerciais para serem negociados de maneira independente pela CBF.

Instabilidade

A fragmentação comprometeu o poder de negociação perante investidores e emissoras. O contrato com a Globo para o período de 2025 a 2029 sofreu ameaças devido às disputas judiciais, gerando insegurança jurídica no mercado.

Sem uma proposta de unificação consolidada pela Libra, o produto Brasileirão permanece sob a tutela e coordenação da CBF.

Diante do cenário de estagnação, foi a vez de a confederação se fortalecer e convocar os clubes da Libra e do FFU para liderar o debate sobre a liga.

A entidade máxima do futebol nacional tenta preencher o vácuo deixado pela incapacidade dos clubes de estabelecerem uma governança comum e independente. A ausência de uma união entre os blocos reduziu o potencial de crescimento comercial do campeonato. Somado a isso, más gestões endividaram boa parte dos clubes, mantendo a dependência administrativa da confederação.

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Entidade não cumpre metas de divisão igualitária de receitas e vê projeto próprio perder força para a mediação da CBF.
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