Projetos de inclusão e ensino ganham força com a tributação do setor de bets
As recentes movimentações no Congresso Nacional evidenciam que a tributação do setor de bets pode gerar um impacto muito positivo na sociedade brasileira.
Um grande exemplo desse retorno financeiro foi a aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 6281/25.
A proposta determina, com efeito, que 10% da arrecadação vinda dos jogos vá diretamente para a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Na mesma semana, o Senado também aprovou a criação da Universidade do Esporte, que receberá parte dessa verba governamental.
Legado na educação e geração de empregos
A nova instituição de ensino terá o objetivo de formar profissionais e árbitros qualificados.
Avaliando esse avanço, Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), explicou que a iniciativa “contribui para deixar um legado duradouro para o esporte brasileiro, fortalecendo sua estrutura e seu impacto social em todo o país”.
Essa visão também é compartilhada pelas operadoras do mercado. Além dos impostos, o mercado legalizado movimenta a economia de outras formas.
Nesse sentido, João Fraga, CEO da Paag, pontuou que “o segmento já é responsável por mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos, movimentando uma ampla cadeia produtiva”.
Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming, complementou que as plataformas “geram empregos, recolhem tributos e destinam recursos significativos para o esporte, a cultura e a mídia por meio de patrocínios”.
Como garantir o uso correto da tributação do setor de bets
Com o governo recolhendo bilhões de reais, o desafio passa a ser a gestão eficiente desse dinheiro.
Dessa forma, Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol, fez um alerta importante sobre a máquina pública:
“O risco que vejo é, em alguns anos, olharmos para essa iniciativa e descobrirmos que 80% dos gastos se perdem dentro da própria estrutura do órgão criado em seu custeio, e apenas 20% chegam à ponta final, objetivo da criação do organismo, como costuma acontecer em iniciativas pouco produtivas capitaneadas por Governos”.
Além da fiscalização dos gastos, a proteção aos usuários também exige, sobretudo, foco contínuo.
O especialista em conteúdo digital focado na conscientização sobre as bets, Daniel Fortune, lembra que os sites clandestinos atrapalham o setor porque operam fora da lei e deixam os apostadores sem qualquer proteção.
Por fim, o psicólogo da Empresa Brasileira de Apoio Ao Compulsivo (EBAC), Cristiano Costa, reforça a necessidade de conscientização:
“Para além da arrecadação e do impacto econômico, é essencial que o segmento avance em mecanismos de identificação precoce de padrões de risco, educação do apostador e fortalecimento de políticas permanentes de jogo responsável”.
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