Os mercados de previsão, modalidade que transita na fronteira entre a aposta esportiva e a especulação financeira, continuam ganhando tração no Brasil.
Mesmo operando em um cenário de incerteza jurídica e sem regras locais específicas, o país já se posiciona como a principal fonte de tráfego da América Latina para gigantes globais do setor, como Polymarket e Kalshi.
Diferentemente das apostas tradicionais, que já possuem um marco legal definido, essas plataformas atuam em um cenário de indefinição, o que não tem impedido o crescimento acelerado do interesse nacional.
Confira um ranking mundial dos principais mercados de previsão:


Como Polymarket e Kalshi estão escalando seus acessos no Brasil
Os dados de tráfego recentes evidenciam saltos expressivos e provam que o público brasileiro está cada vez mais engajado.
De acordo com o Painel das Bets (ferramenta do Aposta Legal), o Polymarket registrou cerca de 122 milhões de acessos globais no primeiro trimestre de 2026.
Desse montante, 1,46 milhão de visitas vieram do Brasil, o que representa um salto de 85% no tráfego local em relação ao trimestre anterior.
Esse é um dos maiores avanços globais da marca (atrás apenas de mercados como Itália e Vietnã), consolidando o site entre os 4.000 mais acessados do país.

Já o Kalshi, que possui um público mais nichado e voltado a investidores com acesso ao mercado internacional, somou quase 35 milhões de visitas globais no período, com 80% desse volume fortemente concentrado nos Estados Unidos e no Canadá.
Ainda assim, o Brasil desponta como o grande destaque fora do eixo norte-americano.
Foram cerca de 250 mil acessos vindos do país, um crescimento de 28%, impulsionado em parte pela viabilidade de operações futuras atreladas a parcerias com instituições tradicionais, como o banco XP Investimentos.

A zona cinzenta regulatória e os riscos para o usuário brasileiro
Apesar dos números robustos, a operação de mercados de previsão no Brasil esbarra diretamente na falta de um enquadramento legal e na ausência de proteção ao investidor.
Atualmente, plataformas como Kalshi e Polymarket não têm regulamentação ou supervisão por parte das autoridades brasileiras.
Na prática, isso significa que, embora possam ter regulamentação e segurança em seus países de origem (como ocorre com o Kalshi nos Estados Unidos), o usuário brasileiro não conta com garantias jurídicas, suporte local ou mecanismos oficiais de defesa do consumidor.
Dessa forma, a falta de respaldo local expõe as operações a riscos e limitações, tornando o uso no Brasil menos seguro em comparação aos serviços formalmente autorizados.
Contudo, o modelo de negócios já desperta a atenção do setor financeiro institucional.
Assim, a B3 (bolsa de valores do Brasil) já sinalizou que avalia a possibilidade de desenvolver produtos semelhantes, indicando que, com o avanço do debate regulatório, os mercados de previsão podem deixar a informalidade para conquistar um espaço estruturado no ecossistema financeiro nacional.
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