Uma pesquisa sobre o impacto financeiro dos jogos está causando uma forte briga entre o varejo e o setor de apostas no Brasil.
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) enviou uma notificação oficial exigindo que a Confederação Nacional do Comércio (CNC) explique, no prazo de cinco dias, qual foi a base de dados utilizada em um estudo polêmico.
O documento da confederação aponta que os brasileiros teriam gasto mais de R$ 240 bilhões nas plataformas apenas em 2024, um número que o mercado de jogos contesta firmemente.
Como a CNC concluiu que o varejo perdeu dinheiro para o setor de apostas
Além de questionar o valor total movimentado pelos jogadores, os representantes das empresas licenciadas querem entender detalhadamente como a CNC chegou à conclusão de que o comércio deixou de faturar R$ 103 bilhões.
De acordo com a confederação, esse dinheiro teria saído diretamente das lojas para o mercado de jogos.
Essa disputa ganha ainda mais força porque esses mesmos números serviram de base para um projeto de lei do deputado Pedro Uczai (PT-SC).
Apresentado no dia 14 deste mês, o texto sugere a proibição total da oferta e da promoção de apostas de quota fixa no país.
A pressão contra o mercado regulado também aumentou por parte do presidente Lula, que intensificou as críticas nas últimas semanas.
Na sexta-feira passada (24), o governo já havia anunciado o bloqueio de 28 sites de mercados de previsão, onde as pessoas negociam dinheiro com base no resultado de eventos futuros.
A resposta das plataformas legais e as críticas contra os dados apresentados
As mais de 100 empresas de jogos que pagaram a outorga para funcionar legalmente estão reagindo a essa ofensiva.
O IBJR argumenta, entretanto, que proibir tudo não resolve o problema. A entidade defende que é exatamente por meio do setor que aceitou seguir as regras que o governo conseguirá criar políticas públicas para combater o vício e o endividamento.
O instituto lembra ainda que, hoje, mais de 50% das apostas são feitas em sites ilegais que conseguem burlar os bloqueios da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).
Para André Gelfi, diretor e conselheiro do IBJR, os números divulgados pela CNC representam notícias falsas, pois misturam conceitos e culpam as plataformas por toda a evolução do consumo e pelas dívidas das famílias brasileiras.
“É uma informação infundada, orquestrada com o Congresso em meio a uma narrativa política em ano eleitoral”, disse.
Gelfi reforçou, por fim, que os números internos apontam que as apostas representam apenas 0,46% do total de endividamento das famílias e que as plataformas estão sendo usadas como uma desculpa para justificar a dificuldade da população em pagar as contas em dia.
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