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SBC Summit 2026: Dario Evangelista, Betsson, explica como operadores podem proteger funcionários dos riscos do jogo

SBC Summit 2026: Dario Evangelista, Betsson, explica como operadores podem proteger funcionários dos riscos do jogo

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Dario Evangelista, Deputy General Counsel do Betsson Group, defende que o bem-estar dos funcionários deve ser tratado como uma extensão da responsabilidade corporativa e das políticas de proteção ao jogador.

Foto do advogado Dario Evangelista, Deputy General Counsel do Betsson Group. Ele será um dos palestrantes do SBC Summit 2026 em Lisboa.
Dario Evangelista, LinkedIn

Para o executivo, profissionais de jogo responsável, atendimento ao cliente, compliance, jurídico e áreas regulatórias podem enfrentar situações emocionalmente desafiadoras, o que exige treinamento, supervisão e acesso confidencial a apoio especializado.

Em entrevista ao SBC Notícias Brasil, Evangelista falou sobre políticas para restringir apostas de funcionários nos produtos da própria empresa, canais seguros para a busca de ajuda, diferenças entre os riscos enfrentados por trabalhadores de operações online e cassinos físicos e o papel dos órgãos reguladores.

No SBC Summit 2026, ele participará do painel “Is the Industry Closing Its Eyes to Gambling Harm in Its Own Workforce?”, que discutirá os danos relacionados ao jogo entre profissionais da indústria e as medidas que as empresas podem adotar para dar suporte às suas equipes. Leia a entrevista completa abaixo:

SBC Notícias Brasil: O setor investiu muito em estruturas de jogo mais seguras voltadas aos clientes. Por que você acredita que o bem-estar dos funcionários recebeu menos atenção?

Dario Evangelista: A atenção do setor tradicionalmente se concentrou nos clientes, porque é nesse grupo que estão os riscos mais visíveis, as exigências regulatórias e o escrutínio público. Como resultado, recursos significativos foram investidos em estruturas de jogo mais seguras e na proteção dos clientes, enquanto o bem-estar dos funcionários recebeu, em comparação, menos atenção.

Os funcionários que trabalham nas áreas de jogo responsável, atendimento ao cliente, compliance, jurídico e regulação podem se deparar regularmente com pessoas vulneráveis, disputas complexas e situações emocionalmente desafiadoras. O efeito cumulativo desse trabalho não deve ser subestimado.

Atualmente, há um maior reconhecimento de que o bem-estar dos funcionários e a proteção dos clientes estão estreitamente ligados. Funcionários devidamente treinados, que recebem apoio e são capazes de manifestar suas queixas, estão melhor preparados para exercer um julgamento sólido e lidar com interações delicadas. Portanto, apoiar o bem-estar dos funcionários é, ao mesmo tempo, uma importante responsabilidade organizacional e um componente de uma proteção eficaz dos clientes.

SBC Notícias Brasil: De acordo com pesquisas recentes, os danos relacionados ao jogo vão além das pessoas com transtorno do jogo e podem afetar comunidades mais amplas. Os operadores devem aplicar internamente essa mesma perspectiva abrangente ao avaliar os riscos na própria equipe?

Dario Evangelista: Sim. Os operadores devem considerar os danos relacionados ao jogo como um risco organizacional mais amplo e garantir que os funcionários compreendam seu possível impacto sobre indivíduos, colegas e comunidades mais amplas.

Na minha opinião, um foco importante deve estar na educação e no treinamento. Funcionários de diferentes áreas podem se beneficiar da compreensão de como os danos relacionados ao jogo se manifestam, dos sinais de alerta aos quais devem estar atentos e das formas pelas quais esses danos podem afetar as pessoas e aqueles a seu redor. Isso ajuda a construir uma cultura organizacional mais informada e responsável.

Isso não significa que funcionários e clientes enfrentem riscos idênticos. Significa garantir que os funcionários disponham do conhecimento e das ferramentas necessários para compreender essas questões e agir de maneira adequada. Quanto mais informada estiver a equipe, mais eficaz será o setor na promoção do jogo responsável e na identificação de possíveis riscos em estágio inicial.

SBC Notícias Brasil: Pesquisas que envolvem funcionários de cassinos indicam que o ambiente de trabalho pode influenciar o comportamento relacionado ao jogo. Na sua opinião, os funcionários de apostas e jogos online estão expostos a um tipo de risco diferente daquele enfrentado por funcionários de cassinos físicos?

Dario Evangelista: Os riscos são diferentes, embora um ambiente não deva ser automaticamente considerado mais arriscado do que o outro.

Funcionários de cassinos físicos podem presenciar diretamente os efeitos do jogo excessivo e enfrentar interações presenciais difíceis, agressões ou situações relacionadas à segurança. Portanto, sua exposição pode ser imediata, visível e, em algumas circunstâncias, física.

Funcionários de apostas e jogos online podem vivenciar uma forma diferente de exposição. Eles podem lidar, por períodos prolongados, com um grande volume de interações com clientes, casos complexos de jogo responsável e informações sensíveis. Também podem desenvolver um alto grau de familiaridade com produtos e comportamentos relacionados ao jogo por meio de seu trabalho diário.

Ambos os ambientes podem gerar exigências emocionais e psicológicas, mas o apoio e as salvaguardas adequados podem ser diferentes. Portanto, treinamento, supervisão, procedimentos de escalonamento e apoio ao bem-estar devem refletir a natureza da função, em vez de se aplicar um único modelo a todas as áreas.

SBC Notícias Brasil: A Betsson mantém programas públicos de treinamento em jogo responsável para funcionários e prestadores de serviços. Como seria uma estrutura interna de proteção mais avançada para os profissionais que trabalham mais próximos de áreas de alto risco, como o atendimento ao cliente, por exemplo?

Dario Evangelista: O treinamento é essencial, mas uma estrutura avançada também deve reconhecer que determinadas funções envolvem uma exposição maior e mais frequente a clientes vulneráveis e a situações emocionalmente desafiadoras.

Na Betsson, o treinamento obrigatório em jogo responsável e compliance, aliado a treinamentos mais especializados para as áreas pertinentes, oferece uma base importante. Uma estrutura mais desenvolvida e baseada em riscos deve se apoiar nessa base por meio de avaliações regulares específicas para cada função, treinamentos de atualização, procedimentos claros de escalonamento e supervisão adequada.

Para funcionários em funções com maior exposição, medidas adicionais podem incluir sessões estruturadas de análise após casos particularmente difíceis, gestão cuidadosa das cargas de trabalho e dos canais de comunicação, além da rotação periódica para atividades de menor intensidade, quando operacionalmente apropriado.

Os funcionários também devem ter acesso a apoio profissional confidencial, enquanto os gestores devem ser treinados para reconhecer possíveis sinais de estresse ou fadiga emocional. Em última análise, a eficácia da estrutura depende de uma cultura na qual os funcionários possam buscar ajuda sem estigma e tenham confiança de que suas preocupações serão tratadas de maneira adequada.

Como empregadores devem lidar com saúde mental no ambiente de trabalho.
Crédito: Shutterstock

SBC Notícias Brasil: Do ponto de vista jurídico e de governança, as empresas do setor de jogos e apostas devem ter políticas formais para impedir ou restringir que os funcionários joguem ou apostem nos produtos da própria empresa?

Dario Evangelista: Sim. As empresas de jogos e apostas devem ter políticas claras que estabeleçam se os funcionários podem utilizar produtos operados por seu empregador e em quais circunstâncias. Acredito que essa já seja uma prática comum entre muitos operadores de iGaming maduros e bem regulamentados, inclusive no Betsson Group.

Essas políticas não se baseiam na suposição de que os funcionários não são confiáveis. Elas se destinam a administrar possíveis conflitos de interesse, proteger os funcionários, resguardar informações sensíveis e manter a confiança na integridade e na imparcialidade das operações da empresa.

As regras devem ser claras, proporcionais e respaldadas por controles adequados. Também devem distinguir a atividade pessoal de jogo ou apostas de qualquer teste controlado de produtos que os funcionários possam estar autorizados a realizar como parte de suas responsabilidades profissionais.

No Betsson Group, os requisitos relativos à conduta dos funcionários, ao jogo responsável, ao compliance e a conflitos de interesse fazem parte de uma estrutura mais ampla de governança que sustenta operações responsáveis e transparentes. Limites claros para as atividades de jogo e apostas dos funcionários são um elemento importante da boa governança em um setor altamente regulamentado.

SBC Notícias Brasil: Como os operadores podem criar um canal que seja verdadeiramente confidencial para que os funcionários relatem danos relacionados ao jogo, especialmente quando podem temer consequências disciplinares, prejuízos à carreira ou serem vistos como um risco de compliance?

Dario Evangelista: O ponto de partida é distinguir claramente entre um funcionário que busca ajuda e qualquer ocorrência separada de má conduta ou infração regulatória. Buscar assistência não deve, por si só, ser tratado como uma irregularidade.

Os operadores devem oferecer mais de um canal pelo qual os funcionários possam buscar apoio. Esses canais podem incluir programas de assistência ao funcionário, aconselhamento independente, contatos designados no RH e profissionais de apoio treinados que não façam parte da linha hierárquica direta do funcionário.

Também é importante ser transparente sobre o que significa confidencialidade. As informações devem ficar restritas a quem precisa conhecê-las, mas os funcionários devem entender que pode haver circunstâncias limitadas nas quais obrigações jurídicas, regulatórias ou de proteção exijam medidas adicionais.

A confiança é, em última análise, o fator determinante. Os funcionários precisam ter confiança de que suas preocupações serão tratadas com discrição, empatia e proporcionalidade. Políticas claras, salvaguardas adequadas contra retaliações e mensagens consistentes da liderança podem incentivar os funcionários a buscar apoio antes que o problema se agrave.

SBC Notícias Brasil: Os órgãos reguladores devem exigir que operadores licenciados demonstrem como protegem seus próprios funcionários dos danos relacionados ao jogo, da mesma forma que se espera que protejam os clientes?

Dario Evangelista: A proteção dos funcionários deve ser reconhecida como uma parte importante da governança corporativa responsável, e os órgãos reguladores podem razoavelmente esperar que as operadoras demonstrem que dispõem de estruturas adequadas. No entanto, eu não apenas replicaria as exigências de proteção ao cliente para aplicá-las aos funcionários.

A proteção dos clientes continua sendo um objetivo central da regulação dos jogos e apostas, porque os operadores oferecem produtos de jogo diretamente a eles. O bem-estar dos funcionários, porém, também se relaciona com a legislação trabalhista, a saúde e segurança no trabalho, a governança e a gestão de riscos organizacionais.

Quando os órgãos reguladores considerarem riscos relacionados aos funcionários, a abordagem deve ser proporcional e focada em resultados, em vez de prescrever uma única estrutura para todos os operadores. As evidências pertinentes podem incluir políticas sobre as atividades de jogo e apostas dos funcionários, treinamento específico por função, canais confidenciais de apoio, supervisão da gestão e controles adequados para funções com maior exposição.

O objetivo deve ser verificar que o operador compreende e administra de forma eficaz os riscos pertinentes, ao mesmo tempo que permite às empresas implementar medidas que reflitam sua estrutura, força de trabalho e modelo operacional.

SBC Notícias Brasil: Em um grupo multinacional que opera em diferentes culturas regulatórias, como a Betsson, quão difícil é construir um padrão interno consistente de bem-estar dos funcionários e prevenção de danos relacionados ao jogo?

Dario Evangelista: O desafio não está necessariamente em estabelecer um padrão comum, mas em implementá-lo de forma consistente e eficaz em diferentes ambientes jurídicos, culturais e operacionais. Uma organização multinacional deve estabelecer uma base global que abranja áreas como bem-estar dos funcionários, treinamento em jogo responsável, confidencialidade, acesso a apoio, procedimentos de escalonamento e responsabilidade da gestão. Essas proteções fundamentais devem ser aplicadas independentemente do local onde o funcionário trabalha.

Ao mesmo tempo, a implementação pode precisar refletir as legislações trabalhistas locais, os sistemas de saúde, os idiomas e as atitudes culturais em relação ao jogo e ao bem-estar mental. Portanto, a flexibilidade local é importante, desde que não enfraqueça o padrão subjacente.

O compromisso e o nível mínimo de proteção devem ser globais, enquanto a forma de implementação pode ser adaptada para alcançar o melhor resultado em cada mercado.

SBC Notícias Brasil: Quando este painel olhar para trás daqui a alguns anos, quais mudanças concretas demonstrariam que o nosso setor não ignorou os danos relacionados ao jogo dentro da própria equipe?

Dario Evangelista: O progresso deve ser demonstrado por mais do que a mera existência de políticas. O setor deve ser capaz de mostrar que os riscos relacionados aos funcionários foram avaliados, que as funções com maior exposição recebem treinamento e apoio adequados e que os funcionários sabem como buscar assistência.

É importante destacar que o setor já se encontra em uma situação muito diferente da de uma década atrás. Houve uma consolidação significativa, e muitos operadores agora fazem parte de grandes grupos altamente estruturados, que atuam em vários mercados regulamentados. Essas organizações frequentemente contam com áreas dedicadas a jogo responsável, compliance, jurídico, RH, riscos e bem-estar, apoiadas por políticas, controles, estruturas de governança e profissionais especializados. O próximo passo é garantir que essas estruturas se traduzam em uma proteção consistente e mensurável para os funcionários.

Para mim, o sinal mais claro de progresso seria ver o bem-estar dos funcionários tratado como uma extensão natural do compromisso mais amplo de uma empresa com responsabilidade e sustentabilidade. Isso significa programas abrangentes de treinamento, apoio acessível ao bem-estar, canais confidenciais de relato, políticas claras sobre atividades de jogo e apostas dos funcionários e uma cultura de trabalho em que buscar ajuda não seja motivo de estigma.


A entrevista com Dario Evangelista, do Betsson Group, faz parte de uma série de conversas que o SBC Notícias Brasil está realizando com palestrantes confirmados do SBC Summit 2026. Confira também:

William Bonalume, Open Gaming, analisa integração tecnológica no setor de apostas.

Vanessa Arteaga, Aposta Ganha, explica como transformar dados em campanhas eficientes.

Floris Assies, Better World Casinos, antecipa debates do SBC Summit 2026 e defende jogo responsável integrado ao produto.

Khalid Ali, IBIA, analisa avanços e desafios do Brasil no combate à manipulação de resultados


Os ingressos para o SBC Summit 2026 estão disponíveis aqui


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Dario Evangelista, Deputy General Counsel do Betsson Group, defende que o bem-estar dos funcionários deve ser tratado como uma extensão da responsabilidade corporativa e das políticas de proteção ao jogador. 

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