Vício em apostas: Brasil apresenta à OMS ações para enfrentar impactos na saúde mental

Governo destacou plataforma de autoexclusão e novo serviço do SUS voltado a pessoas com problemas relacionados às bets.


O governo brasileiro apresentou à Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, as medidas adotadas para enfrentar os impactos do vício em apostas eletrônicas na saúde mental da população. O tema foi levado à Assembleia da OMS na quarta-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Durante o encontro, Padilha defendeu uma articulação internacional para ampliar a regulação do mercado de apostas online. Segundo o ministro, o endividamento causado pelos jogos eletrônicos tem provocado impactos diretos na saúde mental, tornando o assunto prioridade para o governo brasileiro.

Veja também: Ministério da Saúde lança guia para atendimento de pessoas com problemas relacionados a apostas


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O ministro também afirmou que experiências anteriores do país em áreas como o controle do tabaco podem servir de referência para a criação de novas políticas voltadas ao setor de apostas.

Entre as iniciativas apresentadas pelo Ministério da Saúde está a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada em dezembro de 2025, que permite ao próprio usuário solicitar o bloqueio em sites de apostas. De acordo com a pasta, mais de 519 mil pessoas já utilizaram o sistema, sendo que mais da metade relatou sofrimento mental relacionado às apostas.

Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado para pessoas com problemas ligados aos jogos de apostas online.

Lula critica bets ilegais: “Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a que não seria”

presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista ao programa Sem Censura, da EBC. O líder do país voltou a criticar as empresas de jogos online, mas, ao contrário do que fez em outras oportunidades, não generalizou todo o mercado e direcionou a desaprovação às plataformas ilegais.

Mesmo ressaltando que segue com o posicionamento de que, se dependesse dele, toda a atividade seria proibida, o presidente afirmou que as empresas sérias poderiam continuar funcionando e que o objetivo é encerrar o mercado ilegal. “Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a que não seria. Você pode deixar uma ou outra funcionando, o que não pode deixar são ‘os tigrinhos da vida’ funcionarem”, disse.

Foto: Ricardo Stuckert-Presidência da República.

Veja também: Ministro Guilherme Boulos volta a defender a proibição das apostas no Brasil

“Vou dizer isso durante a campanha eleitoral. Eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições. O que é ilegal na vida normal, tem que ser ilegal em qualquer outro espaço”, completou Lula.

O presidente reconheceu que existem setores que depende do patrocínio das bets, como os clubes de futebol. Por outro lado, Lula disse não concordar com o volume de publicidade dessas empresas em veículos de comunicação. O chefe do Poder Executivo afirmou que pretende restringir a publicidade do setor.

Sobre o combate às plataformas clandestinas de apostas online, Lula ressaltou o trabalho da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Segundo o presidente, ainda serão discutidas novas formas de avançar com a regulamentação do setor, mas que há entraves, sendo o principal deles, o pouco apoio no Congresso.

“Só tenho 70 deputados em 513. Só tenho 9 senadores em 81”, afirmou. Segundo o presidente da República, é necessário muito diálogo com os parlamentares porque eles poderiam derrubar propostas e vetos presidenciais.

“É sabido a quantidade de influência que as bets têm no Congresso Nacional. É sabido a quantidade de dinheiro que eles fazem o povo gastar jogando sem nenhuma orientação”, disse. “Não depende de mim, não sou dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o Trump não é dono do mundo, eu não sou dono do Brasil, eu sou o presidente da República. Eu faço parte de um tripé de instituições que governam o país. Eu tenho o Congresso Nacional e eu tenho o Poder Judiciário”, acrescentou Lula.

Sobre o combate ao vício em jogos, o presidente falou que o crescimento descontrolado das apostas é um problema de saúde pública. “Jogar é uma doença, um vício. Você não tem noção do vício. É um processo quase que educacional, junto com as proibições. Não é uma coisa fácil de você fazer”, reconheceu.

“Este país, durante séculos, foi contra qualquer jogo de azar. Fomos contra cassino. O cassino agora foi para a sala, para o telefone da vovó, que empresta pro neto, o telefone do papai que empresta pro filho e muitas vezes o filho joga escondido e as pessoas não sabem”, concluiu Lula.

Governo destacou plataforma de autoexclusão e novo serviço do SUS voltado a pessoas com problemas relacionados às bets.

O governo brasileiro apresentou à Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, as medidas adotadas para enfrentar os impactos do vício em apostas eletrônicas na saúde mental da população. O tema foi levado à Assembleia da OMS na quarta-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Durante o encontro, Padilha defendeu uma articulação internacional para ampliar a regulação do mercado de apostas online. Segundo o ministro, o endividamento causado pelos jogos eletrônicos tem provocado impactos diretos na saúde mental, tornando o assunto prioridade para o governo brasileiro.

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O ministro também afirmou que experiências anteriores do país em áreas como o controle do tabaco podem servir de referência para a criação de novas políticas voltadas ao setor de apostas.

Entre as iniciativas apresentadas pelo Ministério da Saúde está a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada em dezembro de 2025, que permite ao próprio usuário solicitar o bloqueio em sites de apostas. De acordo com a pasta, mais de 519 mil pessoas já utilizaram o sistema, sendo que mais da metade relatou sofrimento mental relacionado às apostas.

Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado para pessoas com problemas ligados aos jogos de apostas online.

Lula critica bets ilegais: “Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a que não seria”

presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista ao programa Sem Censura, da EBC. O líder do país voltou a criticar as empresas de jogos online, mas, ao contrário do que fez em outras oportunidades, não generalizou todo o mercado e direcionou a desaprovação às plataformas ilegais.

Mesmo ressaltando que segue com o posicionamento de que, se dependesse dele, toda a atividade seria proibida, o presidente afirmou que as empresas sérias poderiam continuar funcionando e que o objetivo é encerrar o mercado ilegal. “Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a que não seria. Você pode deixar uma ou outra funcionando, o que não pode deixar são ‘os tigrinhos da vida’ funcionarem”, disse.

Foto: Ricardo Stuckert-Presidência da República.

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“Vou dizer isso durante a campanha eleitoral. Eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições. O que é ilegal na vida normal, tem que ser ilegal em qualquer outro espaço”, completou Lula.

O presidente reconheceu que existem setores que depende do patrocínio das bets, como os clubes de futebol. Por outro lado, Lula disse não concordar com o volume de publicidade dessas empresas em veículos de comunicação. O chefe do Poder Executivo afirmou que pretende restringir a publicidade do setor.

Sobre o combate às plataformas clandestinas de apostas online, Lula ressaltou o trabalho da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Segundo o presidente, ainda serão discutidas novas formas de avançar com a regulamentação do setor, mas que há entraves, sendo o principal deles, o pouco apoio no Congresso.

“Só tenho 70 deputados em 513. Só tenho 9 senadores em 81”, afirmou. Segundo o presidente da República, é necessário muito diálogo com os parlamentares porque eles poderiam derrubar propostas e vetos presidenciais.

“É sabido a quantidade de influência que as bets têm no Congresso Nacional. É sabido a quantidade de dinheiro que eles fazem o povo gastar jogando sem nenhuma orientação”, disse. “Não depende de mim, não sou dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o Trump não é dono do mundo, eu não sou dono do Brasil, eu sou o presidente da República. Eu faço parte de um tripé de instituições que governam o país. Eu tenho o Congresso Nacional e eu tenho o Poder Judiciário”, acrescentou Lula.

Sobre o combate ao vício em jogos, o presidente falou que o crescimento descontrolado das apostas é um problema de saúde pública. “Jogar é uma doença, um vício. Você não tem noção do vício. É um processo quase que educacional, junto com as proibições. Não é uma coisa fácil de você fazer”, reconheceu.

“Este país, durante séculos, foi contra qualquer jogo de azar. Fomos contra cassino. O cassino agora foi para a sala, para o telefone da vovó, que empresta pro neto, o telefone do papai que empresta pro filho e muitas vezes o filho joga escondido e as pessoas não sabem”, concluiu Lula.

  


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