Ao longo das últimas décadas, a camisa da Argentina transcendeu a sua função primária de material para prática esportiva e se consolidou como um ativo monetizável em escala global. Em Copas do Mundo, a trajetória da albiceleste ainda ilustra a evolução do próprio marketing esportivo, com a transição das manufaturas locais, como as Industria Lanús e a Sportlandia, que forneceram os uniformes da seleção do país nos Mundiais da Fifa entre as décadas de 1950 e 1960, para cadeias de suprimento globais dominadas por multinacionais a partir da década de 1970.
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Nesse sentido, a primeira marca global que forneceu os uniformes da seleção argentina em Copas do Mundo foi a Adidas, na edição de 1974. O grande marco desse primeiro acordo da Associação do Futebol Argentino (AFA) com a empresa alemã, no entanto, aconteceu quatro anos mais tarde, quando os argentinos foram campeões do Mundial de 1978.

Na década seguinte, mais especificamente entre 1980 e 1989, a francesa Le Coq Sportif, que pertencia à Adidas na época, assumiu o fornecimento de material esportivo da Argentina e, com isso, foi a responsável pelo desenvolvimento dos uniformes da seleção albiceleste para a Copa do Mundo de 1982 e também para o Mundial de 1986, segundo conquistado pelos argentinos.

Em 1990, a Adidas reassumiu o posto de marca esportiva da AFA, em um acordo que vigorou até quase o fim daquela década. Isso porque, em 1999, a entidade máxima do futebol argentino optou por trocar a empresa alemã pela Reebok que, à época, buscava desafiar a hegemonia de Nike, Puma e Adidas, além de expandir sua presença no futebol sul-americano.
Publicações da época reportaram que o acordo girava em torno de US$ 80 milhões por oito anos de parceria, valor considerado recorde para aquele momento. O contrato, no entanto, foi encerrado em novembro de 2001 por questões financeiras e estratégias da Reebok, e a marca não vestiu a seleção argentina em nenhuma Copa.
Com isso, a Adidas viu uma oportunidade e “comprou” o contrato que a AFA mantinha com a Reebok, pagando cerca de US$ 10 milhões anuais até a Copa do Mundo de 2006 para assumir o controle do uniforme albiceleste pela terceira vez. Desde então, a marca alemã segue como fornecedora de material esportivo da seleção argentina.

Em 2024, o acordo ainda foi estendido até 2038. O movimento aconteceu em um contexto de urgência comercial para a Adidas, considerando que a Nike tinha acabado de assinar um contrato de cerca de € 100 milhões anuais para assumir o desenvolvimento dos uniformes da seleção alemã, um ativo histórico da marca das três listras, a partir de 2027.
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Além disso, o volume global de vendas de camisas e outros produtos de vestuário da seleção albiceleste justifica o investimento milionário da Adidas no contrato com a AFA. Em um comunicado divulgado à imprensa após a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, a marca alemã informou que seriam vendidas mais de 1 milhão de camisas da Argentina naquele ano.
Design e lifestyle
Esteticamente, o uniforme da seleção argentina virou um item de moda unissex, sendo, nos últimos anos, impulsionado também pelo movimento “Blockcore”, estilo que combina camisas clássicas de futebol com peças de alfaiataria e sapatos casuais.
Em relação aos negócios, AFA e Adidas agiram rapidamente para monetizar em cima dessa tendência. Comunicados oficiais da marca alemã de 2024, por exemplo, citam explicitamente que as camisas foram desenhadas para uso “no campo, na arquibancada ou como parte de um guarda-roupa moderno”.
Em novembro de 2024, para celebrar os 50 anos de colaboração formal, foi lançada uma camisa comemorativa que trouxe de volta o clássico logotipo “Trefoil”, o trevo da linha Originals da Adidas, junto de uma coleção de moda urbana de jaquetas e calças.
Além disso, nos últimos anos, a marca alemã também passou a relançar modelos antigos da Argentina que marcaram época, como a camisa que foi usada em 2006 e marcou a estreia de Lionel Messi em Copas do Mundo. A peça integra a coleção retrô de uniformes de seleções que a Adidas lançou neste ano.
A partir da Copa do Mundo de 2018, momento em que as camisas de futebol começaram a se tornar itens também de moda e lifestyle, para além de roupas apenas para prática esportiva, a Adidas passou a criar designs diferentes e com cores fora do padrão que vinha sendo observado até então para o uniforme reserva da seleção argentina.
Nesse sentido, a camisa reserva da Argentina para o Mundial de 2018 era predominantemente preta, com detalhes laterais em branco e azul-celeste, um conceito que mudou bastante em relação aos uniformes reservas criados para as Copas anteriores, que eram construídos a partir de algum tom de azul mais escuro.

Para o Mundial do Catar, em 2022, a Adidas criou um modelo reserva ainda mais disruptivo para a Argentina. Segundo a marca alemã, o uniforme predominantemente roxo foi inspirado no “orgulho da nação” e na “busca por um mundo mais igualitário”. Além disso, o comunicado da empresa também destacou que os tons violeta representavam a igualdade de gênero, e os elementos visuais flamejantes buscavam remeter ao “Sol de Maio” da bandeira do país.

Já para a Copa do Mundo deste ano, a Adidas seguiu com a mesma estratégia e criou o uniforme titular nas cores e no formato tradicional da Argentina, enquanto desenvolveu uma camisa reserva inspirada na cultura do futebol na década de 1990, com padrões geométricos e referências artísticas do país, buscando se conectar também ao universo do lifestyle associado às camisas de futebol, para além dos torcedores mais tradicionais.
De acordo com a marca, “a camisa reserva se inspira na rica herança artística da Argentina, apresentando um padrão gráfico azul ondulante distinto, inspirado nos motivos tradicionais do país. Detalhes em branco sobre uma base preta realçam as linhas estilizadas, os intrincados arabescos florais e as plantas trepadeiras, dando vida ao design em um contraste marcante”.
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De confecções locais à renovação com a Adidas até 2038, uniforme albiceleste se transformou em um ativo global baseado no lifestyle das camisas de futebol
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