André Gelfi, IBJR: “O setor de apostas parece ter se tornado um ‘bode expiatório’ conveniente”

Em entrevista, executivo defende o combate ao mercado ilegal e critica a generalização do setor nas discussões sobre endividamento e o Desenrola 2.0.


Entrevista exclusiva.- Em entrevista à Focus Gaming News Brasil, André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do Instituo Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), comentou os impactos das discussões envolvendo o Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas.

O executivo também abordou as novas restrições impostas aos beneficiários em plataformas de apostas online e afirmou que o combate ao mercado ilegal será fundamental para garantir a proteção financeira dos usuários sem enfraquecer o mercado regulado de bets no Brasil.

Por que o IBJR acredita que o combate ao mercado ilegal é fundamental para o sucesso do Desenrola 2.0?


iGaming & Gaming International Expo - IGI

O sucesso de qualquer programa de renegociação de dívidas depende de previsibilidade e segurança para o cidadão. O mercado ilegal não segue regras, não possui mecanismos de Jogo Responsável e não oferece proteção ao patrimônio do usuário. Permitir que operadoras clandestinas, que não pagam impostos nem oferecem segurança, continuem drenando a renda da população é um contrassenso ao objetivo do governo de desonerar as famílias. Além disso, restrições no setor regulamentado podem estimular a migração para essas plataformas clandestinas, que já movimentam cerca de R$ 40 bilhões (US$ 4 bilhões). O combate ao ilegal garante que o entretenimento não se torne um ralo financeiro sem controle.

Permitir que operadoras clandestinas, que não pagam impostos nem oferecem segurança, continuem drenando a renda da população é um contrassenso ao objetivo do governo de desonerar as famílias.

André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do IBJR

O IBJR acredita que o governo está tratando o mercado regulado e o mercado ilegal com o mesmo peso nas discussões sobre proteção financeira?

Infelizmente, existe uma tendência de “generalização”, onde o setor de apostas é colocado em um único bloco ao se falar de endividamento. Há uma nuance importante: o brasileiro não vai deixar de apostar. Enquanto as operadoras regulamentadas investem milhões em tecnologia de monitoramento e conformidade, o mercado clandestino é uma zona cinzenta que foge à fiscalização do Ministério da Fazenda.

Precisamos que as políticas públicas foquem em punir o infrator e “parceirizar” o regulado, que é quem de fato cumpre as regras de proteção financeira. O setor parece ter se tornado um “bode expiatório” conveniente, em que é indicado constantemente como causador de endividamento, sem que sejam apresentadas soluções reais para as causas multifatoriais do endividamento, como juros altos e inflação.

Que tipo de política pública o IBJR defende para equilibrar proteção ao consumidor sem enfraquecer o mercado regulamentado?

Defendemos a Regulação Inteligente, que deve combinar: 

  • Monitoramento comportamental: uso de algoritmos para identificar padrões de risco;
  • Educação Financeira: campanhas integradas entre governo e setor privado para reforçar que a aposta é entretenimento, e não fonte de renda.
  • Ação técnica contra o ilegal: bloqueio eficaz de IPs e URLs pela Anatel, asfixia financeira de sites sem licença e controle rigoroso de publicidade, banindo influenciadores que promovam o mercado ilegal.

O proibicionismo apenas empurra o consumidor para o mercado clandestino, onde não há proteção alguma.

Na visão do IBJR, qual deveria ser o papel do mercado regulado de apostas dentro da estratégia de proteção financeira proposta pelo Desenrola 2.0?

O mercado regulado deve ser um agente de detecção precoce. Por meio de ferramentas de KYC (Know Your Customer), as operadoras reguladas podem e devem atuar para evitar que indivíduos em situação de vulnerabilidade financeira extrema utilizem as plataformas. No contexto do Desenrola, o setor pode colaborar compartilhando boas práticas e integrando sistemas que ajudem a identificar comportamentos de risco, garantindo que o programa de renegociação não seja “anulado” por gastos impulsivos em sites não autorizados.

Como o IBJR avalia o risco de associar diretamente o endividamento das famílias às apostas esportivas sem diferenciar operações legais e ilegais?

O risco é criar um diagnóstico errado. Dados da LCA Consultoria mostram que o gasto com apostas legais representa apenas 0,46% do consumo das famílias brasileiras, metade do que é destinado aos serviços de streaming, por exemplo.

Atribuir o endividamento exclusivamente às bets ignora que o principal fator é o alto custo do crédito, especialmente no rotativo do cartão. Sem essa diferenciação, corre-se o risco de impor restrições severas ao mercado legal, o que beneficia apenas o ilegal, que opera à margem de qualquer política de proteção.

André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do IBJR

O setor regulado está preparado para colaborar com políticas públicas voltadas à prevenção do superendividamento? De que forma isso poderia acontecer na prática?

O setor regulado está plenamente preparado e interessado em colaborar com políticas públicas de prevenção ao superendividamento, pois entendemos que a sustentabilidade do mercado depende diretamente da saúde financeira do consumidor. Na prática, essa colaboração ocorre por meio da implementação rigorosa de travas tecnológicas, como o monitoramento de padrões de comportamento para identificar riscos, opções acessíveis de pausa e autoexclusão e a imposição de limites de depósito e perda. Além disso, contamos com a proibição do uso de cartões de crédito para apostas, garantindo que o jogo seja estritamente uma forma de entretenimento e não uma ameaça ao patrimônio do cidadão. É preciso combater o mercado clandestino, onde o endividamento desenfreado não encontra barreiras, para então consolidar um ambiente de apostas seguro e responsável no Brasil.

Em entrevista, executivo defende o combate ao mercado ilegal e critica a generalização do setor nas discussões sobre endividamento e o Desenrola 2.0.

Entrevista exclusiva.- Em entrevista à Focus Gaming News Brasil, André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do Instituo Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), comentou os impactos das discussões envolvendo o Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas.

O executivo também abordou as novas restrições impostas aos beneficiários em plataformas de apostas online e afirmou que o combate ao mercado ilegal será fundamental para garantir a proteção financeira dos usuários sem enfraquecer o mercado regulado de bets no Brasil.

Por que o IBJR acredita que o combate ao mercado ilegal é fundamental para o sucesso do Desenrola 2.0?

O sucesso de qualquer programa de renegociação de dívidas depende de previsibilidade e segurança para o cidadão. O mercado ilegal não segue regras, não possui mecanismos de Jogo Responsável e não oferece proteção ao patrimônio do usuário. Permitir que operadoras clandestinas, que não pagam impostos nem oferecem segurança, continuem drenando a renda da população é um contrassenso ao objetivo do governo de desonerar as famílias. Além disso, restrições no setor regulamentado podem estimular a migração para essas plataformas clandestinas, que já movimentam cerca de R$ 40 bilhões (US$ 4 bilhões). O combate ao ilegal garante que o entretenimento não se torne um ralo financeiro sem controle.

Permitir que operadoras clandestinas, que não pagam impostos nem oferecem segurança, continuem drenando a renda da população é um contrassenso ao objetivo do governo de desonerar as famílias.

André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do IBJR

O IBJR acredita que o governo está tratando o mercado regulado e o mercado ilegal com o mesmo peso nas discussões sobre proteção financeira?

Infelizmente, existe uma tendência de “generalização”, onde o setor de apostas é colocado em um único bloco ao se falar de endividamento. Há uma nuance importante: o brasileiro não vai deixar de apostar. Enquanto as operadoras regulamentadas investem milhões em tecnologia de monitoramento e conformidade, o mercado clandestino é uma zona cinzenta que foge à fiscalização do Ministério da Fazenda.

Precisamos que as políticas públicas foquem em punir o infrator e “parceirizar” o regulado, que é quem de fato cumpre as regras de proteção financeira. O setor parece ter se tornado um “bode expiatório” conveniente, em que é indicado constantemente como causador de endividamento, sem que sejam apresentadas soluções reais para as causas multifatoriais do endividamento, como juros altos e inflação.

Que tipo de política pública o IBJR defende para equilibrar proteção ao consumidor sem enfraquecer o mercado regulamentado?

Defendemos a Regulação Inteligente, que deve combinar: 

  • Monitoramento comportamental: uso de algoritmos para identificar padrões de risco;
  • Educação Financeira: campanhas integradas entre governo e setor privado para reforçar que a aposta é entretenimento, e não fonte de renda.
  • Ação técnica contra o ilegal: bloqueio eficaz de IPs e URLs pela Anatel, asfixia financeira de sites sem licença e controle rigoroso de publicidade, banindo influenciadores que promovam o mercado ilegal.

O proibicionismo apenas empurra o consumidor para o mercado clandestino, onde não há proteção alguma.

Na visão do IBJR, qual deveria ser o papel do mercado regulado de apostas dentro da estratégia de proteção financeira proposta pelo Desenrola 2.0?

O mercado regulado deve ser um agente de detecção precoce. Por meio de ferramentas de KYC (Know Your Customer), as operadoras reguladas podem e devem atuar para evitar que indivíduos em situação de vulnerabilidade financeira extrema utilizem as plataformas. No contexto do Desenrola, o setor pode colaborar compartilhando boas práticas e integrando sistemas que ajudem a identificar comportamentos de risco, garantindo que o programa de renegociação não seja “anulado” por gastos impulsivos em sites não autorizados.

Como o IBJR avalia o risco de associar diretamente o endividamento das famílias às apostas esportivas sem diferenciar operações legais e ilegais?

O risco é criar um diagnóstico errado. Dados da LCA Consultoria mostram que o gasto com apostas legais representa apenas 0,46% do consumo das famílias brasileiras, metade do que é destinado aos serviços de streaming, por exemplo.

Atribuir o endividamento exclusivamente às bets ignora que o principal fator é o alto custo do crédito, especialmente no rotativo do cartão. Sem essa diferenciação, corre-se o risco de impor restrições severas ao mercado legal, o que beneficia apenas o ilegal, que opera à margem de qualquer política de proteção.

André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do IBJR

O setor regulado está preparado para colaborar com políticas públicas voltadas à prevenção do superendividamento? De que forma isso poderia acontecer na prática?

O setor regulado está plenamente preparado e interessado em colaborar com políticas públicas de prevenção ao superendividamento, pois entendemos que a sustentabilidade do mercado depende diretamente da saúde financeira do consumidor. Na prática, essa colaboração ocorre por meio da implementação rigorosa de travas tecnológicas, como o monitoramento de padrões de comportamento para identificar riscos, opções acessíveis de pausa e autoexclusão e a imposição de limites de depósito e perda. Além disso, contamos com a proibição do uso de cartões de crédito para apostas, garantindo que o jogo seja estritamente uma forma de entretenimento e não uma ameaça ao patrimônio do cidadão. É preciso combater o mercado clandestino, onde o endividamento desenfreado não encontra barreiras, para então consolidar um ambiente de apostas seguro e responsável no Brasil.

  


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